Importação em Empresas do Lucro Presumido

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A importação para empresas enquadradas no regime do Lucro Presumido exige um planejamento estratégico apurado, especialmente no que diz respeito à recuperação de impostos. Diferente do Simples Nacional, este regime permite uma gestão mais técnica dos créditos tributários, mas ainda possui limitações que o diferenciam do Lucro Real. Atualmente, entender essas nuances é fundamental para calcular o custo real da mercadoria e garantir que a operação internacional seja financeiramente viável.

O Regime de Tributação e o Desembolso Inicial

Primeiramente, é importante destacar que, no momento do desembaraço aduaneiro, a empresa do Lucro Presumido deve recolher todos os tributos de importação da mesma forma que os demais regimes. O II, IPI, PIS, COFINS e o ICMS são pagos no registro da declaração. Logo após o pagamento, a mercadoria é liberada, mas é na fase contábil posterior que as características do Lucro Presumido se manifestam.

Diferente do Lucro Real, no Lucro Presumido as alíquotas de PIS e COFINS na importação costumam ser maiores, e o sistema é cumulativo. Consequentemente, a empresa não consegue se creditar desses valores para abater nos impostos devidos sobre as vendas internas. Assim sendo, esses tributos acabam se tornando um custo direto do produto, o que exige uma precificação muito mais cuidadosa para manter a margem de lucro.

Recuperação de Créditos: IPI e ICMS

Posteriormente, o gestor deve focar nos impostos que permitem a recuperação de crédito. Mesmo no Lucro Presumido, a empresa pode se creditar do IPI pago na importação, desde que seja uma indústria ou equiparada à indústria. Além disso, o ICMS pago no desembaraço gera crédito para abater o valor devido nas saídas (vendas) subsequentes.

Saber aproveitar esses créditos é o que diferencia uma operação eficiente de uma operação deficitária. Por esse motivo, a integração entre o departamento de Comex e a contabilidade é vital. Portanto, ao planejar a importação, o profissional precisa considerar que, embora o PIS e a COFINS pesem mais no custo, a correta gestão do IPI e do ICMS pode equilibrar a balança financeira da empresa.

Valoração Aduaneira e a Base de Cálculo

Outro fator crítico no Lucro Presumido é a valoração aduaneira correta. Como a base de cálculo dos tributos de importação é o valor aduaneiro (valor da carga + frete + seguro), qualquer erro na declaração desses valores impacta diretamente no montante de impostos pagos. Atualmente, a Receita Federal utiliza sistemas automatizados para conferir se os valores declarados estão de acordo com os preços de mercado.

Caso a empresa declare valores abaixo do real, ela fica exposta a multas pesadas e ao risco de retenção da carga. Consequentemente, manter um processo de auditoria interna para validar as faturas comerciais e os conhecimentos de embarque é uma prática indispensável de compliance. Assim sendo, a segurança jurídica da operação garante que a empresa mantenha sua habilitação no Radar Siscomex sem sobressaltos.

Planejamento Logístico e Comunicação Internacional

Por fim, a eficiência na importação para o Lucro Presumido também depende de uma logística enxuta. Reduzir o tempo de mercadoria parada no porto diminui as taxas de armazenagem, que no Brasil costumam ser elevadas. Para que isso ocorra, o profissional responsável deve dominar o inglês técnico para negociar prazos com fornecedores e garantir que a documentação chegue ao Brasil antes mesmo da carga.

Dessa forma, a agilidade na troca de informações evita erros de tradução técnica que poderiam causar atrasos no despacho aduaneiro. Profissionais capacitados conseguem gerenciar o fluxo documental com total autonomia, tratando diretamente com agentes de carga e bancos internacionais. Portanto, a combinação de conhecimento tributário e habilidade de comunicação é o que permite que empresas do Lucro Presumido escalem suas operações globais com sucesso.


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