Revisão de NCM em Operações de Importação

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A revisão periódica da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é uma medida de segurança e eficiência que toda empresa importadora deve adotar. Como a legislação aduaneira e a Tarifa Externa Comum (TEC) sofrem atualizações frequentes, uma classificação que estava correta há um ano pode estar defasada hoje. Realizar essa auditoria interna não é apenas uma tarefa burocrática, mas uma estratégia para evitar multas pesadas e identificar oportunidades de redução de custos tributários.

O Processo de Auditoria e Reclassificação

Primeiramente, a revisão deve começar pelo mapeamento dos itens de maior giro ou maior valor agregado na carteira de importações. O objetivo é validar se a descrição técnica do produto na Commercial Invoice está em perfeita sintonia com a Regra Geral de Interpretação (RGI) aplicada. Logo após essa conferência, o profissional deve verificar se houve alguma alteração nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), que servem como o guia oficial para a classificação global.

Muitas vezes, a revisão revela que um componente foi classificado como “partes e peças” genéricas, quando existe uma NCM específica com alíquota de Imposto de Importação menor. Consequentemente, a reclassificação técnica fundamentada pode gerar uma economia direta imediata. Assim sendo, a revisão de NCM deve ser tratada como um processo de saneamento da base de dados da empresa, garantindo que o custo de nacionalização seja o menor possível dentro da legalidade.

Identificação de Riscos e Passivos Aduaneiros

Posteriormente, a revisão atua na mitigação de riscos. A Receita Federal tem um prazo de até cinco anos para auditar declarações passadas. Se um fiscal identificar que a empresa utilizou uma NCM incorreta para pagar menos impostos, a autuação incluirá a diferença dos tributos, juros e uma multa que pode chegar a 75% sobre o valor da diferença.

Dessa forma, a auditoria interna permite que a empresa identifique esses erros antecipadamente. Atualmente, caso uma inconsistência seja encontrada, a empresa pode optar pela “denúncia espontânea”, corrigindo o erro e pagando os tributos devidos antes de qualquer ação fiscal, o que elimina a aplicação de multas de ofício. Portanto, revisar a NCM é uma ferramenta de compliance aduaneiro que protege o patrimônio e a reputação da organização perante o fisco.

Impacto nos Atributos e no Novo Processo de Importação

Com a implementação da DUIMP (Declaração Única de Importação), a revisão de NCM tornou-se ainda mais crítica devido aos Atributos. Os atributos são informações detalhadas e específicas que a Receita Federal exige para cada código NCM, visando substituir as descrições genéricas. Logo após a escolha da NCM, o sistema solicita dados técnicos que variam conforme o produto.

Se a NCM estiver incorreta, os atributos preenchidos também estarão em desacordo com a mercadoria, o que trava o processo no Portal Único e gera atrasos logísticos. Consequentemente, a revisão técnica deve garantir que a ficha técnica do produto no sistema de gestão (ERP) da empresa esteja alinhada com as exigências do novo processo de importação. Assim sendo, a precisão na classificação fiscal é o que garante a agilidade necessária para operar no Comércio Exterior moderno.

Tecnologia e Consultoria Técnica

Por fim, a complexidade de milhares de códigos na TEC exige o suporte de ferramentas tecnológicas e, em casos complexos, de consultoria jurídica ou técnica. Atualmente, existem softwares que monitoram alterações diárias no Diário Oficial e alertam sobre mudanças nas alíquotas ou na exigência de Licenciamento de Importação (LI). No entanto, a análise final sempre dependerá de um profissional que domine o inglês técnico para interpretar manuais e catálogos internacionais.

Portanto, a revisão de NCM não deve ser vista como um evento único, mas como uma rotina de excelência operacional. Profissionais que lideram esses processos de revisão garantem que a empresa navegue com segurança, aproveitando benefícios fiscais e mantendo-se longe das garras da fiscalização. Assim sendo, a inteligência técnica aplicada à classificação fiscal é um dos maiores ativos competitivos de um departamento de Comex de alta performance.


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