A gestão de regimes aduaneiros especiais — como Drawback, Admissão Temporária, Entreposto e Recof-Sped — exige um monitoramento rigoroso do fluxo de mercadorias. O controle de saldo é o processo de rastrear cada item importado com suspensão ou isenção de tributos, garantindo que sua destinação final (exportação, consumo ou nacionalização) seja comprovada perante a Receita Federal. Em 2026, com a digitalização plena dos processos, qualquer inconsistência documental pode disparar alertas automáticos nos sistemas de fiscalização.
Documentos de Admissão (Entrada no Regime)
O controle de saldo começa no registro da entrada. É neste momento que o bem é vinculado a um ato concessório ou a uma licença específica. Os documentos fundamentais são:
- DUIMP ou DI: O documento mestre que formaliza a entrada no regime. Deve conter as notas explicativas e o enquadramento correto do benefício.
- Commercial Invoice: Fornece a descrição técnica e o valor aduaneiro, servindo como base para o controle quantitativo e financeiro do saldo.
- Packing List: Essencial para o controle físico, permitindo a conferência de volumes e lotes específicos que serão baixados posteriormente.
- Li (Licença de Importação) / LPCO: Documentos que autorizam a entrada de mercadorias com anuência de órgãos como o MAPA ou a ANVISA, vinculando-as ao regime especial.
Documentos de Baixa (Saída ou Extinção do Saldo)
Para “dar baixa” no saldo e consolidar o benefício tributário, o importador deve comprovar que a mercadoria teve o destino previsto em lei. Os documentos variam conforme a forma de extinção:
- DU-E (Declaração Única de Exportação): Comprova que o produto (ou o insumo transformado) saiu do país. É a principal via de baixa no regime de Drawback.
- Notas Fiscais de Saída/Consumo: No caso de insumos utilizados na produção, as notas fiscais com CFOPs específicos de exportação indireta ou consumo industrial são vitais para o controle de estoque.
- Laudos de Perdas Técnicas: Documentam que parte do saldo foi consumida ou perdida inerentemente ao processo produtivo, justificando a redução do saldo sem a necessidade de exportação física do que foi “perdido”.
- DUIMP de Nacionalização: Utilizada quando o bem, inicialmente em regime suspensivo (como Entreposto), é nacionalizado para consumo interno após o pagamento dos tributos.
Auditoria e Gestão de Inventário
As empresas devem manter sistemas que integrem os dados do Siscomex com o seu ERP. Em 2026, o controle é feito em tempo real, exigindo relatórios de conformidade constantes.
| Documento de Controle | Finalidade Principal | Frequência de Verificação |
| Relatório de Ato Concessório | Monitorar o limite de compras vs. exportações realizadas. | Mensal |
| Dossiê Digital de Atendimento | Centralizar as provas de baixa para fiscalizações futuras. | Por Operação |
| Livro de Registro de Inventário | Confrontar o estoque físico com o saldo fiscal declarado. | Trimestral |
Dicas para Evitar Inconsistências
O descumprimento do controle de saldo pode levar ao cancelamento do regime e à exigência dos impostos com multas de até 75%. Para evitar isso:
- Mantenha os laudos técnicos atualizados: Certifique-se de que o coeficiente de rendimento (o quanto de insumo vai em cada produto final) reflete a realidade da fábrica.
- Verifique a validade dos prazos: Regimes como Admissão Temporária possuem prazos fatais. A documentação de prorrogação deve ser protocolada antes do vencimento.
- Padronize as descrições: A descrição do item na importação deve ser idêntica ou rastreável na documentação de exportação para evitar dúvidas sobre a identidade do bem.
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