O que é classificação de risco na parametrização e como funciona  

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A classificação de risco na parametrização é a etapa crucial do despacho aduaneiro onde a Receita Federal do Brasil (RFB) avalia o nível de risco de uma operação de comércio exterior. Com base nessa análise, o sistema determina o tipo de conferência aduaneira que a mercadoria e sua documentação irão receber. Isso, por sua vez, impacta diretamente a agilidade da liberação da carga.

É importante ressaltar que a Receita Federal, por meio de sistemas inteligentes e automação, busca equilibrar a facilitação do comércio com a fiscalização eficaz.


O Que É a Classificação de Risco na Parametrização?

A classificação de risco é um processo automatizado e contínuo. Ela acontece quando a Declaração de Importação (DI) ou a Declaração Única de Importação (DUIMP) é registrada no Siscomex (ou Portal Único de Comércio Exterior). O sistema da Receita Federal aplica um conjunto complexo de critérios e algoritmos para atribuir um perfil de risco a cada operação.

Por que existe a classificação de risco?

A Receita Federal não consegue fiscalizar 100% das cargas que entram e saem do país. Desse modo, a classificação de risco permite:

  • Otimizar Recursos: Direcionar os esforços de fiscalização (e os Auditores-Fiscais) para as operações que apresentam maior potencial de irregularidade, fraude ou risco à segurança.
  • Agilizar Operações de Baixo Risco: Liberar rapidamente as cargas que não representam ameaça, reduzindo custos e prazos para empresas que operam em conformidade.
  • Combater Fraudes: Identificar padrões de comportamento e informações que podem indicar contrabando, descaminho, subfaturamento, falsificação ou outros ilícitos.

Como Funciona a Classificação de Risco na Parametrização

O processo de classificação de risco ocorre de forma eletrônica e resulta no direcionamento da operação para um dos canais de fiscalização, que são identificados por cores.

Fatores Analisados pelo Sistema de Risco:

O algoritmo da Receita Federal leva em consideração uma vasta gama de informações e históricos para atribuir o nível de risco. Por exemplo, ele pode analisar:

  • Dados do Importador/Exportador:
    • Histórico de Conformidade: Se a empresa possui um bom histórico de cumprimento da legislação aduaneira e tributária em operações anteriores. Empresas certificadas como Operador Econômico Autorizado (OEA), por exemplo, são consideradas de baixo risco e têm tratamento prioritário.
    • Regularidade Fiscal: Se o importador/exportador está em dia com suas obrigações tributárias.
    • Capacidade Financeira e Operacional: Se o volume e o valor da operação são compatíveis com o perfil da empresa.
    • Ocorrências Anteriores: Registros de multas, retenções ou fraudes passadas.
  • Dados da Mercadoria:
    • NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul): Algumas NCMs são naturalmente de maior risco (por exemplo, produtos sensíveis, sujeitos a controles específicos, com histórico de fraude).
    • Natureza, Volume e Valor: Produtos de alto valor, grandes volumes, ou tipos de mercadoria que exigem atenção especial (ex: alimentos, medicamentos, químicos).
    • Tratamento Tributário: Se há uso de regimes aduaneiros especiais (como Drawback ou Ex-Tarifário), o sistema verifica a adequação.
  • Dados da Operação:
    • País de Origem e Procedência: Alguns países ou rotas podem ser considerados de maior risco.
    • Finalidade da Importação/Exportação: Se é para revenda, uso próprio, amostra, etc.
    • Consistência Documental: Se os dados na DI/DUIMP batem com os da Fatura Comercial, Packing List e Conhecimento de Embarque.

Os Canais de Parametrização (resultado da classificação de risco):

Após a análise de risco, a declaração é parametrizada e direcionada para um dos seguintes canais:

  1. Canal Verde (Baixo Risco):
    • Significado: A operação apresenta baixo risco. O sistema libera a mercadoria automaticamente.
    • Funcionamento: Não há conferência documental nem física. O importador paga os tributos e pode retirar a carga.
    • Impacto: É o mais rápido e desejado, com liberação quase imediata.
  2. Canal Amarelo (Médio Risco – Exame Documental):
    • Significado: Há indícios de risco que exigem uma verificação mais aprofundada dos documentos.
    • Funcionamento: Um Auditor-Fiscal analisa a DI/DUIMP e todos os documentos instrutivos. Não há verificação física da mercadoria.
    • Impacto: Mais lento que o Canal Verde, porém mais rápido que os canais Vermelho e Cinza.
  3. Canal Vermelho (Alto Risco – Exame Documental e Físico):
    • Significado: A operação apresenta alto risco. Há necessidade de análise documental e inspeção física da mercadoria.
    • Funcionamento: O Auditor-Fiscal examina os documentos e, adicionalmente, inspeciona a carga fisicamente no recinto alfandegado. Verifica quantidade, peso, NCM, descrição, etc.
    • Impacto: Gera atrasos significativos e custos adicionais com armazenagem, e pode resultar em multas se houver irregularidades.
  4. Canal Cinza (Indícios de Fraude – Exame Documental, Físico e Procedimento Especial):
    • Significado: Há fortes indícios de fraude, como subfaturamento ou interposição fraudulenta de terceiros (ocultação do real importador).
    • Funcionamento: Além do exame documental e físico, é aplicado um procedimento especial de controle aduaneiro. Isso pode incluir investigação aprofundada sobre a valoração, o importador, o exportador e os demais intervenientes.
    • Impacto: É o canal mais demorado e oneroso. A carga pode ficar retida por longos períodos (até 180 dias ou mais), e a fraude comprovada pode levar à aplicação de multas severas e à pena de perdimento da mercadoria.

Ações para Otimizar a Parametrização:

Para aumentar as chances de cair nos canais mais ágeis e evitar problemas, as empresas devem focar em:

  • Conformidade Fiscal e Aduaneira: Manter a regularidade fiscal da empresa.
  • Documentação Impecável: Garantir que todos os documentos estejam corretos, completos e consistentes.
  • NCM e Valoração Corretas: Classificar a mercadoria de forma exata e declarar o valor real da transação.
  • Transparência: Operar com total clareza e sem indícios de ocultação de informações.
  • Certificação OEA: Buscar a certificação de Operador Econômico Autorizado, que confere benefícios na parametrização.
  • Parceria com Despachante Aduaneiro: Trabalhar com um despachante experiente e confiável é crucial para garantir a conformidade e a gestão eficaz em caso de parametrização em canais mais rigorosos.

A classificação de risco na parametrização é um mecanismo essencial para a Receita Federal, mas também uma ferramenta que premia a conformidade e a transparência das operações no comércio exterior.


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