Como documentar e controlar estoque importado no ERP ou planilha

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Documentar e controlar o estoque de produtos importados é uma etapa crítica para a saúde financeira de qualquer empresa. Um controle preciso evita perdas, garante a conformidade fiscal e oferece uma visão clara do custo real de cada produto, o que é fundamental para a precificação.

Aqui está um guia de como fazer isso, seja em um sistema ERP ou em uma planilha.


1. Entenda e Calcule o Custo de Aquisição (“Landed Cost”)

O primeiro passo é calcular o custo total do produto até ele estar disponível para venda. Esse custo não é apenas o preço da mercadoria, mas a soma de todas as despesas incorridas na importação.

  • Preço da mercadoria (Invoice): O valor do produto pago ao fornecedor.
  • Frete internacional: O custo do transporte, que pode ser aéreo ou marítimo.
  • Seguro de carga: O custo para proteger a mercadoria durante o transporte.
  • Impostos federais e estaduais: IPI, PIS, Cofins e ICMS. Esses impostos incidem sobre o valor da mercadoria somado a frete e seguro.
  • Taxas e Despesas aduaneiras: Despesas com o despachante aduaneiro, armazenagem, capatazia (manuseio da carga no porto) e transporte do porto até o seu armazém.

Para controlar esses custos, você deve criar uma planilha de landed cost para cada importação. Desse modo, essa planilha irá somar todas essas despesas e dividir pelo número de unidades da sua importação. O resultado é o seu custo por unidade, que será o valor de entrada no estoque.


2. Documentação para o Registro

Após o desembaraço aduaneiro, você terá documentos que servirão como base para o registro no estoque.

  • Nota Fiscal de Entrada: Ao nacionalizar a mercadoria, é fundamental que a empresa emita uma nota fiscal de entrada. Ela servirá para formalizar a entrada dos produtos no seu estoque e validar a sua operação.
  • NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul): Todos os produtos devem ser classificados com a NCM correta. O seu despachante aduaneiro é responsável por essa classificação.
  • Declaração de Importação (DI): Este documento detalha a mercadoria, impostos, despesas e o regime de importação. Desse modo, é a prova oficial da sua importação.
  • Fatura Comercial (Commercial Invoice): A fatura comercial é o documento fiscal emitido pelo exportador no país de origem.

3. Registro no Sistema (ERP ou Planilha)

Com a documentação em mãos, o registro do estoque pode ser feito.

Se você usa um ERP:

A maioria dos ERPs têm um módulo específico para importação. A sua empresa deve lançar a Nota Fiscal de Entrada. No momento do lançamento, o sistema irá criar um novo lote de estoque com o custo unitário do landed cost, a NCM, a data de entrada e outras informações relevantes da DI.

Dica: Use o número da Declaração de Importação como referência no ERP. Além disso, crie um campo personalizado para o número do contêiner ou do conhecimento de embarque para facilitar a rastreabilidade.

Se você usa uma Planilha:

Crie uma tabela com as seguintes colunas para cada produto:

ColunaDescrição
Código do ProdutoO código interno do seu produto.
DescriçãoNome do produto.
Data de EntradaA data da entrada da Nota Fiscal no seu sistema.
NCMA Nomenclatura Comum do Mercosul.
Número da DIO número da Declaração de Importação.
FornecedorNome do fornecedor no exterior.
Custo Unitário (Landed Cost)O custo de aquisição do produto.
QuantidadeO número de unidades recebidas.
Valor TotalO valor total do lote de importação.
Local de ArmazenagemO local no seu armazém onde o produto foi guardado.

4. Controle Contínuo

O controle de estoque é um processo contínuo.

  • Movimentação: Todas as saídas (vendas) e entradas (devoluções) de estoque devem ser registradas, preferencialmente por um código de barras.
  • Inventário: A sua empresa deve fazer um inventário físico periodicamente para garantir que o estoque físico seja consistente com o registro no sistema.
  • Gestão de Lotes: Se você importa produtos com validade (alimentos, cosméticos), é vital controlar o lote de cada importação. Além disso, o sistema deve te ajudar a vender o lote mais antigo primeiro (FIFO – First In, First Out).

Um bom controle de estoque, em suma, é um controle financeiro. Desse modo, com um bom planejamento, você poderá evitar desperdícios e otimizar o seu fluxo de caixa.

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