Orçamento-programa: o que é, como funciona e quais são suas principais características?

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O orçamento-programa é um modelo de planejamento e gestão dos recursos públicos que relaciona as despesas do governo aos objetivos, programas e ações que pretende executar. Diferentemente de um orçamento voltado apenas ao controle dos gastos, essa metodologia procura demonstrar como o dinheiro público será utilizado para atender às necessidades da população e alcançar resultados.

Na administração pública brasileira, o orçamento-programa representa uma importante ferramenta de integração entre planejamento, execução orçamentária e avaliação das políticas públicas. Por meio dele, os órgãos governamentais organizam suas atividades, estabelecem prioridades e destinam recursos para áreas como saúde, educação, infraestrutura, segurança e assistência social.

Compreender o conceito de orçamento-programa é fundamental para estudantes de Administração, Ciências Contábeis, Gestão Pública e Direito, além de profissionais que trabalham com planejamento governamental e candidatos a concursos públicos.

O que é orçamento-programa?

O orçamento-programa é uma técnica orçamentária que organiza a aplicação dos recursos públicos de acordo com programas de governo, objetivos e ações previamente definidos.

Seu principal diferencial está na relação entre os valores previstos no orçamento e as realizações que o governo pretende entregar à sociedade.

Em vez de apresentar somente quanto cada órgão poderá gastar com pessoal, materiais, equipamentos ou serviços, o orçamento-programa permite identificar a finalidade das despesas e sua contribuição para determinados objetivos governamentais.

Por exemplo, uma prefeitura pode destinar recursos para um programa de melhoria da educação municipal. Nesse caso, o orçamento não se limita a registrar gastos com materiais escolares, equipamentos e contratação de serviços.

Ele também organiza as ações relacionadas ao programa, como ampliação da infraestrutura escolar, aquisição de equipamentos e desenvolvimento de atividades educacionais.

Dessa forma, o orçamento-programa permite estabelecer uma conexão entre os recursos financeiros disponíveis e os resultados esperados da atuação governamental.

Qual é o principal objetivo do orçamento-programa?

O principal objetivo do orçamento-programa é vincular a utilização dos recursos públicos aos objetivos e às ações planejadas pelo governo.

Essa abordagem busca tornar o orçamento um instrumento de gestão, e não apenas uma autorização para realizar despesas.

Entre suas finalidades estão melhorar a alocação dos recursos, facilitar o acompanhamento das ações governamentais, apoiar a definição de prioridades e oferecer informações para avaliar a execução dos programas.

Além disso, o orçamento-programa contribui para a transparência administrativa, pois permite compreender melhor a finalidade dos gastos públicos.

Entretanto, sua adoção não garante, isoladamente, que os resultados planejados serão alcançados. Para isso, também são necessários indicadores adequados, acompanhamento da execução e avaliação das políticas públicas.

Como funciona o orçamento-programa na prática?

O funcionamento do orçamento-programa começa com a identificação das necessidades da sociedade e a definição dos objetivos que a administração pública pretende alcançar.

Posteriormente, o governo estrutura programas e ações, estima os recursos necessários e estabelece as dotações orçamentárias correspondentes.

A execução dessas ações depende das autorizações orçamentárias, das regras fiscais e da disponibilidade de recursos.

Considere uma prefeitura que identifica a necessidade de ampliar o atendimento na rede municipal de saúde.

Em vez de simplesmente aumentar os valores destinados à Secretaria de Saúde, a administração pode organizar suas iniciativas em programas e ações com finalidades específicas.

Um exemplo hipotético seria:

ElementoExemplo
ProgramaAmpliação da Atenção Primária à Saúde
ObjetivoMelhorar o acesso aos serviços básicos de saúde
AçãoConstrução de unidades de saúde
ProdutoUnidades de saúde construídas
Meta físicaConstruir 3 unidades
Dotação previstaR$ 6 milhões

Nesse exemplo, a administração pública consegue identificar o valor previsto para determinada ação e acompanhar sua execução física e financeira.

Se, ao final do exercício, apenas uma unidade tiver sido construída, será possível comparar a realização com a meta inicialmente estabelecida e investigar os motivos da diferença.

É importante observar que a classificação dos programas e ações deve seguir as regras aplicáveis ao ente público e aos instrumentos de planejamento correspondentes.

Quais são os elementos do orçamento-programa?

A estrutura do orçamento-programa utiliza diferentes elementos para organizar o planejamento e a execução das despesas públicas.

O programa reúne ações orientadas à realização de um objetivo governamental. Ele funciona como uma referência para a organização e o acompanhamento das iniciativas públicas.

As ações orçamentárias representam operações das quais resultam produtos, bens ou serviços que contribuem para os objetivos dos programas. Conforme sua natureza, podem assumir a forma de projetos, atividades ou operações especiais.

Os produtos representam os bens ou serviços decorrentes das ações, quando aplicável. Já as metas físicas quantificam as entregas previstas para determinado período.

Por sua vez, as dotações orçamentárias estabelecem os valores autorizados para a realização das despesas, observadas as classificações e regras legais.

Também podem existir indicadores destinados a acompanhar os resultados dos programas e apoiar a avaliação das políticas públicas.

A combinação desses elementos permite analisar não apenas quanto o governo pretende gastar, mas também o que pretende realizar com os recursos disponíveis.

Quais são as principais características do orçamento-programa?

O orçamento-programa apresenta características que o diferenciam das técnicas orçamentárias tradicionais.

Uma das mais importantes é a orientação para objetivos. As despesas são organizadas de maneira que sua finalidade possa ser relacionada às ações governamentais.

Outra característica é a integração entre planejamento e orçamento. A elaboração das propostas orçamentárias considera os instrumentos de planejamento público, permitindo relacionar prioridades de governo e recursos financeiros.

Além disso, o modelo favorece a identificação de produtos e metas físicas, possibilitando acompanhar o andamento de determinadas ações.

A avaliação também ocupa uma posição relevante. O acompanhamento da execução pode fornecer informações para revisar prioridades, aperfeiçoar programas e orientar decisões futuras.

Por fim, o orçamento-programa contribui para o controle e a transparência dos gastos, pois amplia as possibilidades de análise sobre a destinação dos recursos públicos.

O orçamento-programa é voltado para resultados?

Sim. O orçamento-programa possui orientação para objetivos e resultados, embora não deva ser confundido integralmente com o orçamento por resultados ou orçamento de desempenho.

Na prática, ele estabelece uma relação entre os recursos financeiros, os programas governamentais e as ações necessárias para alcançar determinados objetivos.

Entretanto, existe uma diferença importante entre acompanhar a execução de uma ação e avaliar seus efeitos sobre a sociedade.

Por exemplo, construir cinco escolas representa uma entrega física que pode ser acompanhada pelo orçamento. Já verificar se essas escolas contribuíram para melhorar o acesso à educação exige indicadores e avaliações adicionais.

Portanto, o orçamento-programa oferece uma base para a gestão orientada a resultados, mas a avaliação efetiva das políticas públicas depende de instrumentos complementares.

Qual é a diferença entre orçamento tradicional e orçamento-programa?

A principal diferença entre o orçamento tradicional e o orçamento-programa está na forma como as despesas públicas são organizadas e analisadas.

O orçamento tradicional enfatiza os insumos utilizados pela administração, como pessoal, materiais, equipamentos e serviços. Sua preocupação central está na previsão das receitas e na autorização e controle dos gastos.

O orçamento-programa, por outro lado, procura relacionar esses gastos às finalidades da atuação governamental.

Veja as principais diferenças:

CritérioOrçamento tradicionalOrçamento-programa
ÊnfaseInsumos e despesasObjetivos, programas e ações
Questão centralEm que será gasto?Para que será gasto?
PlanejamentoMenor integração com objetivos programáticosIntegração com o planejamento
OrganizaçãoCategorias de despesa e unidades administrativasProgramas e ações governamentais
AcompanhamentoÊnfase no controle financeiroExecução financeira e física
AvaliaçãoFoco na regularidade dos gastosPossibilidade de avaliar entregas e resultados

Isso não significa que o orçamento-programa abandone o controle financeiro.

Pelo contrário, as despesas continuam sujeitas às classificações contábeis, aos limites autorizados e às normas de execução orçamentária.

A diferença é que o modelo acrescenta uma dimensão programática à análise dos recursos públicos.

Exemplo de orçamento tradicional e orçamento-programa

Imagine que um município reserve R$ 500 mil para comprar equipamentos destinados às escolas públicas.

Na lógica do orçamento tradicional, a informação principal seria a despesa prevista com aquisição de equipamentos.

Na perspectiva do orçamento-programa, essa mesma aquisição estaria vinculada a uma ação governamental, como a modernização da infraestrutura tecnológica das escolas.

Nesse segundo caso, a administração poderia estabelecer uma meta de equipar determinado número de unidades escolares.

Assim, o acompanhamento não ficaria restrito ao valor gasto. Também seria possível verificar quantas escolas receberam os equipamentos e se a ação foi executada conforme o planejamento.

Orçamento-programa e orçamento de desempenho: qual é a diferença?

O orçamento-programa e o orçamento de desempenho possuem características semelhantes, especialmente a preocupação em relacionar os gastos públicos às atividades e realizações governamentais.

Entretanto, existem diferenças conceituais entre as duas técnicas.

O orçamento de desempenho enfatiza as realizações da administração e a relação entre recursos utilizados e serviços produzidos.

Já o orçamento-programa incorpora uma estrutura de programas e ações vinculados aos objetivos do planejamento governamental.

Dessa maneira, o orçamento-programa procura responder não apenas quais atividades serão executadas, mas também como elas se relacionam às finalidades estabelecidas pelo governo.

Essa distinção aparece frequentemente em questões de concursos públicos sobre Administração Financeira e Orçamentária (AFO).

Embora as técnicas tenham evoluído ao longo do tempo e possam compartilhar instrumentos, é importante reconhecer suas características específicas.

Como surgiu o orçamento-programa no Brasil?

A evolução do orçamento-programa no Brasil está relacionada ao desenvolvimento das técnicas de planejamento e administração financeira do setor público.

Um marco importante foi a Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, que estabeleceu normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal.

O artigo 2º dessa lei determina que a Lei do Orçamento contenha a discriminação da receita e da despesa de forma a evidenciar a política econômico-financeira e o programa de trabalho do governo.

Posteriormente, o Decreto-Lei nº 200, de 1967, reforçou a importância do planejamento na administração federal e tratou do orçamento-programa anual como instrumento relacionado à programação governamental.

Com a Constituição Federal de 1988, o sistema brasileiro de planejamento e orçamento passou a contar com três instrumentos centrais: Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual.

Esses instrumentos estruturam o planejamento e a elaboração do orçamento público no país.

A evolução da classificação programática também recebeu contribuições de normas posteriores, incluindo a Portaria nº 42, de 1999, do então Ministério do Orçamento e Gestão.

Essa portaria estabeleceu conceitos relacionados a funções, subfunções, programas, projetos, atividades e operações especiais, com aplicação conforme suas disposições e alterações posteriores.

Qual é a relação entre orçamento-programa, PPA, LDO e LOA?

O orçamento-programa está diretamente relacionado ao sistema de planejamento e orçamento público previsto na Constituição Federal.

No Brasil, esse sistema utiliza três instrumentos fundamentais: PPA, LDO e LOA.

Embora tenham funções distintas, eles atuam de maneira integrada.

Plano Plurianual (PPA)

O Plano Plurianual estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes, os objetivos e as metas da administração pública para as despesas de capital e outras delas decorrentes, além das relativas aos programas de duração continuada.

Na esfera federal, o PPA possui vigência de quatro exercícios financeiros, iniciando no segundo ano do mandato presidencial e terminando no primeiro exercício do mandato seguinte.

O PPA representa uma referência para a organização do planejamento governamental de médio prazo.

No contexto do orçamento-programa, ele ajuda a estabelecer a conexão entre os objetivos estratégicos e as ações que serão executadas ao longo dos exercícios financeiros.

Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)

A Lei de Diretrizes Orçamentárias orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual.

Ela estabelece diretrizes e prioridades para o orçamento, observando as disposições constitucionais e as normas fiscais aplicáveis.

Além disso, a LDO exerce uma função de conexão entre o planejamento de médio prazo e a elaboração do orçamento anual.

A Lei de Responsabilidade Fiscal também atribui à LDO importantes conteúdos relacionados ao equilíbrio das contas públicas e à gestão fiscal.

Lei Orçamentária Anual (LOA)

A Lei Orçamentária Anual estima as receitas e fixa as despesas para determinado exercício financeiro.

É por meio dela que o governo estabelece as dotações necessárias à execução das ações orçamentárias, respeitando as regras legais.

Na esfera federal, a LOA compreende o orçamento fiscal, o orçamento de investimento das empresas estatais abrangidas pelas disposições constitucionais e o orçamento da seguridade social.

Assim, enquanto o PPA estabelece objetivos e metas de médio prazo, a LDO orienta a elaboração orçamentária e a LOA autoriza a execução das despesas previstas para o exercício.

O orçamento-programa se relaciona com essa estrutura ao organizar os recursos em programas e ações compatíveis com o planejamento governamental.

Quais são as etapas do orçamento-programa?

A aplicação do orçamento-programa envolve atividades de planejamento, programação, execução, acompanhamento e avaliação.

Essas atividades se relacionam com o ciclo orçamentário, embora não sejam necessariamente etapas legais autônomas ou idênticas em todos os entes públicos.

1. Identificação das necessidades e definição de objetivos

Inicialmente, a administração pública analisa os problemas e as necessidades que pretende enfrentar.

Essa análise pode considerar indicadores sociais, demandas da população, diagnósticos técnicos e prioridades estabelecidas nos instrumentos de planejamento.

A partir dessas informações, são definidos objetivos para orientar a atuação governamental.

2. Estruturação dos programas e ações

Depois de estabelecer os objetivos, o governo organiza os programas e as ações necessárias para executá-los.

Nessa etapa, é importante identificar a finalidade das iniciativas, os produtos esperados e, quando cabível, as metas físicas e os indicadores de acompanhamento.

Uma estrutura programática bem definida facilita a compreensão das prioridades governamentais.

3. Estimativa e alocação de recursos

Em seguida, a administração estima os recursos financeiros necessários para executar as ações previstas.

Essa definição precisa considerar as receitas estimadas, as despesas obrigatórias, os limites fiscais e as demais restrições legais.

A distribuição dos recursos exige decisões sobre prioridades, pois normalmente as demandas públicas superam a capacidade financeira disponível.

4. Execução orçamentária

Após a aprovação do orçamento e observadas as condições legais, os órgãos públicos executam as despesas autorizadas.

A execução envolve procedimentos como empenho, liquidação e pagamento, conforme a natureza da despesa e as normas aplicáveis.

Ao mesmo tempo, a administração acompanha a realização das ações e o cumprimento das metas estabelecidas.

5. Monitoramento e avaliação

O monitoramento compara o planejamento com a execução.

Nessa etapa, a administração pode verificar o andamento das ações, a utilização dos recursos e a realização das entregas previstas.

Já a avaliação procura analisar aspectos como eficiência, eficácia e efetividade das políticas públicas, utilizando métodos e indicadores adequados.

As informações obtidas podem orientar ajustes nos programas e contribuir para a elaboração dos orçamentos seguintes.

Quais são as vantagens do orçamento-programa?

Uma das principais vantagens do orçamento-programa é permitir uma visão mais ampla da aplicação dos recursos públicos.

Ao relacionar despesas, programas e ações, o modelo facilita a compreensão das prioridades governamentais e oferece informações úteis para a gestão.

Outra vantagem está na integração entre planejamento e execução. Essa relação ajuda os gestores a identificar quais iniciativas precisam de recursos para alcançar os objetivos estabelecidos.

O orçamento-programa também pode favorecer a transparência, especialmente quando as informações orçamentárias são apresentadas de maneira acessível à população.

Além disso, a existência de metas e produtos permite acompanhar a execução física das ações, complementando a análise financeira.

Para os órgãos de controle, essas informações podem contribuir para examinar a aplicação dos recursos e a realização das atividades governamentais.

Entretanto, os benefícios dependem da qualidade do planejamento, da disponibilidade de dados e da capacidade administrativa de acompanhar os programas.

Quais são as desvantagens e limitações do orçamento-programa?

Apesar de suas vantagens, o orçamento-programa apresenta desafios de implementação.

Um dos principais é a dificuldade de estabelecer objetivos e indicadores adequados para determinadas políticas públicas.

Enquanto algumas ações possuem produtos facilmente mensuráveis, outras envolvem resultados complexos, que dependem de diversos fatores externos.

Por exemplo, a quantidade de consultas médicas realizadas pode ser acompanhada por indicadores de produção. Entretanto, avaliar a melhoria das condições de saúde da população exige análises mais abrangentes.

Outra limitação envolve a necessidade de sistemas de informação confiáveis e equipes capacitadas.

Sem dados consistentes, o acompanhamento dos programas pode se tornar superficial e oferecer poucas informações para a tomada de decisões.

Também existe o risco de os programas serem definidos apenas para cumprir exigências formais, sem uma conexão efetiva com o planejamento e a gestão.

Por isso, a qualidade do orçamento-programa depende não apenas de sua estrutura, mas também da maneira como a administração utiliza as informações produzidas.

O que são projetos, atividades e operações especiais no orçamento-programa?

Na classificação orçamentária brasileira, as ações podem assumir diferentes formas, conforme suas características.

A distinção entre projetos, atividades e operações especiais é particularmente importante para compreender a estrutura do orçamento público.

Projetos

Os projetos envolvem operações limitadas no tempo, das quais resulta um produto que contribui para a expansão ou o aperfeiçoamento da ação governamental.

A construção de uma escola pública pode representar um exemplo de projeto.

Nesse caso, a ação possui uma finalidade específica e um período previsto para sua realização.

Atividades

As atividades envolvem operações realizadas de modo contínuo e permanente, das quais resulta um produto ou serviço necessário à manutenção da ação governamental.

Um exemplo é a manutenção dos serviços administrativos de determinado órgão público.

Diferentemente dos projetos, as atividades não possuem necessariamente um prazo definido para encerramento.

Operações especiais

As operações especiais representam despesas que não contribuem diretamente para a manutenção, expansão ou aperfeiçoamento das ações de governo, não resultam em produto e não geram contraprestação direta sob a forma de bens ou serviços.

Determinadas despesas relacionadas ao serviço da dívida pública podem ser classificadas nessa categoria, conforme as regras orçamentárias aplicáveis.

Essa diferenciação permite organizar as ações de acordo com sua natureza e finalidade.

Qual é a importância do orçamento-programa para a administração pública?

O orçamento-programa possui importância estratégica porque aproxima o planejamento governamental da utilização dos recursos financeiros.

Em um cenário de restrições orçamentárias, a administração precisa selecionar prioridades e distribuir recursos entre diferentes necessidades sociais.

A organização das despesas em programas e ações oferece uma estrutura para apoiar essas decisões.

Além disso, o orçamento-programa facilita a comunicação entre os órgãos responsáveis pelo planejamento, pelas finanças e pela execução das políticas públicas.

Sua importância também está relacionada à prestação de contas.

Quando o orçamento apresenta informações sobre programas, ações e metas, cidadãos, pesquisadores e órgãos de controle podem analisar a destinação dos recursos e acompanhar parte das entregas governamentais.

Entretanto, a transparência depende da divulgação de dados claros, atualizados e acessíveis.

Como o cidadão pode acompanhar o orçamento-programa?

No Brasil, o acompanhamento do orçamento público pode ocorrer por meio de portais de transparência, sistemas oficiais e documentos disponibilizados pelos governos.

Na esfera federal, o Portal da Transparência permite consultar informações sobre despesas, receitas, transferências e outros dados relacionados à aplicação dos recursos públicos.

Outra fonte importante é o SIOP — Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento, utilizado no âmbito federal para atividades relacionadas ao planejamento e ao orçamento.

Estados e municípios também disponibilizam informações orçamentárias em seus respectivos portais oficiais.

Ao consultar esses dados, o cidadão pode identificar programas, ações, valores previstos e despesas executadas, conforme o nível de detalhamento oferecido por cada sistema.

Como o orçamento-programa é cobrado em concursos públicos?

O orçamento-programa aparece com frequência em conteúdos de Administração Financeira e Orçamentária, Administração Pública e Contabilidade Pública.

As questões costumam explorar seu conceito, suas características e suas diferenças em relação a outras técnicas orçamentárias.

Uma afirmação comum em provas é que o orçamento-programa representa um instrumento de planejamento da ação governamental, no qual os recursos são organizados em função de objetivos e programas.

Essa afirmação está alinhada à lógica da técnica orçamentária.

Outra abordagem frequente envolve a comparação com o orçamento tradicional.

Nesse caso, é importante lembrar que o orçamento tradicional enfatiza os insumos e o controle das despesas, enquanto o orçamento-programa relaciona a alocação de recursos aos objetivos e às ações governamentais.

Também podem aparecer questões sobre a integração entre PPA, LDO e LOA, além da classificação das ações em projetos, atividades e operações especiais.

Orçamento-programa é o mesmo que orçamento base zero?

Não. O orçamento-programa e o orçamento base zero são técnicas distintas.

O orçamento-programa organiza a alocação dos recursos públicos em programas e ações vinculados a objetivos governamentais.

Já o orçamento base zero é uma abordagem de elaboração orçamentária que exige justificar as necessidades de recursos a partir de uma base de análise, sem simplesmente adotar os valores do período anterior como referência automática.

Portanto, enquanto o orçamento-programa enfatiza a estruturação das despesas por finalidades e ações, o orçamento base zero enfatiza a justificativa e a análise das propostas de gasto.

Essas técnicas não são necessariamente incompatíveis, pois tratam de aspectos diferentes da elaboração e da gestão orçamentária.

O orçamento-programa é obrigatório no Brasil?

O sistema orçamentário brasileiro utiliza uma estrutura programática para organizar as despesas públicas, observadas as normas constitucionais, legais e regulamentares aplicáveis.

A Lei nº 4.320/1964, o Decreto-Lei nº 200/1967, a Constituição Federal de 1988 e normas de classificação orçamentária contribuíram para a consolidação dessa abordagem.

Entretanto, é importante distinguir a utilização da classificação programática da adoção integral de práticas avançadas de gestão e avaliação por resultados.

A existência de programas e ações nos documentos orçamentários não significa, necessariamente, que todos os órgãos públicos realizem avaliações sistemáticas de efetividade ou utilizem indicadores de desempenho com o mesmo grau de desenvolvimento.

Na prática, a qualidade da gestão programática varia conforme a capacidade institucional, os instrumentos de planejamento e os procedimentos de acompanhamento adotados por cada ente público.

Qual é a diferença entre orçamento-programa e planejamento estratégico?

O planejamento estratégico estabelece objetivos, prioridades e diretrizes que orientam a atuação de uma organização no médio e longo prazo.

Na administração pública, ele pode envolver a definição de resultados desejados, desafios institucionais e estratégias para enfrentar problemas coletivos.

O orçamento-programa, por sua vez, relaciona recursos financeiros às ações necessárias para executar os objetivos governamentais.

Assim, os dois instrumentos possuem funções complementares.

Por exemplo, um governo pode estabelecer como objetivo estratégico melhorar a mobilidade urbana.

Para apoiar essa finalidade, pode estruturar programas e ações destinados à ampliação do transporte coletivo, à melhoria da infraestrutura viária e à modernização dos sistemas de mobilidade.

O orçamento-programa permite identificar as dotações destinadas a essas ações e acompanhar sua execução.

Dessa maneira, o planejamento estratégico ajuda a definir a direção da atuação governamental, enquanto a programação orçamentária contribui para organizar os meios financeiros necessários à sua implementação.

Conclusão

O orçamento-programa é um instrumento essencial para compreender como a administração pública organiza seus recursos financeiros em função de objetivos, programas e ações governamentais.

Sua principal contribuição está em ampliar a perspectiva do orçamento público, permitindo analisar não apenas os valores destinados às despesas, mas também as finalidades e as entregas associadas à aplicação desses recursos.

No Brasil, essa abordagem está relacionada ao sistema de planejamento e orçamento estruturado pelo PPA, pela LDO e pela LOA.

Para estudantes e profissionais da área pública, compreender o orçamento-programa significa conhecer uma das bases da gestão orçamentária governamental. Já para os cidadãos, esse conhecimento oferece melhores condições para acompanhar a destinação do dinheiro público e compreender as prioridades estabelecidas pelos governos.

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