O que é código NCM e como consultar corretamente para seus produtos  

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O código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é como o “RG” de um produto no Brasil e nos demais países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai). Ele é um código de oito dígitos que identifica e classifica qualquer mercadoria, sendo a base para a maioria das operações de comércio exterior e da tributação interna.


O Que É o Código NCM?

A NCM é uma adaptação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), um padrão internacional usado por mais de 200 países. Os seis primeiros dígitos da NCM são do SH, garantindo uma linguagem comum global. Os dois últimos dígitos (o 7º e o 8º) são desdobramentos específicos do Mercosul, que detalham ainda mais a classificação para fins regionais.

A estrutura de oito dígitos da NCM segue uma lógica hierárquica, do geral para o específico:

  • 1º e 2º dígitos: Capítulo: Identificam a categoria mais ampla do produto. Por exemplo, “84” pode ser para Máquinas e aparelhos.
  • 3º e 4º dígitos: Posição: Detalham o produto dentro do capítulo. Ex: “84.71” para Máquinas automáticas para processamento de dados.
  • 5º e 6º dígitos: Subposição: Oferecem um nível maior de detalhe. Ex: “8471.30” para Máquinas automáticas portáteis.
  • 7º dígito: Item: Especifica ainda mais o produto. Ex: “8471.30.1” para “De peso inferior a 3,5 kg, com teclado alfanumérico”.
  • 8º dígito: Subitem: É o último nível de detalhe, com uma descrição mais completa da mercadoria. Ex: “8471.30.12” para “Capazes de operar sem fonte externa de energia elétrica” (um notebook, por exemplo).

Por Que o Código NCM É Tão Importante?

O NCM não é apenas um código burocrático; ele tem um impacto direto em diversas áreas da sua operação:

  1. Tributação: A alíquota do Imposto de Importação (II) é definida diretamente pela NCM. Além disso, ela influencia o cálculo do IPI, PIS/COFINS e ICMS. Um NCM errado pode levar ao pagamento a mais (prejuízo) ou a menos (multas e cobrança retroativa) de impostos.
  2. Controle Aduaneiro: A Receita Federal e outros órgãos (como ANVISA, MAPA, INMETRO) usam o NCM para saber se o produto precisa de Licença de Importação (LI) ou LPCO, certificações específicas ou se há proibições.
  3. Benefícios Fiscais: Muitos regimes aduaneiros especiais (como Drawback e Ex-Tarifário) e acordos comerciais (que dão redução de II) são vinculados a NCMs específicas.
  4. Documentação Fiscal: O NCM é um campo obrigatório na Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), Declaração de Importação (DI/DUIMP) e Declaração Única de Exportação (DU-E).
  5. Estatísticas: Ele permite ao governo coletar dados sobre o comércio, importantes para análises econômicas e políticas comerciais.

Atenção: Erros no NCM podem gerar multas de 1% sobre o Valor Aduaneiro da mercadoria, além da cobrança da diferença de impostos com juros e multas de ofício.


Como Consultar o NCM Corretamente para Seus Produtos

Encontrar o NCM correto exige método e atenção. Siga estes passos:

  1. Conheça seu Produto em Detalhes:
    • Composição: De que materiais é feito? (Ex: plástico, metal, algodão).
    • Função/Finalidade: Para que serve? Qual seu uso principal? (Ex: uso doméstico, industrial, brinquedo).
    • Características Técnicas: Dimensões, peso, voltagem, potência, capacidade, modelo, versão, componentes.
    • Estado: É matéria-prima, semiacabado, produto final, desmontado, em conjunto?
  2. Utilize as Ferramentas Oficiais de Consulta:
    • Sistema Classif da Receita Federal: Essa é a ferramenta oficial e mais confiável para consultar o NCM. Você pode acessar pelo Portal Único de Comércio Exterior (portalunico.siscomex.gov.br) e usar a função “Classificação Fiscal de Mercadorias”.
      • Busca por Palavra-chave: Digite o nome do produto ou descrições relevantes. Tente termos genéricos e depois mais específicos.
      • Navegação por Capítulo: Se já tiver uma ideia da categoria, navegue pelos capítulos e posições até encontrar a descrição mais precisa.
    • Tabelas Aduaneiras da Receita Federal: No site da Receita, você também encontra as tabelas completas.
    • Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH): A NESH é o “manual” do SH. Ela detalha cada posição e subposição, dando exemplos e explicações que ajudam muito em casos complexos.
    • Regras Gerais para a Interpretação do SH (RGIs): São 6 regras fundamentais que guiam a classificação quando a descrição do produto não é óbvia (ex: misturas, produtos incompletos, conjuntos). Elas devem ser aplicadas em ordem.
  3. Analise as Descrições Detalhadamente:
    • Leia com atenção as descrições da NCM. Pequenas diferenças em um material, função ou característica podem mudar o código.
    • Verifique as Notas de Seção, Capítulo e Subposição. Elas podem conter exclusões, inclusões e conceitos importantes que definem onde o produto deve ou não ser classificado.
  4. Recorra a Especialistas (Quando Necessário):
    • Para produtos com classificação complexa, ou se sua empresa tem muitos itens, a consultoria de um despachante aduaneiro ou um especialista em classificação fiscal é um investimento que previne muitos problemas. Eles têm a experiência e as ferramentas para classificar corretamente.
    • Se a dúvida persistir e o impacto fiscal for alto, você pode fazer uma Consulta sobre Classificação Fiscal de Mercadorias diretamente na Receita Federal. A resposta da RFB é vinculante, garantindo segurança jurídica.
  5. Mantenha-se Atualizado:
    • A tabela NCM e as regras do SH são atualizadas periodicamente. Faça revisões constantes das NCMs dos seus produtos para garantir que continuam corretas e em conformidade com a legislação vigente.

O código NCM é um detalhe crucial para o sucesso no comércio, seja interno ou externo. Classificá-lo corretamente é essencial para evitar multas, otimizar impostos e garantir a fluidez de suas operações.


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