Documentos que Geram Multas na Importação

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No processo de importação, erros documentais podem ter consequências sérias, que vão além de atrasos e exigências: podem resultar em multas pesadas aplicadas pela Receita Federal, inclusive com impacto fiscal, contábil e operacional. Muitas dessas penalidades são previstas no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009) e são aplicadas mesmo quando não há má-fé — bastam inconsistências ou omissões nos documentos.

Neste artigo, você vai conhecer os principais documentos que geram multas na importação quando mal preenchidos, e o que fazer para garantir uma operação segura e em conformidade.


Por que documentos incorretos geram multas?

Toda operação de importação precisa seguir uma série de obrigações acessórias e principais. Os documentos apresentados à Receita Federal — como a DI, nota fiscal, fatura, BL, entre outros — são declarações formais. Quando essas declarações contêm erros, omissões ou informações falsas (ainda que involuntárias), a legislação prevê sanções automáticas, que podem variar de R$ 500 até 1% do valor aduaneiro por item.


Documentos que mais geram multas na importação

1. Declaração de Importação (DI) ou DUIMP

Erros comuns:

  • NCM incorreta ou desatualizada;
  • Valor aduaneiro errado (omissão de frete, seguro ou capatazia);
  • Quantidade ou peso divergente;
  • Omissão de tratamento administrativo obrigatório;
  • Enquadramento incorreto de regime tributário ou fiscal.

Multas possíveis:

  • 1% do valor aduaneiro por item com NCM incorreta (mínimo de R$ 500);
  • R$ 500 por informação inexata ou omissa;
  • Suspensão do desembaraço até correção.

2. Fatura Comercial (Commercial Invoice)

Erros comuns:

  • Descrição genérica ou incompleta da mercadoria;
  • Divergência de valores em relação à DI e à nota fiscal;
  • Dados incorretos do exportador;
  • Incoterm omitido ou inadequado.

Multas possíveis:

  • Retenção da carga para conferência;
  • Exigência de apresentação de fatura substituta;
  • Multa por falsa declaração (quando caracterizado dolo).

3. Conhecimento de Transporte Internacional (BL, AWB, CRT)

Erros comuns:

  • Divergência com o packing list ou DI (volumes, peso);
  • Falta de endosso, quando aplicável;
  • Erros nos dados do consignatário.

Multas possíveis:

  • Penalidade por erro formal;
  • Exigência de retificação documental via aditamento.

4. Nota Fiscal de Entrada

Erros comuns:

  • CFOP incorreto (prejudica escrituração fiscal);
  • NCM diferente da DI;
  • Tributos destacados de forma errada;
  • Ausência de número da DI nos dados adicionais.

Multas possíveis:

  • Glosa de créditos fiscais;
  • Autuações estaduais e multas por escrituração incorreta.

5. Licença de Importação (LI) ou LPCO

Erros comuns:

  • Ausência de licenciamento obrigatório;
  • LI vencida ou vinculada à mercadoria errada;
  • NCM ou país de origem divergente.

Multas possíveis:

  • R$ 2.500 por ausência ou erro em licença;
  • Penalidade por importação sem anuência válida.

6. Certificados exigidos (quando aplicável)

Erros comuns:

  • Certificado de origem com país incorreto;
  • Ausência de certificado técnico ou sanitário exigido;
  • Validade vencida.

Multas possíveis:

  • Perda de benefício tarifário;
  • Penalidade por descumprimento de exigência sanitária ou técnica.

Como evitar multas por erro documental

Tenha um checklist atualizado por tipo de operação

Inclua todos os documentos exigidos e os pontos críticos de conferência.

Faça conferência cruzada entre documentos

Compare os dados da fatura, packing list, DI, NF-e, BL e certificados.

Mantenha modelos padronizados de documentos

Evita omissões ou falhas no preenchimento.

Treine sua equipe sobre legislação e inglês técnico

Muitos erros ocorrem por má interpretação dos termos utilizados.

Use sistemas de gestão integrados

Automatize cálculos de valor aduaneiro, tributos e vinculação de documentos.

Revise minuciosamente a DI antes do registro

Principal ponto de partida para toda a operação.


Conclusão

Evitar multas por erro documental na importação exige atenção, preparo e controle. Os documentos apresentados ao Siscomex e à Receita Federal não são apenas formais — são juridicamente válidos, e qualquer erro pode se converter em multa, exigência ou perda de benefícios. Ao investir em conferência, padronização e capacitação, sua empresa garante conformidade e segurança nas operações.

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