Estoque de Mercadorias Importadas na Contabilidade: O Guia para 2026

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No comércio exterior, a gestão do estoque começa muito antes da mercadoria chegar ao armazém da empresa. Para a contabilidade, o desafio é determinar o momento exato da transferência de propriedade e, principalmente, quais custos devem ser “ativados” (somados ao valor do produto) e quais devem ser lançados como despesa.

Em 2026, com a Duimp consolidada e o novo sistema de créditos da Reforma Tributária (IBS e CBS), a precisão no registro do estoque importado é o que garante que seu balanço reflita a realidade financeira da operação.


Quando reconhecer o Estoque?

O erro mais comum é registrar a entrada da mercadoria apenas quando ela chega fisicamente à empresa. Contabilmente, o reconhecimento depende do Incoterm negociado:

  • Embarque (EXW, FOB, FCA): A propriedade é transferida na origem. A empresa já deve registrar o ativo como “Importações em Andamento” assim que a carga é entregue à transportadora no exterior.
  • Chegada (DAP, DDP): A propriedade só passa para o comprador no destino. Até lá, a mercadoria não aparece no balanço do importador.

A Composição do Custo de Aquisição

Diferente de uma compra nacional, o custo do estoque importado é um “bolo” composto por diversas camadas. Em 2026, a regra de ouro é: tudo o que é necessário para colocar a mercadoria em condições de venda/uso e não é recuperável deve compor o custo.

O que entra no custo do estoque:

  • Valor da mercadoria (convertido pelo câmbio da data do desembaraço).
  • Frete e Seguro internacional.
  • Imposto de Importação (II).
  • Taxas portuárias e armazenagem.
  • Honorários de despachante aduaneiro.

O que NÃO entra no custo (são créditos tributários):

  • IBS e CBS: Em 2026, esses tributos são plenamente não cumulativos. Eles não compõem o valor do estoque, mas sim uma conta de “Impostos a Recuperar”.

Fórmula de Custo de Estoque (Fácil de copiar)

Custo_Estoque = (Valor_FOB + Frete + Seguro + II + Despesas_Aduaneiras) – Tributos_Recuperáveis (IBS/CBS)


Fluxo Contábil da Importação

Para manter a organização, a contabilidade utiliza uma conta transitória no Ativo Circulante:

  1. Pagamento ao Fornecedor / Embarque:
    • Debita: Importações em Andamento
    • Credita: Bancos / Fornecedores Estrangeiros
  2. Pagamento de Impostos e Despesas no Despacho:
    • Debita: Importações em Andamento (para II e taxas)
    • Debita: IBS/CBS a Recuperar
    • Credita: Bancos
  3. Chegada no Armazém (Nacionalização):
    • Debita: Estoque de Mercadorias
    • Credita: Importações em Andamento (pelo valor total acumulado)

Impacto da Variação Cambial

Certamente, o câmbio é o maior gerador de ajustes contábeis. A mercadoria deve ser registrada na data do desembaraço aduaneiro. Se houver diferença entre o valor registrado e o valor efetivamente pago ao fornecedor (devido à oscilação do dólar), essa diferença deve ser lançada como Variação Cambial Ativa ou Passiva (Receita ou Despesa Financeira), e não alterada no custo do estoque após a entrada.


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