Documentos na Importação por Encomenda: entenda o que é exigido para operar com regularidade fiscal e aduaneira

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A importação por encomenda é uma modalidade de operação em que uma empresa (importadora) adquire mercadorias no exterior por sua conta própria, com o objetivo de revendê-las posteriormente a uma empresa encomendante previamente definida. Ao contrário da importação por conta e ordem, nessa operação a importadora assume o risco e a propriedade das mercadorias desde o início.

Apesar de envolver duas empresas nacionais, essa operação exige cuidados fiscais, contratuais e documentais específicos, principalmente para evitar autuações por simulação de operação ou ocultação de terceiros. Neste artigo, você vai entender quais são os documentos exigidos na importação por encomenda, como organizar a operação e quais obrigações devem ser observadas.


Como funciona a importação por encomenda?

Nessa modalidade:

  • A empresa importadora adquire a mercadoria no exterior com recursos próprios;
  • A empresa encomendante solicita a compra e será a destinatária final da mercadoria no Brasil;
  • A propriedade e responsabilidade legal da carga é da importadora até a revenda;
  • A operação se completa com a venda interna posterior à nacionalização.

Documentos exigidos na importação por encomenda

1. Contrato de Compra e Venda entre importadora e encomendante

  • Documento fundamental que estabelece:
    • Os produtos encomendados;
    • Preços acordados;
    • Condições de entrega;
    • Obrigações de pagamento e prazos;
  • Embora não seja obrigatório apresentar à Receita no momento da importação, deve estar disponível em caso de fiscalização para comprovar a regularidade da operação.

2. Fatura Comercial (Commercial Invoice)

  • Emitida pelo fornecedor estrangeiro em nome da empresa importadora;
  • Confirma a propriedade da carga e serve de base para registro da declaração aduaneira.

3. Packing List

  • Documento complementar que detalha o acondicionamento da mercadoria (volumes, peso, embalagem).

4. Conhecimento de Transporte Internacional (BL, AWB ou CRT)

  • Emitido em nome da empresa importadora como consignatária;
  • A encomendante pode ser incluída como “notify party”.

5. Declaração de Importação (DI) ou DUIMP

  • Registrada pela empresa importadora exclusivamente em seu nome;
  • Não há indicação do CNPJ da encomendante, pois a operação é realizada por conta própria.

6. Nota Fiscal de Entrada (emitida pela importadora)

  • Utilizada internamente para registrar a nacionalização da mercadoria após o desembaraço;
  • Serve de base contábil para posterior revenda à encomendante.

7. Nota Fiscal de Venda para a encomendante

  • Emitida após a nacionalização, com CFOP adequado (ex: 6.101 – venda de produção do estabelecimento);
  • Deve conter os dados da mercadoria nacionalizada, com impostos destacados.

Diferença entre importação por encomenda e por conta e ordem

CaracterísticaPor EncomendaPor Conta e Ordem
Propriedade da mercadoriaImportadoraAdquirente (encomendante)
Recursos financeirosImportadoraEncomendante
Registro da DI/DUIMPEm nome da importadoraEm nome da importadora (com CNPJ do adquirente)
Responsável pela nacionalizaçãoImportadoraImportadora
Venda após nacionalizaçãoObrigatóriaNão há revenda — a mercadoria já é do adquirente

Cuidados fiscais e operacionais

  • A Receita Federal verifica se há simulação de operação — ou seja, se a operação declarada como “por encomenda” não é, na prática, uma importação por conta e ordem disfarçada;
  • A empresa importadora deve realmente assumir o risco da operação, incluindo pagamento ao exterior e nacionalização;
  • A encomendante não pode pagar diretamente ao fornecedor estrangeiro ou interferir na contratação de frete internacional.

Erros a evitar

  • Registrar a DI ou DUIMP com dados do encomendante (isso descaracteriza a operação);
  • Deixar de emitir nota fiscal de venda à encomendante após a nacionalização;
  • Não ter um contrato formal que comprove a solicitação da encomenda;
  • Realizar pagamento internacional com recursos da encomendante — isso caracteriza conta e ordem.

Conclusão

A importação por encomenda é uma operação totalmente regular e vantajosa quando bem estruturada. Mas exige clareza documental, separação de responsabilidades e controle fiscal rigoroso, principalmente para evitar questionamentos por parte da Receita Federal. Com os documentos corretos, sua empresa garante transparência, segurança jurídica e eficiência operacional.

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