{"id":31307,"date":"2026-10-20T04:36:53","date_gmt":"2026-10-20T04:36:53","guid":{"rendered":"https:\/\/toexceed.com.br\/blog\/?p=31307"},"modified":"2026-10-20T04:36:53","modified_gmt":"2026-10-20T04:36:53","slug":"artigo-187-do-cc-o-que-significa-e-quando-ocorre-abuso-de-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/toexceed.com.br\/blog\/2026\/10\/20\/artigo-187-do-cc-o-que-significa-e-quando-ocorre-abuso-de-direito\/","title":{"rendered":"Artigo 187 do CC: o que significa e quando ocorre abuso de direito"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>artigo 187 do CC (C\u00f3digo Civil)<\/strong> trata do chamado <strong>abuso de direito<\/strong>. A regra estabelece que uma pessoa pode cometer um ato il\u00edcito mesmo quando, inicialmente, est\u00e1 exercendo um direito que realmente possui. O problema surge quando esse direito \u00e9 exercido de maneira manifestamente excessiva, ultrapassando os limites de sua finalidade econ\u00f4mica ou social, da boa-f\u00e9 ou dos bons costumes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9 uma ideia muito importante no Direito Civil: <strong>ter um direito n\u00e3o significa poder exerc\u00ea-lo de qualquer maneira<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pessoa pode possuir determinada prerrogativa prevista em contrato ou na legisla\u00e7\u00e3o e, ainda assim, responder juridicamente se utilizar esse direito abusivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo 187, portanto, funciona como um limite ao exerc\u00edcio dos direitos individuais e aparece em discuss\u00f5es envolvendo contratos, rela\u00e7\u00f5es entre particulares, responsabilidade civil, cobran\u00e7as e at\u00e9 exerc\u00edcio abusivo do direito de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que diz o artigo 187 do C\u00f3digo Civil?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo 187 est\u00e1 localizado no T\u00edtulo III do C\u00f3digo Civil, dedicado aos atos il\u00edcitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em ess\u00eancia, ele determina que tamb\u00e9m pratica ato il\u00edcito quem \u00e9 titular de um direito, mas excede manifestamente os limites estabelecidos por:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>sua finalidade econ\u00f4mica;<\/li>\n\n\n\n<li>sua finalidade social;<\/li>\n\n\n\n<li>boa-f\u00e9;<\/li>\n\n\n\n<li>bons costumes.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reda\u00e7\u00e3o oficial pode ser consultada diretamente no C\u00f3digo Civil mantido pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A palavra <strong>\u201ctamb\u00e9m\u201d<\/strong> utilizada pelo dispositivo \u00e9 relevante porque o artigo anterior, o artigo 186, j\u00e1 apresenta outra hip\u00f3tese de ato il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que significa o artigo 187 do CC?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine que uma pessoa possua um direito leg\u00edtimo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em princ\u00edpio, ela pode exerc\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, existem limites para a maneira como esse direito pode ser utilizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o titular ultrapassa manifestamente esses limites, o exerc\u00edcio deixa de ser considerado regular e passa a caracterizar <strong>abuso de direito<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Superior Tribunal de Justi\u00e7a reconhece o artigo 187 justamente como fundamento do instituto do abuso de direito, relacionado ao uso excessivo de uma posi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podemos resumir da seguinte forma:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>direito existente + exerc\u00edcio regular = comportamento permitido;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>direito existente + exerc\u00edcio manifestamente excessivo = poss\u00edvel abuso de direito.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa diferen\u00e7a \u00e9 essencial para compreender o dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 abuso de direito?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Abuso de direito acontece quando uma pessoa possui determinada prerrogativa jur\u00eddica, mas a utiliza al\u00e9m dos limites admitidos pelo ordenamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema, portanto, n\u00e3o est\u00e1 necessariamente na exist\u00eancia do direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Est\u00e1 na maneira como ele \u00e9 exercido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um exemplo simples ajuda a compreender.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine que um credor realmente tenha direito de cobrar uma d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cobrar a d\u00edvida \u00e9, em princ\u00edpio, leg\u00edtimo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, isso n\u00e3o significa que possa utilizar qualquer m\u00e9todo para pressionar o devedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dependendo das circunst\u00e2ncias, uma cobran\u00e7a realizada mediante exposi\u00e7\u00e3o, constrangimento ou outros excessos pode ultrapassar os limites do exerc\u00edcio regular de um direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O direito de cobrar continua existindo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que pode ser il\u00edcito \u00e9 a forma abusiva como ele foi exercido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o os requisitos do artigo 187 do C\u00f3digo Civil?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio dispositivo apresenta os par\u00e2metros utilizados para identificar o excesso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exerc\u00edcio do direito n\u00e3o pode ultrapassar manifestamente os limites impostos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>pelo fim econ\u00f4mico ou social;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>pela boa-f\u00e9;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>pelos bons costumes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que todos esses elementos sejam violados simultaneamente em todas as situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso concreto precisa ser analisado para identificar se houve efetivamente exerc\u00edcio abusivo da posi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que significa exceder o fim econ\u00f4mico ou social do direito?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os direitos possuem finalidades reconhecidas pelo ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando determinada prerrogativa \u00e9 utilizada de maneira completamente incompat\u00edvel com sua finalidade, pode surgir discuss\u00e3o sobre abuso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine que algu\u00e9m utilize uma faculdade contratual exclusivamente como instrumento para provocar preju\u00edzo injustificado \u00e0 outra parte, distanciando-se da fun\u00e7\u00e3o para a qual aquela prerrogativa existe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exerc\u00edcio formal de um direito n\u00e3o funciona automaticamente como prote\u00e7\u00e3o para qualquer comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 necess\u00e1rio observar sua finalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STJ j\u00e1 destacou que os direitos subjetivos devem ser exercidos observando seus fins econ\u00f4micos e sociais e os demais limites previstos no artigo 187.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Boa-f\u00e9 no artigo 187 do CC<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>boa-f\u00e9 objetiva<\/strong> possui papel central na interpreta\u00e7\u00e3o do artigo 187.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, boa-f\u00e9 n\u00e3o significa simplesmente perguntar se algu\u00e9m interiormente acreditava estar agindo corretamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A boa-f\u00e9 objetiva est\u00e1 relacionada a padr\u00f5es de comportamento esperados em uma rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STJ associa sua fun\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria a deveres como lealdade, coopera\u00e7\u00e3o e respeito \u00e0s leg\u00edtimas expectativas da outra parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso possui enorme import\u00e2ncia nas rela\u00e7\u00f5es contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine duas pessoas que mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o comercial durante v\u00e1rios anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma delas adota determinado comportamento reiteradamente e cria na outra uma expectativa leg\u00edtima. Posteriormente, tenta exercer uma prerrogativa de maneira contradit\u00f3ria e prejudicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dependendo das circunst\u00e2ncias, a boa-f\u00e9 objetiva pode ser relevante para analisar se ocorreu abuso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que s\u00e3o bons costumes no artigo 187?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os bons costumes constituem outro limite expressamente mencionado pelo C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conceito n\u00e3o deve ser interpretado simplesmente como a prefer\u00eancia pessoal de uma determinada pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de um padr\u00e3o jur\u00eddico relacionado aos valores e comportamentos considerados compat\u00edveis com o ordenamento e com a conviv\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, mesmo que determinada pessoa esteja formalmente exercendo um direito, esse exerc\u00edcio n\u00e3o pode ultrapassar manifestamente os limites impostos pelos bons costumes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Novamente, a an\u00e1lise depender\u00e1 das circunst\u00e2ncias concretas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exemplo de aplica\u00e7\u00e3o do artigo 187 do CC<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine que uma loja suspeite legitimamente de uma irregularidade praticada por um cliente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estabelecimento possui direito de proteger seu patrim\u00f4nio e adotar medidas de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, existe diferen\u00e7a entre realizar uma abordagem prudente e submeter uma pessoa a exposi\u00e7\u00e3o ou constrangimento excessivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em decis\u00e3o recente, o STJ aplicou justamente essa l\u00f3gica ao analisar os limites da seguran\u00e7a privada de estabelecimento comercial. O tribunal destacou que uma abordagem que ultrapasse os limites da prud\u00eancia e do respeito, ocasionando exposi\u00e7\u00e3o, constrangimento ou agress\u00e3o ao consumidor, pode ser considerada excessiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exemplo demonstra claramente a l\u00f3gica do artigo 187:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">o direito pode existir, mas <strong>seu exerc\u00edcio possui limites<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Artigo 187 do CC e cobran\u00e7a de d\u00edvida<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cobran\u00e7a de d\u00edvidas \u00e9 outro exemplo did\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O credor possui direito de buscar o recebimento de uma obriga\u00e7\u00e3o leg\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode utilizar os instrumentos jur\u00eddicos permitidos para cobrar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa, entretanto, possuir autoriza\u00e7\u00e3o para praticar atos abusivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dependendo da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, inclusive, outras legisla\u00e7\u00f5es podem estabelecer prote\u00e7\u00f5es adicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas rela\u00e7\u00f5es de consumo, por exemplo, tamb\u00e9m existem normas espec\u00edficas no C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, a exist\u00eancia da d\u00edvida n\u00e3o autoriza automaticamente qualquer m\u00e9todo de cobran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Artigo 187 do CC e contratos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo 187 possui grande import\u00e2ncia no Direito Contratual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um contrato concede direitos e imp\u00f5e obriga\u00e7\u00f5es \u00e0s partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, possuir determinada cl\u00e1usula favor\u00e1vel n\u00e3o significa necessariamente que ela possa ser exercida de maneira abusiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine um contrato que permita determinada decis\u00e3o em circunst\u00e2ncias espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se uma das partes utiliza essa faculdade de forma incompat\u00edvel com a boa-f\u00e9, com a finalidade do contrato ou com as leg\u00edtimas expectativas criadas durante a rela\u00e7\u00e3o, pode existir discuss\u00e3o judicial sobre abuso de direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a interpreta\u00e7\u00e3o contratual n\u00e3o depende somente de ler isoladamente uma cl\u00e1usula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 necess\u00e1rio considerar o conjunto da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Artigo 187 e boa-f\u00e9 objetiva nos contratos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio C\u00f3digo Civil refor\u00e7a a import\u00e2ncia da boa-f\u00e9 em mat\u00e9ria contratual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo 422 determina que os contratantes devem guardar, tanto na conclus\u00e3o quanto na execu\u00e7\u00e3o do contrato, os princ\u00edpios de probidade e boa-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, os artigos 187 e 422 podem dialogar em controv\u00e9rsias contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o artigo 187 estabelece a boa-f\u00e9 como um dos limites ao exerc\u00edcio dos direitos, o artigo 422 determina sua observ\u00e2ncia nas rela\u00e7\u00f5es contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa combina\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para compreender por que o contrato n\u00e3o deve ser interpretado apenas como uma lista de permiss\u00f5es literais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Diferen\u00e7a entre artigo 186 e artigo 187 do C\u00f3digo Civil<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9 uma d\u00favida bastante comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dois dispositivos tratam de atos il\u00edcitos, mas possuem estruturas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>artigo 186<\/strong> estabelece, em s\u00edntese, que pratica ato il\u00edcito aquele que, mediante a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o volunt\u00e1ria, neglig\u00eancia ou imprud\u00eancia, viola direito e causa dano a outra pessoa, inclusive dano exclusivamente moral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>artigo 187<\/strong> trata do abuso de direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nele, uma pessoa possui um direito, mas o exerce manifestamente al\u00e9m dos limites impostos por sua finalidade econ\u00f4mica ou social, pela boa-f\u00e9 ou pelos bons costumes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma forma simplificada de lembrar \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Art. 186 \u2192 viola\u00e7\u00e3o de direito e dano.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Art. 187 \u2192 exerc\u00edcio abusivo de um direito existente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dispositivos podem aparecer conjuntamente em a\u00e7\u00f5es de responsabilidade civil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Artigo 187 do CC gera indeniza\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode gerar, mas \u00e9 necess\u00e1rio analisar os requisitos da responsabilidade civil no caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo 927 do C\u00f3digo Civil estabelece que aquele que causar dano a outra pessoa por ato il\u00edcito, fazendo refer\u00eancia aos artigos 186 e 187, fica obrigado a repar\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, existe uma liga\u00e7\u00e3o direta entre:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">abuso de direito;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ato il\u00edcito;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">dano;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">responsabilidade civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa que mencionar o artigo 187 automaticamente garanta uma indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 necess\u00e1rio demonstrar juridicamente os elementos pertinentes ao caso, inclusive o dano e sua rela\u00e7\u00e3o com a conduta quando se pretende obter repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Abuso de direito precisa causar dano?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante separar dois conceitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo 187 caracteriza como il\u00edcito o exerc\u00edcio manifestamente abusivo de um direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 a pretens\u00e3o de obter indeniza\u00e7\u00e3o envolve tamb\u00e9m as regras da responsabilidade civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, uma coisa \u00e9 identificar o abuso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra \u00e9 estabelecer quais consequ\u00eancias jur\u00eddicas decorrer\u00e3o dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o abuso provoca dano indeniz\u00e1vel, o artigo 927 torna especialmente importante a conex\u00e3o entre o ato il\u00edcito e o dever de reparar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio STJ relaciona os artigos 187 e 927 ao examinar pedidos de responsabilidade civil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c9 preciso provar inten\u00e7\u00e3o de prejudicar?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o necessariamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 um ponto muito importante sobre o artigo 187.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A jurisprud\u00eancia do STJ reconhece uma <strong>concep\u00e7\u00e3o objetiva do abuso de direito<\/strong>. Em precedente da Corte, foi destacado que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio um elemento subjetivo espec\u00edfico, como inten\u00e7\u00e3o deliberada de prejudicar, para que se reconhe\u00e7a o abuso; o foco est\u00e1 no excesso manifesto no exerc\u00edcio do direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso diferencia o instituto de uma an\u00e1lise baseada exclusivamente na inten\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica do agente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em termos simples:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a pessoa n\u00e3o precisa necessariamente admitir que queria prejudicar algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma como o direito foi exercido e seus limites objetivos tamb\u00e9m s\u00e3o analisados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exerc\u00edcio regular de direito \u00e9 ato il\u00edcito?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em princ\u00edpio, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo 188 do C\u00f3digo Civil determina que n\u00e3o constituem atos il\u00edcitos os atos praticados em leg\u00edtima defesa ou no <strong>exerc\u00edcio regular de um direito reconhecido<\/strong>, dentro das condi\u00e7\u00f5es previstas pela legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso ajuda a compreender ainda melhor o artigo 187.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe uma diferen\u00e7a entre:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>exerc\u00edcio regular de direito<\/strong> \u2192 protegido pelo ordenamento;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>exerc\u00edcio abusivo de direito<\/strong> \u2192 pode configurar ato il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, o problema n\u00e3o \u00e9 exercer direitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema \u00e9 ultrapassar manifestamente seus limites.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Artigo 187 pode ser aplicado ao direito de a\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O direito de acesso \u00e0 Justi\u00e7a \u00e9 fundamental, mas isso n\u00e3o significa que o processo judicial possa ser utilizado abusivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STJ j\u00e1 analisou casos envolvendo <strong>abuso do direito de a\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um caso destacado pela pr\u00f3pria Corte, sucessivas demandas consideradas sem fundamento relevante foram utilizadas em uma longa disputa patrimonial. O STJ reconheceu que o conjunto das condutas poderia caracterizar abuso do direito de acesso \u00e0 Justi\u00e7a e gerar dever de indenizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa que perder uma a\u00e7\u00e3o seja abuso de direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pessoa pode procurar legitimamente o Judici\u00e1rio e n\u00e3o conseguir provar sua pretens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O abuso exige circunst\u00e2ncias adicionais que demonstrem o exerc\u00edcio manifestamente excessivo da posi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entrar com processo e perder caracteriza abuso de direito?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o automaticamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse ponto merece aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O simples fato de uma pessoa entrar com uma a\u00e7\u00e3o e posteriormente perder n\u00e3o significa que ela tenha abusado do direito de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acesso ao Judici\u00e1rio \u00e9 um direito fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema pode surgir quando as circunst\u00e2ncias demonstram utiliza\u00e7\u00e3o abusiva do processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso analisado pelo STJ sobre abuso do direito de a\u00e7\u00e3o, por exemplo, a Corte considerou um conjunto de sucessivas demandas e condutas processuais, e n\u00e3o simplesmente o fato de uma parte ter ajuizado uma a\u00e7\u00e3o que acabou rejeitada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, cada situa\u00e7\u00e3o precisa ser analisada individualmente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Abuso de direito nas rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo 187 tamb\u00e9m pode ser relevante em conflitos entre vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O propriet\u00e1rio possui diversos poderes sobre seu im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, propriedade n\u00e3o significa liberdade absoluta para fazer qualquer coisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio C\u00f3digo Civil estabelece regras espec\u00edficas relacionadas ao direito de vizinhan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine algu\u00e9m que pratique determinado ato dentro de sua propriedade exclusivamente para causar transtornos ao im\u00f3vel vizinho, extrapolando os limites normais de utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dependendo das circunst\u00e2ncias e das demais normas aplic\u00e1veis, pode existir discuss\u00e3o envolvendo abuso de direito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Abuso de direito nas rela\u00e7\u00f5es empresariais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Empresas tamb\u00e9m est\u00e3o sujeitas ao artigo 187.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma sociedade pode possuir direitos previstos contratualmente e ainda assim precisar exerc\u00ea-los observando:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">boa-f\u00e9;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">finalidade econ\u00f4mica e social;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">bons costumes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STJ j\u00e1 utilizou o artigo 187 para analisar, por exemplo, se o exerc\u00edcio de prerrogativa contratual por institui\u00e7\u00e3o financeira ultrapassou os limites do exerc\u00edcio regular de direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, o dispositivo n\u00e3o se restringe a conflitos entre pessoas f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele possui aplica\u00e7\u00e3o ampla no Direito Privado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Artigo 187 do CC e dano moral<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O abuso de direito pode estar relacionado a pedidos de indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral quando a conduta abusiva efetivamente provocar dano dessa natureza e estiverem presentes os requisitos jur\u00eddicos necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, n\u00e3o se deve concluir que qualquer descumprimento ou excesso gera automaticamente dano moral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exist\u00eancia do dano precisa ser analisada conforme as circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O C\u00f3digo Civil reconhece expressamente que atos il\u00edcitos podem produzir consequ\u00eancias indenizat\u00f3rias, e o artigo 927 conecta os atos il\u00edcitos dos artigos 186 e 187 ao dever de repara\u00e7\u00e3o quando houver dano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como provar abuso de direito?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prova depende da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um conflito contratual, podem ser relevantes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">contratos;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">e-mails;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">mensagens;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">notifica\u00e7\u00f5es;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">comprovantes;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">documentos;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">testemunhas;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">registros de atendimento;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">grava\u00e7\u00f5es obtidas de maneira l\u00edcita;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">hist\u00f3rico de comportamento entre as partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo ser\u00e1 demonstrar n\u00e3o apenas que determinado direito foi exercido, mas que houve <strong>excesso manifesto<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a an\u00e1lise jur\u00eddica normalmente depende muito dos fatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas situa\u00e7\u00f5es aparentemente semelhantes podem produzir resultados diferentes porque o contexto e as provas s\u00e3o diferentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Artigo 187 do C\u00f3digo Civil \u00e9 uma cl\u00e1usula geral?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dispositivo possui reda\u00e7\u00e3o aberta e utiliza conceitos que precisam ser concretizados conforme as circunst\u00e2ncias, como:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">boa-f\u00e9;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">bons costumes;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">fim econ\u00f4mico;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">fim social;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">excesso manifesto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa estrutura permite que a norma seja aplicada a situa\u00e7\u00f5es muito diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STJ j\u00e1 tratou o artigo 187 como importante instrumento para o reconhecimento do abuso de posi\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas e destacou sua conex\u00e3o com padr\u00f5es de boa-f\u00e9 objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso explica por que o artigo aparece em controv\u00e9rsias t\u00e3o variadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exemplos simples do artigo 187 do CC<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para facilitar a compreens\u00e3o, pense nestas situa\u00e7\u00f5es hipot\u00e9ticas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cobran\u00e7a:<\/strong> o credor possui direito de cobrar, mas utiliza m\u00e9todos manifestamente abusivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Contrato:<\/strong> uma parte possui determinada prerrogativa contratual, mas a utiliza de maneira incompat\u00edvel com a boa-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Propriedade:<\/strong> o propriet\u00e1rio exerce suas faculdades sobre o im\u00f3vel de maneira abusiva e prejudicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Processo judicial:<\/strong> algu\u00e9m utiliza sucessivamente instrumentos processuais n\u00e3o para proteger legitimamente um direito, mas de maneira abusiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Seguran\u00e7a de estabelecimento:<\/strong> a empresa possui direito de proteger seu patrim\u00f4nio, mas realiza abordagem excessivamente constrangedora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em todos esses exemplos existe uma ideia comum:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>o direito existe, mas o modo de exerc\u00ea-lo pode ultrapassar os limites permitidos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 a import\u00e2ncia do artigo 187 do C\u00f3digo Civil?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo 187 impede uma interpreta\u00e7\u00e3o excessivamente individualista dos direitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem essa regra, algu\u00e9m poderia argumentar:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu tinha direito de fazer isso, ent\u00e3o n\u00e3o importa como fiz.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O C\u00f3digo Civil n\u00e3o adota essa l\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exerc\u00edcio de um direito precisa respeitar limites jur\u00eddicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Boa-f\u00e9, fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ou social e bons costumes funcionam como par\u00e2metros para avaliar o comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, o dispositivo protege o equil\u00edbrio das rela\u00e7\u00f5es privadas e impede que um direito leg\u00edtimo seja transformado em instrumento de abuso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>artigo 187 do CC<\/strong> estabelece uma das principais regras sobre <strong>abuso de direito<\/strong> no ordenamento civil brasileiro. De acordo com o C\u00f3digo Civil, tamb\u00e9m pratica ato il\u00edcito quem possui determinado direito, mas, ao exerc\u00ea-lo, ultrapassa manifestamente os limites relacionados \u00e0 sua finalidade econ\u00f4mica ou social, \u00e0 boa-f\u00e9 ou aos bons costumes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regra demonstra que nenhum direito deve ser analisado de forma absolutamente isolada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cobrar uma d\u00edvida, exercer uma prerrogativa contratual, proteger um patrim\u00f4nio ou recorrer ao Poder Judici\u00e1rio podem ser comportamentos perfeitamente leg\u00edtimos. Entretanto, a maneira como esses direitos s\u00e3o exercidos tamb\u00e9m importa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando existe excesso manifesto, pode surgir o abuso de direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, quando o ato il\u00edcito previsto nos artigos 186 ou 187 causa dano, o artigo 927 do C\u00f3digo Civil estabelece o dever de repara\u00e7\u00e3o, observados os requisitos aplic\u00e1veis ao caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a ideia central do artigo 187 pode ser resumida em uma frase: <strong>ter um direito n\u00e3o autoriza seu exerc\u00edcio abusivo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fontes<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u2014 C\u00f3digo Civil, Lei n\u00ba 10.406\/2002, especialmente artigos 186, 187, 188, 422 e 927.<\/li>\n\n\n\n<li>Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u2014 jurisprud\u00eancia sobre abuso de direito e aplica\u00e7\u00e3o do artigo 187 do C\u00f3digo Civil.<\/li>\n\n\n\n<li>Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u2014 entendimento sobre abuso do direito de a\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n&#8220;`html\n\n<div class=\"wp-block-group toexceed-course-cta has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n\n    \n    <div class=\"toexceed-course-cta__glow toexceed-course-cta__glow--one\"><\/div>\n    <div class=\"toexceed-course-cta__glow toexceed-course-cta__glow--two\"><\/div>\n    \n\n    \n    <div class=\"wp-block-columns are-vertically-aligned-center toexceed-course-cta__container is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-80868740 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n\n        \n        <div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center toexceed-course-cta__content is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:60%\">\n\n            \n            <p class=\"toexceed-course-cta__tag wp-block-paragraph\">\n                Ingl\u00eas pr\u00e1tico para o mercado de trabalho\n            <\/p>\n            \n\n            \n            <h2 class=\"wp-block-heading toexceed-course-cta__title\">\n                Aprenda Ingl\u00eas para o Trabalho e\n                <mark>se comunique com confian\u00e7a<\/mark>\n            <\/h2>\n            \n\n            \n            <p class=\"toexceed-course-cta__description wp-block-paragraph\">\n                Um treinamento pr\u00e1tico para quem precisa usar ingl\u00eas no ambiente profissional. Aprenda a se comunicar em situa\u00e7\u00f5es reais do trabalho e prepare-se para novas oportunidades na carreira.\n            <\/p>\n            \n\n            \n            <ul class=\"toexceed-course-cta__benefits wp-block-list\">\n\n                \n                <li>Aprenda a escrever, responder e trocar e-mails profissionais em ingl\u00eas<\/li>\n                \n\n                \n                <li>Prepare-se para entrevistas de emprego e processos seletivos em ingl\u00eas<\/li>\n                \n\n                \n                <li>Pratique ingl\u00eas para liga\u00e7\u00f5es, reuni\u00f5es, documentos e situa\u00e7\u00f5es reais do trabalho<\/li>\n                \n\n            <\/ul>\n            \n\n            \n            <div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n\n                \n                <div class=\"wp-block-button toexceed-course-cta__button\">\n                    <a\n                        class=\"wp-block-button__link wp-element-button\"\n                        href=\"https:\/\/toexceed.com.br\/ingles-para-profissionais.html\"\n                        target=\"_blank\"\n                        rel=\"noopener noreferrer\"\n                    >\n                        Conhecer o curso <span aria-hidden=\"true\">\u2192<\/span>\n                    <\/a>\n                <\/div>\n                \n\n            <\/div>\n            \n\n        <\/div>\n        \n\n        \n        <div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center toexceed-course-cta__image-wrapper is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:40%\">\n\n            \n            <figure class=\"wp-block-image size-full toexceed-course-cta__image\">\n                <img decoding=\"async\"\n                    src=\"https:\/\/toexceed.com.br\/img\/insideapp\/3.png\"\n                    alt=\"Curso de Ingl\u00eas para Profissionais da Toexceed\"\n                    loading=\"lazy\"\n                >\n            <\/figure>\n            \n\n        <\/div>\n        \n\n    <\/div>\n    \n\n<\/div>\n\n&#8220;`","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo 187 do CC (C\u00f3digo Civil) trata do chamado abuso de direito. 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