No cenário do comércio exterior brasileiro em 2026, a transparência na composição de custos é um dos pilares para o sucesso das operações de importação e exportação. Com a digitalização total via DUIMP, cada valor declarado precisa estar devidamente justificado. O agente de cargas (ou freight forwarder) atua como um consolidador de serviços e, por isso, sua fatura pode conter diversas rubricas que muitas vezes confundem o profissional de comex. Para começar, é fundamental entender que as taxas cobradas pelo agente de cargas são divididas entre custos na origem, o frete internacional e as taxas de destino. Portanto, dominar esses conceitos é vital para garantir que sua planilha de custos reflita a realidade financeira da operação.
Taxas de Documentação e Emissão
Para começar, existem as taxas relacionadas à burocracia documental necessária para que a carga possa circular internacionalmente. Em 2026, embora muitos documentos sejam digitais, as taxas de gestão e transmissão de dados continuam vigentes.
- B/L Fee (ou AWB Fee): Taxa cobrada pela emissão do Conhecimento de Carga (marítimo ou aéreo). É o documento que prova a posse da mercadoria.
- AMS / ACI / ENS: Taxas de transmissão de dados para sistemas de segurança alfandegária de países como EUA, China e União Europeia.
- Certificate of Origin Fee: Cobrada quando o agente auxilia na tramitação de certificados de origem para fins de benefícios fiscais.
Taxas de Movimentação e Operação (THC e Capatazia)
Em primeiro lugar, o gestor de comex deve estar atento ao THC (Terminal Handling Charge), também conhecido no Brasil como capatazia. Esta é uma das principais taxas cobradas pelo agente de cargas e refere-se à movimentação física da mercadoria dentro do terminal portuário ou aeroportuário.
Além do THC, outras taxas operacionais comuns em 2026 incluem:
- Pick-up / Delivery: Custo do transporte rodoviário (inland) da fábrica até o porto ou vice-versa.
- Handling Fee: Taxa administrativa do agente de cargas pela coordenação e acompanhamento do processo.
- VGM (Verified Gross Mass): Taxa pela pesagem e certificação do peso bruto do contêiner, exigência de segurança marítima.
Sobretaxas de Frete Internacional (Surcharges)
As sobretaxas são valores variáveis que protegem o transportador contra flutuações de mercado. No ano de 2026, com a volatilidade dos preços de energia e câmbio, essas taxas são revisadas frequentemente.
- BAF (Bunker Adjustment Factor): Ajuste de combustível. Reflete o preço do petróleo no mercado internacional.
- CAF (Currency Adjustment Factor): Ajuste cambial para proteger contra a desvalorização da moeda em relação ao dólar.
- GRI (General Rate Increase): Aumento geral de tarifas aplicado pelos armadores em épocas de alta demanda (Peak Season).
Tabela: Resumo das Taxas Frequentes em 2026
Abaixo, organizamos uma tabela comparativa para ajudar na conferência do seu próximo orçamento logístico:
| Sigla / Nome | Categoria | Descrição Breve |
| B/L Fee | Documental | Emissão do título de transporte internacional. |
| THC | Operacional | Movimentação da carga no terminal. |
| BAF | Sobretaxa | Correção baseada no custo do combustível. |
| Handling | Serviço | Taxa de agenciamento e coordenação. |
| Storage | Destino | Armazenagem (se a carga não for liberada no prazo). |
Portanto, ao analisar uma cotação, certifique-se de que todas essas taxas estão descriminadas. Consequentemente, o domínio sobre as taxas cobradas pelo agente de cargas permite uma negociação mais assertiva e evita surpresas no fechamento do processo. Além do mais, a correta alocação desses valores é essencial para o cálculo do Valor Aduaneiro na sua DUIMP.
Conclusão: Planejamento é a Chave
Finalmente, vale ressaltar que a economia no frete base pode ser anulada por taxas acessórias elevadas se não houver uma análise criteriosa. Por fim, em 2026, a excelência operacional é alcançada através do conhecimento técnico e da transparência com os parceiros logísticos.
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