No cenário do comércio exterior em 2026, com a plena vigência da DUIMP e a integração total de dados no Portal Único, a precisão na escolha do termo de venda deixou de ser uma questão meramente logística para se tornar um fator crítico de compliance fiscal. Um equívoco na sigla utilizada pode resultar em multas pesadas, atrasos significativos no desembaraço e prejuízos financeiros diretos por má gestão de riscos. Para começar, é fundamental destacar que muitos profissionais ainda utilizam termos baseados em costumes antigos, ignorando as atualizações das regras da ICC 2020. Portanto, conhecer os erros comuns na escolha do Incoterm é vital para garantir a sustentabilidade e a lucratividade das suas importações e exportações.
1. Utilizar Termos Marítimos para Outros Modais
Este é, sem dúvida, o erro mais frequente em 2026. Siglas como FOB, CIF, CFR e FAS são de uso restrito ao transporte marítimo e hidroviário. O equívoco ocorre quando empresas aplicam “FOB” para um embarque aéreo ou rodoviário.
- O Risco: No modal aéreo, a transferência de risco ocorre na entrega ao terminal de carga, não “a bordo” de uma aeronave. Ao usar um termo marítimo incorretamente, a empresa cria uma lacuna jurídica sobre quem responde por danos ocorridos no armazém do aeroporto.
- A Solução: Para transporte aéreo, rodoviário ou multimodal, deve-se utilizar os termos equivalentes como FCA, CIP e CPT.
2. Falta de Precisão no Local de Entrega Designado
Muitos contratos são redigidos de forma genérica, como “FOB Santos” ou “DAP São Paulo”. Em 2026, com terminais portuários cada vez mais complexos e automatizados, essa imprecisão é perigosa.
Nesse sentido, o local designado após o Incoterm define onde termina a responsabilidade do vendedor. Se o ponto exato (terminal, armazém ou endereço) não for especificado, surgirão disputas sobre quem deve pagar as taxas de movimentação interna, capatazia (THC) e armazenagem. Certamente, a precisão geográfica é o primeiro passo para uma formação de preço correta.
3. Confundir Ponto de Custo com Ponto de Risco (Grupo C)
Este erro é clássico nos termos CIF, CFR, CIP e CPT. Muitos importadores acreditam que, como o vendedor paga o frete até o destino, ele também é o responsável por qualquer dano que ocorra no trajeto internacional.
- A Realidade: Nos termos do Grupo C, a transferência de risco ocorre na origem (no embarque), enquanto a transferência de custo ocorre no destino.
- A Consequência: Se a carga sofrer um sinistro no mar em uma compra CIF, o importador é quem deve acionar o seguro e gerenciar o prejuízo, pois a entrega legal já ocorreu no porto de embarque.
Tabela Comparativa: Erros vs. Práticas Corretas em 2026
Em primeiro lugar, o gestor de comex deve revisar sua política de compras e vendas. Abaixo, organizamos uma tabela para facilitar a identificação de falhas comuns:
| Prática Comum (Erro) | Prática Recomendada (Correta) | Por que mudar? |
| Usar FOB para carga aérea. | Usar FCA para carga aérea. | Adequação técnica e jurídica ao modal. |
| Usar EXW na exportação. | Usar FCA Fábrica. | Garante que o vendedor controle a DU-E. |
| Usar DDP para o Brasil. | Usar DAP + Acordo de Tributos. | Evita problemas com o Importador de Registro. |
| Omitir o terminal no CIF. | Especificar o terminal e porto. | Evita bi-tributação de taxas portuárias. |
Portanto, a escolha do termo impacta diretamente no cálculo do Valor Aduaneiro na DUIMP. Além do mais, em 2026, a Receita Federal utiliza cruzamento de dados para verificar se o frete e o seguro declarados condizem com o Incoterm utilizado, tornando o erro técnico uma porta aberta para auditorias fiscais.
Conclusão: Excelência Operacional no Comex
Finalmente, vale ressaltar que a escolha do Incoterm deve ser estratégica e baseada na capacidade logística da empresa. Por fim, em 2026, a excelência operacional é alcançada quando o profissional de comércio exterior domina não apenas as siglas, mas a interpretação jurídica de cada ponto de entrega. Certamente, evitar os erros comuns na escolha do Incoterm é o diferencial para manter a sustentabilidade do negócio e negociar com autoridade global.
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