A exportação para países da Ásia representa uma grande oportunidade para empresas brasileiras que desejam ampliar sua atuação internacional. Destinos como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Emirados Árabes e Vietnã são compradores relevantes de produtos agroindustriais, minerais, químicos, alimentos processados, carnes e outros itens nacionais. Porém, cada país asiático possui exigências específicas de documentação, e a preparação correta é essencial para evitar atrasos, retenções ou sanções alfandegárias.
Neste artigo, você vai descobrir quais são os principais documentos exigidos na exportação para a Ásia, quais variações considerar por país e quais cuidados são indispensáveis para garantir uma operação segura, legal e fluida.
O que considerar ao exportar para a Ásia?
Diferente da exportação regional (como Mercosul), as operações com a Ásia envolvem:
- Acordos comerciais bilaterais ou multilaterais (em vez de blocos);
- Requisitos técnicos e sanitários rigorosos, especialmente em alimentos;
- Barreiras não tarifárias, como padrões de rotulagem, certificações e controles fitossanitários;
- Diversidade cultural, linguística e regulatória entre os países do continente.
Por isso, a documentação deve ser precisa, completa e adaptada ao destino final.
Documentos essenciais na exportação para a Ásia
1. Fatura Comercial (Commercial Invoice)
Documento fundamental, deve conter:
- Exportador e importador com dados completos;
- Descrição detalhada da mercadoria, incluindo qualidade, tipo, especificações técnicas, número de lote (se aplicável);
- Quantidade, valor unitário e total;
- Incoterm, moeda e condições de pagamento;
- Assinatura e carimbo do exportador (alguns países asiáticos exigem isso para validade).
2. Nota Fiscal de Exportação
Emitida pela empresa exportadora no Brasil, deve conter:
- CFOP 7.101 ou 7.102;
- Valores em reais e referência à moeda estrangeira;
- NCM e descrição compatíveis com a invoice e DU-E;
- Informações complementares como número da DU-E e local de embarque.
3. Declaração Única de Exportação (DU-E)
Documento eletrônico gerado no Portal Único Siscomex. Deve ser:
- Vinculado à nota fiscal eletrônica (NF-e);
- Preenchido com NCM, peso, volumes, valores e tratamentos administrativos;
- Compatível com qualquer licenciamento exigido (LPCO).
4. Conhecimento de Transporte Internacional
Modal depende do destino e tipo de produto:
- BL (Bill of Lading) – marítimo, para a maioria dos envios para Ásia;
- AWB (Air Waybill) – transporte aéreo, comum para perecíveis ou carga urgente;
- Deve indicar consignatário, porto/aeroporto de destino, peso e número de volumes.
5. Packing List
Complementa a invoice e detalha:
- Volumes, dimensões, peso líquido e bruto;
- Conteúdo por embalagem;
- Identificação clara do produto (lote, código, etiqueta).
6. Certificado de Origem
Pode ser exigido de duas formas:
- Modelo geral (emitido por entidade como CNI, FIESP ou Fecomércio);
- Certificado sob acordo comercial (ex: Acordo de Preferência Tarifária com Índia, ACEs com Coreia, China ou outros).
Dica: Consulte se o país de destino tem acordo vigente com o Brasil para obter benefícios tarifários.
7. Certificados Sanitários e Fitossanitários
Exigidos principalmente em alimentos, carnes, frutas, vegetais e produtos agroindustriais:
- MAPA emite certificados fitossanitários e sanitários internacionais;
- Inspeções pré-embarque podem ser exigidas por países como China, Indonésia e Japão;
- Carnes e laticínios exigem habilitação prévia dos frigoríficos junto ao país importador.
8. LPCO (Licenças, Permissões, Certificados e Outros)
Obrigatórios para produtos que exigem anuência de órgãos como:
- MAPA – produtos de origem vegetal/animal;
- ANVISA – cosméticos, fármacos, alimentos processados e suplementos;
- IBAMA – madeira, minerais, resíduos.
9. Certificados Especiais (quando exigidos por país)
Exemplos:
- GACC – registro de fabricantes de alimentos exportados à China;
- Halal – exigido por países muçulmanos (ex: Indonésia, Emirados Árabes);
- Kosher – pode ser exigido por compradores específicos (ex: Israel);
- Certificado de análise laboratorial – comum para exportação de químicos e alimentos processados.
Boas práticas na exportação para a Ásia
- Estude a legislação do país de destino antes da negociação;
- Padronize sua documentação com descrições claras em inglês técnico;
- Garanta consistência entre invoice, packing list, DU-E e certificados;
- Inclua número de lote e data de fabricação/validade, se aplicável;
- Mantenha todos os registros por 5 anos e digitalizados.
Conclusão
A exportação para a Ásia exige atenção a detalhes documentais e técnicos, pois os países asiáticos mantêm exigências específicas e rigorosas, especialmente em setores como alimentos, saúde e tecnologia. Ao organizar adequadamente os documentos e respeitar os protocolos de cada mercado, sua empresa estará mais próxima de expandir com segurança e eficiência no maior continente importador do mundo.
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