A NCM na Exportação (Nomenclatura Comum do Mercosul) é o código de oito dígitos utilizado para identificar e categorizar mercadorias que circulam no Brasil e nos demais países do Mercosul. Esse código é baseado no Sistema Harmonizado (SH), um padrão internacional que permite que qualquer alfândega do mundo entenda o que está sendo comercializado, independentemente do idioma.
Na exportação, a NCM é o “DNA” da operação: ela define desde os incentivos fiscais que a empresa receberá até os controles de segurança e licenças exigidas por órgãos como o MAPA, ANVISA ou Exército.
1. A Estrutura Técnica da NCM
Cada dígito da NCM carrega uma informação específica sobre o produto:
- Capítulo (2 primeiros dígitos): Categoria geral (ex: 09 – Café, chá, mate e especiarias).
- Posição (4 primeiros dígitos): Desdobramento da categoria (ex: 09.01 – Café, mesmo torrado ou descafeinado).
- Subposição (6 primeiros dígitos): Padrão mundial do Sistema Harmonizado.
- Item e Subitem (7º e 8º dígitos): Detalhamentos específicos do Mercosul.
2. Por que a NCM é Vital para o Exportador?
Diferente da importação, onde a NCM foca na arrecadação, na exportação ela foca no compliance e na desoneração:
- Comprovação de Imunidade: É através da NCM que a Receita Federal valida a não incidência de IPI e a isenção de PIS/COFINS e ICMS.
- Tratamento Administrativo (LPCO): O sistema Portal Único Siscomex utiliza a NCM para informar se a mercadoria precisa de alguma Licença, Permissão, Certificado ou Outros (LPCO) antes de embarcar.
- Drawback: Para quem utiliza esse regime, a NCM deve ser idêntica na importação do insumo e na exportação do produto final (ou seguir as regras de transformação) para garantir a isenção dos impostos.
3. Riscos de Erros na NCM
Mesmo que a exportação seja isenta de impostos, classificar errado gera prejuízos:
- Multas Adunaneiras: Multa por classificação incorreta ou omissão de dados (geralmente 1% do valor da carga).
- Retenção no Porto: Se a NCM correta exigir uma licença que não foi providenciada, a carga não embarca, gerando custos altíssimos de armazenagem e demurrage.
4. O Inglês Técnico e o “HS Code”
No mercado internacional, você não usará o termo NCM, mas sim “HS Code” (Harmonized System Code). O domínio do inglês técnico é fundamental para discutir a classificação com o seu cliente no exterior.
Frequentemente, o comprador solicita que você utilize uma classificação específica para facilitar a entrada no país dele. Consequentemente, você precisa saber analisar em inglês se essa sugestão é compatível com a legislação brasileira. Portanto, a fluência técnica evita que a empresa declare informações conflitantes entre a DU-E e a Commercial Invoice.
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