Erro na NCM: como corrigir e evitar autuações fiscais  

·

·

O erro na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é um dos problemas mais frequentes e custosos para empresas que atuam no comércio exterior e mesmo no mercado interno brasileiro. A NCM é um código de oito dígitos que identifica a mercadoria e, com base nela, são definidos impostos, licenças e controles. Um erro pode resultar em autuações fiscais, multas e atrasos na liberação da sua carga.


As Consequências de um Erro na NCM

As penalidades por uma classificação NCM incorreta são rigorosas:

  • Multa de 1% sobre o Valor Aduaneiro da Mercadoria: Esta é a multa mais comum pela incorreta classificação fiscal na Declaração de Importação (DI) ou Declaração Única de Importação (DUIMP). O valor mínimo da multa é de R$ 500,00 e o máximo pode chegar a 10% do valor total da DI.
  • Cobrança de Diferença de Impostos: Se a NCM correta implicar uma alíquota de Imposto de Importação (II), IPI, PIS/COFINS ou ICMS maior do que a paga, a Receita Federal cobrará a diferença, acrescida de juros e multa de ofício (que pode ser de 75% sobre o valor devido, ou até 150% em casos de fraude).
  • Atrasos no Desembaraço Aduaneiro: A mercadoria pode ser retida na alfândega para reclassificação e pagamento de multas/diferenças, gerando custos adicionais com armazenagem e, no caso de contêineres, com demurrage (sobrestadia).
  • Perda de Benefícios Fiscais: Uma NCM errada pode impedir o aproveitamento de regimes aduaneiros especiais (como Drawback ou Ex-Tarifário) ou de acordos comerciais que concedem redução tarifária, desfazendo a economia planejada.
  • Problemas com Órgãos Anuentes: Se a NCM correta exigir uma Licença de Importação (LI) ou LPCO de órgãos como ANVISA ou MAPA que não foi obtida, a carga pode ser impedida de entrar, devolvida ao exterior ou mesmo apreendida.
  • Inconsistências em Notas Fiscais: O erro na NCM também impacta as Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) emitidas no mercado interno, podendo gerar problemas com o Fisco Estadual.

Como Corrigir um Erro na NCM

A correção da NCM depende da fase em que o erro é identificado:

1. Antes do Registro da DI/DUIMP

  • Verificação Prévia: Se o erro for identificado na Fatura Comercial (Commercial Invoice) ou em outros documentos antes de registrar a declaração, a correção é mais simples. Basta solicitar ao exportador a emissão de uma Commercial Invoice retificada e/ou corrigir o registro interno nos seus sistemas.
  • Retificação Interna: Se você já preencheu a DI ou DUIMP, mas ainda não a registrou na Receita Federal, basta editar o campo da NCM no próprio sistema (SISCOMEX ou Portal Único).

2. Após o Registro da DI/DUIMP, mas Antes do Desembaraço

  • Retificação da DI/DUIMP: Você precisará solicitar a retificação da declaração para corrigir a NCM.
    • No SISCOMEX (para DI): É feito por meio da funcionalidade de retificação, onde o importador ou seu despachante aduaneiro altera o código. Em alguns casos, pode ser necessária a anuência da fiscalização.
    • No Portal Único (para DUIMP): Para alterar a NCM de um item na DUIMP, não é possível editar o código NCM diretamente no item. A Receita Federal trata a NCM como uma “chave primária” do produto no Catálogo de Produtos. Portanto, você deverá:
      1. Excluir o item com a NCM incorreta da DUIMP.
      2. Incluir um novo item na DUIMP com a NCM correta, já cadastrada previamente no seu Catálogo de Produtos.
      3. Outros dados do produto, como descrição ou fabricante, podem ser alterados diretamente na retificação, mas a NCM exige a exclusão e inclusão de um novo item.
  • Pagamento de Diferenças: Se a correção da NCM gerar diferença de impostos a pagar (para mais), o pagamento deverá ser efetuado antes da liberação da carga.
  • Exigências de Órgãos Anuentes: Se a nova NCM exigir LI/LPCO de algum órgão anuente que não foi obtido, você precisará providenciá-lo e aguardar a anuência.

3. Após o Desembaraço da Mercadoria

  • Denúncia Espontânea: Se você identificar o erro após a mercadoria ser desembaraçada, é crucial fazer a denúncia espontânea à Receita Federal o mais rápido possível. Isso pode ser feito via retificação da DI/DUIMP e pagamento da diferença de impostos. A denúncia espontânea (antes de qualquer procedimento fiscal de ofício) elimina a multa de ofício de 75% sobre a diferença de impostos, mas a multa de 1% sobre o valor aduaneiro ainda pode ser aplicada.
  • Fiscalização da RFB: Se a Receita Federal identificar o erro antes da sua denúncia espontânea, a autuação será inevitável, com todas as multas e acréscimos legais.

Como Evitar Autuações Fiscais por Erro na NCM

A prevenção é a melhor estratégia. Invista tempo e recursos para garantir a correta classificação desde o início.

  1. Conheça Profundamente o Produto:
    • Analise detalhadamente a composição, função, características técnicas, material predominante, processo de fabricação e utilização do seu produto. Essas informações são cruciais para a correta classificação.
  2. Utilize as Ferramentas Oficiais e Regras de Interpretação:
    • Sistema Classif da Receita Federal: A principal ferramenta online para consulta de NCM.
    • Tabela NCM e Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH): A NESH é o “manual” do SH, fornecendo detalhes e exemplos para cada posição e subposição.
    • Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI): São seis regras fundamentais que guiam a classificação quando o produto não se encaixa perfeitamente em uma descrição óbvia (ex: produtos mistos, kits, produtos incompletos).
    • Regras Gerais Complementares (RGC): Guiam a interpretação dos dois últimos dígitos da NCM.
  3. Mantenha seu Catálogo de Produtos Atualizado:
    • No contexto da DUIMP, o Catálogo de Produtos exige que você cadastre suas mercadorias com a NCM correta e todos os seus atributos (descrição, modelo, fabricante, etc.). Mantenha este catálogo sempre atualizado e preciso.
  4. Treine Sua Equipe:
    • Capacite sua equipe de compras, vendas e logística sobre a importância da NCM e os fundamentos da classificação fiscal.
  5. Conte com Suporte Especializado:
    • Despachante Aduaneiro: É um dos profissionais mais indicados para realizar a classificação fiscal. Ele tem o conhecimento e as ferramentas para isso, e é seu principal ponto de contato com a Receita Federal.
    • Consultoria Tributária/Aduaneira: Para empresas com grande volume de produtos ou complexidade na linha de produção, uma consultoria especializada pode auditar e otimizar as NCMs do seu portfólio.
  6. Faça uma Consulta Formal à Receita Federal:
    • Se, após esgotar todas as opções, a dúvida sobre a NCM de um produto persistir e o impacto fiscal for significativo, você pode formalizar uma Consulta sobre Classificação Fiscal de Mercadorias junto à Receita Federal. A resposta da RFB é vinculante e oferece segurança jurídica para sua classificação.
  7. Revise Periodicamente:
    • As regras da NCM e do SH são atualizadas (geralmente a cada 5 anos para o SH, e a NCM pode ter atualizações mais frequentes). Faça revisões periódicas das classificações dos seus produtos para garantir que continuam corretas.

Evitar erros na NCM é um investimento que se paga. Ao garantir a precisão da classificação fiscal, você não só evita multas e atrasos, mas também otimiza a carga tributária e assegura a conformidade legal de suas operações no comércio exterior.

Torne-se fluente no inglês e expert em comex em 4 meses

Único simulador que te deixa fluente no inglês e expert em comércio exterior ao mesmo tempo. Tudo isso em um simples e poderoso treinamento com 4 meses de duração.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *