Por que seu embarque pode ser retido na alfândega: causas comuns

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Ter um embarque retido na alfândega é uma das maiores preocupações de quem opera no comércio exterior. Esse tipo de problema gera atrasos significativos, custos adicionais e pode até inviabilizar a operação. A Receita Federal do Brasil (RFB) e outros órgãos anuentes realizam a fiscalização para garantir a conformidade e a segurança.

Vamos explorar as causas mais comuns para a retenção de um embarque e como evitá-las.


1. Documentação Incompleta ou Incorreta

Este é, de longe, o motivo mais frequente para um embarque ser retido. A Receita Federal exige que todos os documentos estejam perfeitos e consistentes entre si.

  • Causas Comuns:
    • Falta de Documentos: Ausência da Commercial Invoice (Fatura Comercial), Packing List (Romaneio de Carga), Conhecimento de Embarque (BL/AWB) ou de algum certificado específico (Certificado de Origem, sanitário, etc.).
    • Inconsistências: Dados que não batem entre os documentos (ex: descrição do produto diferente na Invoice e no BL, quantidade errada na Packing List).
    • Erros de Preenchimento: Digitação errada de números, endereços incompletos, NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) ou valores incorretos.
    • Assinaturas/Carimbos Ausentes: Documentos que exigem assinatura ou carimbo não estão devidamente formalizados.
  • Como Evitar:
    • Checklist: Tenha um checklist rigoroso de todos os documentos necessários para cada tipo de importação.
    • Revisão Cruzada: Revise e cruze as informações de todos os documentos. Peça que o fornecedor e o agente de cargas façam uma revisão minuciosa.
    • Padronização: Use modelos padronizados para seus documentos internos e eduque seus fornecedores sobre as exigências brasileiras.

2. Classificação Fiscal Incorreta (NCM)

A NCM é o código de 8 dígitos que identifica o produto e determina impostos e exigências regulatórias.

  • Causas Comuns:
    • Erro Técnico: Classificar o produto com uma NCM que não corresponde à sua natureza, composição ou finalidade, seja por desconhecimento ou erro de interpretação da legislação.
    • Tentativa de Fraude: Declaração intencional de uma NCM com menor alíquota de imposto ou que não exige licença para um produto que deveria.
  • Como Evitar:
    • Conhecimento Aprofundado do Produto: Entenda todos os detalhes técnicos do que você está importando.
    • Fontes Oficiais: Utilize o Sistema Classif da Receita Federal e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH).
    • Despachante Aduaneiro: Conte com um despachante aduaneiro experiente na classificação fiscal. Eles são especialistas e assumem a responsabilidade pela NCM.
    • Consulta Formal: Em caso de dúvida persistente, faça uma consulta formal à Receita Federal para obter uma resposta vinculante.

3. Subvaloração ou Supervaloração Aduaneira

A declaração de um valor para a mercadoria que não corresponde ao valor real da transação.

  • Causas Comuns:
    • Subfaturamento: Declarar um valor menor que o real para pagar menos impostos ou burlar limites (muito comum em compras de e-commerce).
    • Superfaturamento: Declarar um valor maior para fins de evasão de divisas ou outras fraudes financeiras.
  • Como Evitar:
    • Transparência Total: Declare sempre o valor real da transação, incluindo o preço do produto, frete e seguro internacional (que compõem o Valor Aduaneiro).
    • Comprovantes: Mantenha todos os comprovantes de pagamento, contrato de compra e venda e qualquer outro documento que justifique o valor declarado.
    • Análise de Mercado: A Receita Federal compara o valor declarado com o de produtos similares no mercado internacional.

4. Falta ou Irregularidade em Licenças de Importação (LI/LPCO)

Para muitos produtos, é necessária uma autorização prévia de outros órgãos governamentais (órgãos anuentes) antes da entrada no país.

  • Causas Comuns:
    • Desconhecimento: Não saber que o produto exige Licença de Importação (LI) ou LPCO (Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos).
    • LI Não Automática Sem Deferimento: Embarcar a mercadoria antes que a LI Não Automática tenha sido aprovada pelo órgão competente (ANVISA, MAPA, INMETRO, Exército, etc.).
    • LI/LPCO Inválida: Licença expirada, com dados incorretos ou em desacordo com a carga.
  • Como Evitar:
    • Consulte a NCM: Verifique no Portal Único SISCOMEX se a NCM do seu produto exige LI/LPCO e quais são os órgãos anuentes.
    • Planejamento: Se o produto exige LI Não Automática, solicite a licença com bastante antecedência e aguarde o deferimento antes de embarcar a mercadoria.
    • Cumprimento de Exigências: Atenda a todas as exigências do órgão anuente para a concessão da licença (certificações, laudos, testes, etc.).

5. Mercadorias Proibidas ou Restritas

A importação de certas mercadorias pode ser proibida ou sujeita a condições muito específicas e rígidas.

  • Causas Comuns:
    • Importação de Produtos Proibidos: Armas ilegais, drogas, produtos piratas ou falsificados, bens perigosos sem a devida autorização, certos bens usados.
    • Restrições Ignoradas: Importar produtos que exigem autorização especial, destino específico ou que são controlados (ex: produtos de guerra, químicos perigosos, animais, plantas).
  • Como Evitar:
    • Pesquisa a Fundo: Antes de importar qualquer coisa, pesquise se o produto tem restrições ou proibições no Brasil.
    • Consulte a RFB: Em caso de dúvida, a Receita Federal ou um despachante podem confirmar as restrições.

6. Pendências Fiscais ou Cadastrais do Importador/Exportador

A Receita Federal verifica a regularidade da empresa ou pessoa física que está importando.

  • Causas Comuns:
    • Inadimplência Fiscal: Dívidas com a União, impostos não pagos.
    • Irregularidades Cadastrais: Problemas no CNPJ, suspensão ou inaptidão.
    • RADAR SUSPENSO/Cassado: Habilitação no RADAR SISCOMEX suspensa ou cancelada por inatividade ou irregularidades.
  • Como Evitar:
    • Regularidade Fiscal: Mantenha todas as obrigações fiscais da sua empresa em dia (tributos, declarações).
    • Monitoramento do RADAR: Verifique periodicamente o status da sua habilitação no RADAR e reative-a se necessário.
    • Certificação OEA: Empresas com certificação OEA (Operador Econômico Autorizado) são consideradas de baixo risco pela RFB, tendo menos intervenções.

O Que Fazer Se Seu Embarque For Retido?

  1. Identifique a Causa: Entre em contato com seu despachante aduaneiro ou com a empresa que está gerenciando a importação (courier, agente de cargas) para saber o motivo exato da retenção.
  2. Atenda às Exigências: A Receita Federal ou o órgão anuente solicitará a correção de documentos, o pagamento de diferenças de impostos e multas, ou a apresentação de informações adicionais. Cumpra as exigências rapidamente.
  3. Monitore os Prazos: Fique atento aos prazos para atender às exigências e para a liberação da carga, para evitar custos adicionais com armazenagem e, no caso de contêineres, com demurrage.
  4. Consulte um Especialista: Em casos mais complexos (Canal Cinza, grandes multas, suspeita de fraude), procure o apoio de um advogado especializado em direito aduaneiro.

A melhor forma de evitar que seu embarque seja retido na alfândega é a prevenção. Invista em conformidade, utilize ferramentas de gestão, capacite sua equipe e conte com parceiros logísticos e aduaneiros de confiança.

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