Principais erros no processo de importação e como evitá-los

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Os erros no processo de importação podem transformar uma operação aparentemente lucrativa em prejuízo. Classificar uma mercadoria na NCM errada, embarcar sem verificar o tratamento administrativo, calcular incorretamente os custos ou receber documentos com informações divergentes são problemas capazes de gerar atrasos, armazenagem adicional, exigências aduaneiras e até penalidades.

Grande parte desses problemas pode ser evitada com planejamento. Uma importação eficiente começa muito antes de a carga chegar ao Brasil: envolve análise do produto, fornecedor, classificação fiscal, documentos, tributos, logística internacional e requisitos aduaneiros.

A seguir, veja os principais erros no processo de importação e como evitá-los.

1. Começar a importação sem calcular o custo total

Um dos erros mais perigosos é olhar apenas para o preço cobrado pelo fornecedor estrangeiro.

Imagine encontrar determinado produto por US$ 10 e concluir que existe uma excelente margem porque ele pode ser vendido no Brasil por um valor muito superior.

A conta não é tão simples.

Além do preço da mercadoria, uma importação pode envolver frete internacional, seguro, tributos, despesas portuárias ou aeroportuárias, armazenagem, despacho aduaneiro, transporte nacional e diversos outros custos.

Dependendo da operação, ainda podem existir despesas relacionadas a inspeções, licenças, demurrage, detention e serviços de terceiros.

Portanto, antes de fechar a compra, faça uma estimativa completa do custo de importação.

O objetivo é descobrir o custo efetivo da mercadoria nacionalizada e entregue no destino, e não simplesmente quanto custa comprá-la no exterior.

2. Utilizar a NCM errada na importação

A classificação fiscal da mercadoria está entre os pontos mais importantes do processo de importação.

No Brasil, as mercadorias são classificadas de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul, a NCM.

Esse código influencia diversos aspectos da operação, incluindo tratamento tributário e administrativo.

Um erro comum ocorre quando o importador simplesmente aceita a classificação sugerida pelo fornecedor estrangeiro.

Isso é arriscado.

O fornecedor pode utilizar outro sistema de classificação ou informar um código que não corresponda exatamente ao enquadramento brasileiro.

Como evitar erro de NCM?

A classificação deve considerar as características técnicas reais da mercadoria.

Dependendo do produto, pode ser necessário analisar composição, função, material, funcionamento, aplicação e outras características.

Catálogos, fichas técnicas, fotografias, manuais e especificações fornecidas pelo fabricante podem ajudar nessa análise.

Em situações de maior complexidade, é recomendável buscar apoio técnico especializado.

Nunca escolha uma NCM apenas porque ela apresenta uma alíquota tributária menor.

A classificação precisa corresponder efetivamente à mercadoria.

3. Não verificar o tratamento administrativo antes do embarque

Outro grande erro no processo de importação é comprar e embarcar a mercadoria sem verificar previamente quais exigências se aplicam ao produto.

Dependendo da mercadoria e da operação, podem existir controles ou exigências de órgãos anuentes.

Consequentemente, determinadas importações podem exigir autorizações, licenças, certificados ou outros procedimentos.

Descobrir isso somente depois que a carga já está em trânsito ou chegou ao Brasil pode criar um problema sério.

Enquanto o importador tenta regularizar a situação, a mercadoria pode permanecer armazenada, aumentando os custos da operação.

Por isso, uma regra importante é:

verifique o tratamento administrativo antes de autorizar o embarque.

4. Não conferir os documentos de importação

Documentação incorreta é uma fonte frequente de problemas no comércio exterior.

Entre os documentos que podem fazer parte de uma operação estão:

  • Commercial Invoice;
  • Packing List;
  • Bill of Lading (BL);
  • Air Waybill (AWB);
  • certificados;
  • documentos relacionados à origem;
  • documentos exigidos para produtos específicos.

Não basta simplesmente receber esses documentos.

O importador ou responsável pela operação precisa conferi-los.

Quais informações devem ser verificadas?

É importante observar se os documentos apresentam informações coerentes sobre exportador, importador, descrição da mercadoria, quantidades, pesos, valores, condições comerciais e demais elementos da operação.

Imagine que a Invoice apresente determinada quantidade enquanto o Packing List informa outra.

Essa divergência precisa ser identificada antes de causar problemas nas etapas posteriores.

Quanto mais cedo o erro documental for encontrado, maiores são as chances de corrigi-lo sem comprometer o desembaraço.

5. Usar descrições genéricas demais para a mercadoria

Descrições como “parts”, “equipment”, “accessories”, “samples” ou simplesmente “machine” podem ser insuficientes para identificar adequadamente determinadas mercadorias.

Uma descrição comercial precisa representar corretamente aquilo que está sendo importado.

Isso também ajuda na conferência documental, classificação fiscal e análise aduaneira.

O importador deve trabalhar com o fornecedor para garantir que as informações dos documentos estejam claras e consistentes.

Esse cuidado é especialmente importante quando fornecedores estrangeiros estão acostumados a utilizar descrições extremamente resumidas.

6. Confundir Incoterms e responsabilidades da operação

Os Incoterms estabelecem importantes responsabilidades entre comprador e vendedor no comércio internacional.

Eles ajudam a determinar questões relacionadas a entrega, transporte, riscos e determinadas despesas da operação.

Um importador que compra utilizando FOB, FCA, CIF, EXW ou outro termo sem compreender suas implicações pode assumir custos que não estavam previstos.

Por exemplo, comprar EXW pode exigir que o comprador organize etapas logísticas desde um ponto bastante inicial da operação.

Já outras condições atribuem responsabilidades diferentes ao vendedor.

O erro acontece quando o importador negocia apenas o preço e ignora o Incoterm.

Como evitar esse problema?

Antes de fechar a negociação, responda:

Onde termina a responsabilidade do vendedor e começa a minha?

Depois, identifique quem contratará e pagará cada etapa logística e como ocorrerá a transferência dos riscos conforme o Incoterm escolhido.

O preço aparentemente mais barato nem sempre representa a operação de menor custo.

7. Escolher fornecedor estrangeiro sem fazer uma análise adequada

Outro erro importante acontece antes mesmo da logística começar: selecionar o fornecedor errado.

A internet tornou muito mais fácil encontrar fabricantes e distribuidores internacionais. Entretanto, encontrar uma empresa em um marketplace ou mecanismo de busca não significa que ela seja automaticamente confiável.

O importador precisa verificar o fornecedor.

Dependendo do valor e da complexidade da compra, pode fazer sentido solicitar documentos empresariais, analisar histórico comercial, pedir amostras, realizar inspeções e utilizar mecanismos de pagamento adequados ao nível de risco.

Uma amostra também pode revelar problemas de qualidade antes de um pedido de grande volume.

Quanto maior a operação, maior deve ser a diligência.

8. Não definir corretamente as especificações do produto

Comprar apenas pelo nome comercial do produto é arriscado.

Imagine solicitar “500 camisetas pretas”.

Essa descrição deixa várias perguntas:

Qual tecido? Qual composição? Qual gramatura? Quais medidas? Qual tonalidade? Qual padrão de costura? Como será a embalagem? Quais tamanhos e respectivas quantidades?

A mesma lógica vale para máquinas, componentes eletrônicos, peças industriais, móveis e praticamente qualquer outra mercadoria.

Quanto mais precisa for a especificação, menor será o espaço para interpretações diferentes entre comprador e fornecedor.

9. Ignorar a necessidade de inspeção da mercadoria

Imagine pagar por um contêiner inteiro, esperar semanas pelo transporte e descobrir no Brasil que uma parcela significativa dos produtos apresenta defeitos.

Resolver o problema quando a mercadoria já atravessou milhares de quilômetros pode ser muito mais difícil.

Por isso, dependendo da operação, uma inspeção antes do embarque pode ser uma medida importante de gerenciamento de risco.

A inspeção pode verificar quantidade, aparência, embalagem, características especificadas e outros critérios previamente definidos.

Ela não elimina todos os riscos, mas pode identificar problemas antes de a mercadoria deixar o país de origem.

10. Escolher o frete internacional apenas pelo menor preço

O menor valor de frete nem sempre representa a melhor alternativa.

Na comparação entre transporte marítimo, aéreo e serviços courier, é necessário considerar muito mais do que o preço inicial.

Prazo de trânsito, características da mercadoria, volume, peso, urgência, frequência de embarques e custos associados precisam entrar na análise.

Uma economia pequena no frete pode perder completamente o sentido se gerar atraso crítico para a empresa.

Por outro lado, utilizar transporte aéreo para uma mercadoria volumosa e sem urgência pode aumentar excessivamente o custo.

A escolha deve considerar o custo logístico total e a necessidade da operação.

11. Ignorar demurrage e detention

Empresas que trabalham com transporte marítimo precisam prestar atenção especial aos prazos relacionados ao uso dos contêineres.

Dependendo da operação e do contrato, atrasos podem gerar cobranças significativas de demurrage ou detention.

O problema fica ainda maior quando o importador não conhece previamente o free time disponível.

Se houver atraso documental, exigência aduaneira ou dificuldade na retirada e devolução do equipamento, os custos podem crescer rapidamente.

Por isso, conheça antecipadamente as condições contratadas e acompanhe os prazos.

12. Não considerar os custos de armazenagem

Carga parada custa dinheiro.

Portos, aeroportos, terminais e recintos alfandegados possuem estruturas próprias de cobrança.

Quanto mais tempo a mercadoria permanece armazenada, maior pode ser o impacto financeiro.

Esse é um dos motivos pelos quais erros documentais e falta de planejamento podem ficar tão caros.

O problema inicial pode parecer pequeno, mas cada dia adicional de permanência da carga pode adicionar novas despesas.

Uma boa operação procura deixar documentos, autorizações e informações preparados para reduzir atrasos evitáveis.

13. Não acompanhar o embarque internacional

Depois que a mercadoria embarca, o trabalho não terminou.

É necessário acompanhar o andamento da carga.

Dependendo do modal, o responsável pela operação deve acompanhar informações como saída, previsão de chegada, eventuais alterações de rota, transbordos, documentação e disponibilidade da carga.

Esse acompanhamento permite antecipar problemas.

Se uma alteração relevante é identificada rapidamente, a equipe ganha tempo para reorganizar as etapas seguintes.

14. Acreditar que canal verde significa ausência total de fiscalização

No processo aduaneiro, a seleção para determinado canal não deve ser interpretada como autorização para descuidar da conformidade.

O importador precisa manter as informações corretas independentemente do tratamento recebido em uma operação específica.

A fiscalização aduaneira e os controles de comércio exterior não devem ser tratados como um jogo de probabilidades.

A empresa precisa construir processos capazes de suportar verificações e manter documentação consistente.

Compliance aduaneiro deve fazer parte da rotina, não surgir somente quando existe uma fiscalização.

15. Não conhecer o RADAR/Siscomex e os requisitos para operar

Antes de começar a importar comercialmente, a empresa precisa compreender os requisitos necessários para atuar no comércio exterior brasileiro e utilizar os sistemas correspondentes.

O planejamento deve verificar a situação da empresa e as providências necessárias para executar a operação.

Deixar essa etapa para quando o fornecedor já está aguardando pagamento ou embarque pode atrasar todo o projeto.

A estrutura administrativa deve estar pronta antes de assumir compromissos comerciais relevantes.

16. Não avaliar benefícios tributários e regimes especiais

Também existe um erro no sentido oposto: pagar mais tributos do que seria necessário porque ninguém analisou alternativas legais.

Dependendo da operação, podem existir regimes aduaneiros especiais, benefícios tarifários ou acordos comerciais capazes de alterar os custos.

Drawback, admissão temporária, entreposto aduaneiro e outros mecanismos atendem a situações específicas.

Uma empresa que importa insumos para produzir mercadorias destinadas à exportação, por exemplo, possui uma situação diferente daquela que importa produtos acabados para revenda no mercado brasileiro.

Portanto, o planejamento tributário deve acontecer antes da operação.

Isso não significa procurar uma maneira artificial de evitar impostos. Significa verificar qual tratamento legal realmente corresponde à importação realizada.

17. Ignorar a origem da mercadoria e os acordos comerciais

A origem de um produto também pode ter relevância tributária.

O Brasil participa de acordos comerciais que podem proporcionar tratamento tarifário preferencial para determinadas mercadorias quando todos os requisitos aplicáveis são atendidos.

Porém, existe uma diferença importante entre procedência e origem.

Uma mercadoria ser embarcada de determinado país não significa necessariamente que ela seja originária dele para fins de preferência tarifária.

É necessário analisar as regras de origem e a documentação exigida pelo acordo correspondente.

Ignorar essa possibilidade pode fazer a empresa perder um benefício legítimo.

18. Não criar margem para imprevistos no prazo de importação

Outro erro recorrente é trabalhar com um cronograma excessivamente apertado.

Se o fornecedor informa determinada data de produção e o transportador apresenta um transit time estimado, algumas empresas simplesmente somam os dois períodos e prometem uma data exata ao cliente.

Mas comércio exterior envolve diversas variáveis.

Produção pode atrasar. O embarque pode ser alterado. Pode ocorrer transbordo. Documentos podem precisar de correção. A operação aduaneira também pode demandar mais tempo do que o cenário ideal.

Por isso, empresas que dependem de produtos importados precisam trabalhar com planejamento de estoque e margens razoáveis de segurança.

19. Não contratar profissionais especializados quando necessário

Uma pequena remessa internacional e uma importação comercial complexa são operações muito diferentes.

À medida que valores, volumes e exigências aumentam, também cresce a importância de profissionais especializados.

Despachantes aduaneiros, agentes de carga, consultores, profissionais de comércio exterior, especialistas tributários e outros participantes podem assumir papéis importantes conforme a operação.

Tentar economizar eliminando uma análise técnica necessária pode gerar um prejuízo muito maior posteriormente.

O importante é definir claramente quem será responsável por cada etapa.

20. Não ter um checklist do processo de importação

Muitos erros acontecem simplesmente porque a empresa depende da memória das pessoas.

Um processo profissional deve ser documentado.

Um checklist pode incluir etapas como análise do fornecedor, definição do produto, classificação fiscal, tratamento administrativo, cálculo de custos, negociação do Incoterm, conferência da Invoice, Packing List e documento de transporte, acompanhamento do embarque e preparação para o desembaraço.

A empresa também deve registrar responsáveis e prazos.

Assim, o conhecimento deixa de ficar concentrado apenas na cabeça de uma pessoa.

Como evitar erros no processo de importação antes do embarque

A prevenção começa com uma mudança simples: não trate o embarque como o início da importação.

Quando a carga entra no navio ou avião, diversas decisões importantes já foram tomadas.

Antes disso, o importador deve conhecer exatamente o produto que está comprando, validar fornecedor e especificações, estudar a classificação fiscal, verificar exigências administrativas, calcular os custos e definir responsabilidades logísticas.

Também deve conferir cuidadosamente os documentos antes de liberá-los.

Quanto mais problemas forem resolvidos na origem, menores são as chances de encontrar uma surpresa cara no destino.

Checklist rápido para uma importação mais segura

Antes de autorizar um embarque internacional, confirme pelo menos os seguintes pontos:

  • fornecedor verificado;
  • especificação técnica do produto confirmada;
  • NCM analisada;
  • tratamento administrativo verificado;
  • tributos e custos estimados;
  • Incoterm definido e compreendido;
  • frete internacional contratado;
  • seguro avaliado;
  • Invoice conferida;
  • Packing List conferido;
  • BL ou AWB revisado quando aplicável;
  • certificados e autorizações necessários verificados;
  • prazos logísticos conhecidos;
  • responsáveis pelo desembaraço definidos;
  • custo final estimado;
  • margem para imprevistos considerada.

Esse controle simples pode evitar uma quantidade significativa de problemas.

Qual é o erro mais caro em uma importação?

Não existe uma única resposta.

Uma classificação fiscal incorreta pode gerar consequências tributárias. Um documento errado pode atrasar o desembaraço. Uma compra mal negociada pode eliminar a margem de lucro. Um fornecedor inadequado pode entregar mercadoria fora das especificações.

Entretanto, muitos desses problemas possuem a mesma origem: falta de planejamento antes do embarque.

Por isso, quanto maior o valor da importação, mais importante é investir tempo na preparação.

Como reduzir riscos nas próximas importações

Crie um processo padronizado.

Depois de cada operação, registre os problemas encontrados e transforme-os em novos pontos de controle.

Se uma Invoice chegou errada, por exemplo, não se limite a corrigir aquela Invoice. Crie um procedimento de conferência que reduza a chance de o problema acontecer novamente.

Se houve uma despesa inesperada, descubra por que ela não apareceu no cálculo inicial e incorpore esse item às próximas estimativas.

Dessa maneira, cada importação ajuda a tornar a próxima mais previsível.

Conclusão

Os principais erros no processo de importação geralmente não começam quando a mercadoria chega à alfândega. Muitos surgem semanas antes, durante a escolha do fornecedor, classificação fiscal, negociação comercial, definição do Incoterm, contratação do transporte e preparação documental.

Por isso, importar bem significa antecipar problemas.

Calcule o custo total antes da compra, classifique corretamente a mercadoria, verifique as exigências administrativas, revise os documentos, escolha fornecedores confiáveis e acompanhe toda a operação.

Quanto melhor for o planejamento, menores serão as chances de transformar atrasos, armazenagem, documentos incorretos e custos inesperados em prejuízo.

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