A NCM de produto importado é um dos elementos mais importantes de uma operação de importação no Brasil. A classificação fiscal da mercadoria influencia a aplicação de tributos, o tratamento administrativo e diversas obrigações relacionadas ao processo aduaneiro. Por isso, escolher um código apenas porque a descrição “parece combinar” com o produto pode resultar em problemas.
NCM significa Nomenclatura Comum do Mercosul. Cada mercadoria deve ser enquadrada no código correspondente às suas características, considerando as regras de classificação aplicáveis. Para chegar à NCM correta, muitas vezes é necessário conhecer composição, função, material, aplicação e características técnicas do produto.
Neste artigo, você vai entender como descobrir a NCM de um produto importado, onde consultar o código e por que uma classificação incorreta pode gerar custos e complicações durante a importação.
O que é NCM de produto importado?
A NCM é um código de oito dígitos utilizado para classificar mercadorias no âmbito do Mercosul.
Ela se baseia no Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), utilizado internacionalmente para organizar produtos dentro de uma estrutura padronizada.
Isso permite que mercadorias completamente diferentes sejam classificadas em posições específicas.
Máquinas, roupas, alimentos, produtos químicos, componentes eletrônicos, móveis, brinquedos e milhares de outros produtos possuem enquadramentos próprios.
Na importação, portanto, não basta informar algo genérico como “peça”, “equipamento” ou “produto eletrônico”. É necessário identificar corretamente a mercadoria e determinar sua classificação fiscal.
Quantos números tem uma NCM?
O código NCM possui oito dígitos.
Sua estrutura deriva do Sistema Harmonizado. Os seis primeiros dígitos estão relacionados à estrutura internacional do SH, enquanto os níveis adicionais permitem detalhamento dentro da Nomenclatura Comum do Mercosul.
Um código pode ser visualizado no formato:
0000.00.00
Cada parte da estrutura possui significado dentro da nomenclatura.
Por isso, alterar apenas um número pode levar a mercadoria para uma classificação diferente.
Esse detalhe é fundamental porque duas mercadorias visualmente semelhantes podem possuir classificações distintas devido a diferenças de função, composição ou características técnicas.
Para que serve a NCM na importação?
A NCM do produto importado possui diversas funções dentro de uma operação de comércio exterior.
Uma das mais conhecidas é permitir a identificação do tratamento tributário aplicável à mercadoria.
Entretanto, sua importância vai muito além dos impostos.
A classificação fiscal também pode influenciar a identificação de tratamentos administrativos e outras exigências relacionadas à importação.
Por isso, a NCM está conectada a diferentes etapas do processo.
Uma classificação incorreta pode fazer a empresa calcular custos de forma errada antes mesmo de realizar a compra internacional.
Como descobrir a NCM de um produto importado?
Para descobrir a NCM correta de um produto importado, o primeiro passo é conhecer profundamente a mercadoria.
Não comece procurando apenas pelo nome comercial.
Antes, reúna informações como:
- nome técnico;
- função principal;
- composição;
- material predominante;
- forma de funcionamento;
- aplicação;
- características técnicas;
- componentes;
- forma de apresentação.
Quanto mais complexo for o produto, mais importante será possuir documentação técnica detalhada.
Um equipamento industrial, por exemplo, pode exigir análise de catálogo, manual, ficha técnica e descrição de funcionamento.
Como consultar a NCM de produto importado?
A consulta deve ser realizada utilizando fontes oficiais e a nomenclatura vigente.
Uma das ferramentas disponíveis é o Classif, sistema oficial de classificação fiscal de mercadorias, que permite pesquisar informações relacionadas à NCM e consultar a estrutura da nomenclatura.
Também é importante analisar as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, além das Notas de Seção, Notas de Capítulo e demais elementos relevantes para a classificação.
Ou seja, pesquisar uma palavra e selecionar o primeiro resultado encontrado não é necessariamente suficiente.
A classificação fiscal é um processo técnico.
Posso descobrir a NCM pelo nome do produto?
O nome comercial pode servir como ponto inicial de pesquisa, mas não deve ser o único critério para determinar uma NCM.
Considere a palavra “bomba”.
Ela pode se referir a uma bomba hidráulica, bomba de combustível, bomba de ar, equipamento industrial ou diversos outros produtos.
Pesquisar apenas “bomba” não fornece informações suficientes para determinar a classificação correta.
O mesmo acontece com termos como:
“peça”, “máquina”, “sensor”, “válvula”, “controlador”, “adaptador” ou “acessório”.
A classificação depende das características reais da mercadoria.
Como encontrar NCM pela descrição do produto?
Uma boa estratégia é transformar a descrição comercial em uma descrição técnica.
Imagine que o fornecedor estrangeiro descreva determinado item simplesmente como:
“Electronic device”.
Isso é insuficiente.
O importador precisa descobrir:
- o que o equipamento faz;
- como funciona;
- quais são seus componentes;
- para que será utilizado;
- quais são suas especificações;
- se possui alguma função principal específica.
A partir dessas informações, torna-se possível pesquisar posições potencialmente aplicáveis e posteriormente analisar as regras de classificação.
NCM da Invoice pode ser usada automaticamente?
Esse é um erro que merece atenção.
O fornecedor estrangeiro pode informar um código HS Code na Commercial Invoice. Porém, isso não significa que o importador brasileiro deva simplesmente copiar o código integralmente e utilizá-lo como NCM.
O Sistema Harmonizado possui estrutura internacional até determinado nível, enquanto a NCM possui detalhamento próprio utilizado no Mercosul.
Além disso, o código informado pelo fornecedor pode estar incorreto ou refletir o enquadramento utilizado no país de origem.
Portanto, o importador precisa verificar a classificação aplicável no Brasil.
Qual a diferença entre NCM e HS Code?
HS Code e NCM estão relacionados, mas não são exatamente a mesma coisa.
O HS, ou Sistema Harmonizado, estabelece uma estrutura internacional para classificação de mercadorias.
A NCM utiliza essa estrutura como base e acrescenta detalhamentos aplicáveis no Mercosul.
De maneira simplificada:
HS Code → estrutura internacional de classificação
NCM → nomenclatura utilizada no Mercosul baseada no Sistema Harmonizado
Essa diferença é muito importante nas importações.
Um fornecedor chinês, americano ou europeu pode enviar um HS Code, mas o profissional brasileiro ainda precisa confirmar a NCM aplicável à operação.
O fornecedor deve informar a NCM?
O fornecedor estrangeiro pode fornecer informações sobre a classificação utilizada por ele, mas isso não transfere automaticamente a responsabilidade pela correta classificação da mercadoria na importação brasileira.
O importador deve obter do fornecedor principalmente informações técnicas completas sobre o produto.
Catálogos, fichas técnicas, composição, fotografias, manuais e especificações podem ser muito mais úteis para determinar a NCM do que simplesmente perguntar:
“Qual é a NCM?”
Um fornecedor localizado fora do Mercosul pode nem trabalhar normalmente com a NCM brasileira.
Ele provavelmente estará mais familiarizado com o código utilizado em sua própria jurisdição.
NCM de produto chinês: como descobrir?
Não existe uma NCM específica simplesmente porque o produto veio da China.
A NCM de um produto importado da China é determinada pelas características da mercadoria, e não apenas pelo país de origem.
Assim, um mesmo produto pode possuir determinada classificação independentemente de ter sido comprado na China, Estados Unidos ou Alemanha, desde que suas características relevantes para a classificação sejam as mesmas.
O fornecedor chinês pode informar um HS Code.
Use essa informação como referência inicial, quando apropriado, mas faça a análise conforme a nomenclatura e as regras aplicáveis no Brasil.
NCM influencia os impostos de importação?
Sim. Esse é um dos motivos pelos quais a classificação fiscal exige tanta atenção.
A NCM está diretamente relacionada à identificação do tratamento tributário da mercadoria.
Dependendo da operação e do produto, a importação pode envolver tributos como Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação, Cofins-Importação e ICMS, observadas as respectivas regras de cálculo e incidência.
Além disso, podem existir medidas específicas aplicáveis a determinadas mercadorias ou origens.
Consequentemente, utilizar uma NCM incorreta durante uma simulação de custos pode fazer uma empresa acreditar que determinada importação terá uma carga tributária diferente da efetivamente aplicável.
Exemplo de como a NCM afeta uma importação
Imagine uma empresa planejando importar uma máquina.
Antes de fechar a compra, o profissional responsável realiza uma estimativa do custo da operação.
Ele considera:
valor da mercadoria + frete internacional + seguro, quando aplicável + tributos + despesas logísticas + custos aduaneiros + transporte nacional.
Para estimar corretamente vários desses elementos, é necessário identificar o enquadramento fiscal adequado da mercadoria.
Se a empresa utilizar uma NCM errada, a projeção poderá ficar incorreta.
O problema pode ser descoberto somente depois que a carga já estiver embarcada, quando alterar decisões comerciais será muito mais difícil.
Por isso, a classificação deve ser analisada preferencialmente antes da importação.
NCM e tratamento administrativo da importação
Outro motivo para descobrir corretamente a NCM do produto importado é verificar o tratamento administrativo aplicável.
Dependendo da mercadoria, podem existir controles ou exigências específicas e participação de órgãos competentes.
Produtos sujeitos a controles sanitários, agropecuários, ambientais, de segurança ou outras regulamentações podem exigir procedimentos adicionais.
A NCM é uma das informações utilizadas para identificar tratamentos aplicáveis, embora a análise não deva se limitar isoladamente ao código.
Por isso, classificar corretamente a mercadoria antes do embarque ajuda a identificar antecipadamente possíveis exigências.
NCM e descrição da mercadoria
Ter uma NCM correta não significa que a descrição da mercadoria possa ser genérica.
A descrição deve permitir a identificação adequada do produto conforme as exigências aplicáveis à operação.
Expressões excessivamente vagas podem dificultar a análise.
Em vez de descrever simplesmente:
“peças de máquina”,
pode ser necessário apresentar informações mais específicas que identifiquem adequadamente a mercadoria.
A qualidade da descrição documental é extremamente importante no comércio exterior.
O que acontece se colocar a NCM errada?
Uma NCM incorreta na importação pode gerar diferentes consequências conforme a situação.
A classificação errada pode resultar em cálculo inadequado de tributos, tratamento administrativo incorreto e divergências durante a fiscalização.
Dependendo do caso, podem existir exigências para correção das informações, recolhimento de diferenças tributárias e aplicação das consequências previstas na legislação.
Além disso, mesmo quando o problema é solucionado, a empresa pode sofrer custos indiretos.
Uma carga parada por mais tempo pode gerar armazenagem, demurrage em determinadas operações com contêineres e atrasos na cadeia produtiva.
Por isso, a classificação fiscal também é uma questão de gestão de risco.
Posso escolher uma NCM com imposto menor?
Não.
A empresa não deve escolher a NCM simplesmente com base na alíquota mais favorável.
O código precisa corresponder à classificação correta da mercadoria segundo as regras aplicáveis.
Imagine que duas posições pareçam semelhantes, mas uma possua Imposto de Importação menor.
Isso não permite que o importador escolha livremente a opção mais barata.
Primeiro é necessário determinar tecnicamente qual classificação corresponde ao produto.
Somente depois devem ser analisados os tributos resultantes.
Como saber se duas NCMs são possíveis?
Existem situações em que a classificação não é evidente.
Isso ocorre principalmente com produtos complexos, multifuncionais, conjuntos, partes, acessórios e mercadorias compostas por diferentes materiais.
Nesses casos, é necessário aprofundar a análise utilizando as regras de interpretação do Sistema Harmonizado e as notas pertinentes.
Também podem existir entendimentos oficiais sobre a classificação de determinadas mercadorias.
Por isso, quando houver dúvida relevante, principalmente em operações de grande valor ou recorrentes, a empresa deve buscar análise técnica adequada.
Soluções de Consulta ajudam a descobrir a NCM?
As decisões e entendimentos oficiais relacionados à classificação fiscal podem ser extremamente úteis.
Eles permitem verificar como a administração tributária analisou determinadas mercadorias em situações específicas.
Entretanto, encontrar uma decisão referente a um produto “parecido” não significa automaticamente que ela se aplica ao seu produto.
Pequenas diferenças técnicas podem alterar a classificação.
Por isso, compare cuidadosamente as características descritas com a mercadoria que será importada.
NCM de peças e componentes importados
A classificação de peças importadas merece atenção especial.
É comum pensar que toda peça utilizada em determinada máquina deve ser classificada automaticamente como “parte da máquina”.
Nem sempre é assim.
A nomenclatura pode estabelecer tratamentos específicos para determinados componentes, materiais ou produtos.
Uma peça que possui classificação própria pode não ser enquadrada simplesmente na posição da máquina em que será instalada.
Esse é um dos motivos pelos quais a análise das notas e regras de classificação é tão importante.
NCM de máquinas importadas
Máquinas e equipamentos podem apresentar desafios adicionais.
Para classificá-los, pode ser necessário entender:
- função da máquina;
- princípio de funcionamento;
- aplicação;
- componentes;
- capacidade;
- características técnicas;
- existência de múltiplas funções.
Em determinados equipamentos industriais, apenas uma fotografia não fornece informações suficientes.
O profissional pode precisar solicitar ao fabricante manual técnico, catálogo, datasheet e descrição detalhada do funcionamento.
Essa documentação também pode ser útil em eventual necessidade de comprovação das características do produto.
NCM deve ser conferida antes de comprar?
Preferencialmente, sim.
Descobrir a NCM somente depois que a mercadoria chegou ao Brasil pode ser tarde para um planejamento eficiente.
Antes de confirmar uma importação, a empresa deve conhecer o produto, analisar sua classificação e verificar os impactos tributários e administrativos.
Uma sequência mais segura é:
identificar o produto → reunir documentação técnica → analisar a NCM → verificar tratamento administrativo → calcular custos → confirmar viabilidade → negociar e embarcar.
Essa análise prévia reduz significativamente o risco de surpresas.
Quem é responsável pela classificação fiscal?
Diversos profissionais podem participar da análise operacional, incluindo equipes de comércio exterior, especialistas em classificação e prestadores envolvidos no despacho.
Entretanto, a empresa importadora precisa tratar a classificação fiscal como uma informação crítica da operação e assegurar que exista suporte técnico adequado para o enquadramento utilizado.
Não é recomendável simplesmente copiar códigos utilizados por concorrentes, fornecedores ou sites da internet.
Dois produtos aparentemente iguais podem apresentar características técnicas diferentes.
Como consultar a NCM corretamente?
Uma consulta eficiente começa pela identificação técnica da mercadoria.
Depois disso, o profissional deve pesquisar a estrutura da nomenclatura e analisar as posições potencialmente aplicáveis.
Em seguida, deve verificar as Regras Gerais para Interpretação, Notas de Seção, Notas de Capítulo e demais elementos pertinentes.
Quando necessário, também é importante consultar entendimentos oficiais relacionados à classificação.
A Receita Federal mantém informações e orientações sobre classificação fiscal, enquanto ferramentas oficiais permitem pesquisar a nomenclatura vigente.
Como a NCM pode sofrer alterações ao longo do tempo, sempre confirme se o código utilizado continua vigente na data da operação.
Como evitar erros na NCM de produto importado?
A principal recomendação é não tratar a classificação como uma simples pesquisa de palavras.
Conheça tecnicamente o produto.
Solicite documentação completa ao fabricante.
Não copie automaticamente o HS Code da Invoice.
Confirme se a NCM está vigente.
Analise as regras de classificação e as notas correspondentes.
E, principalmente, faça essa análise antes do embarque internacional.
Quanto mais cedo uma divergência for descoberta, maiores são as possibilidades de corrigir o planejamento sem comprometer a operação.
NCM e Comércio Exterior na prática
A classificação fiscal demonstra bem por que trabalhar com comércio exterior exige mais do que conhecer definições.
Na prática, o profissional recebe documentos do fornecedor, verifica informações da mercadoria, conversa com agentes, analisa custos, acompanha o embarque e precisa identificar inconsistências antes que elas se transformem em problemas.
Além disso, muitos documentos e comunicações chegam em inglês.
Termos como HS Code, part number, material, composition, technical specification, intended use, model, manufacturer e product description aparecem frequentemente nas trocas de e-mails.
Por isso, conhecimento técnico de comex e inglês profissional estão diretamente conectados.
Conclusão
A NCM de produto importado é o código utilizado para classificar fiscalmente a mercadoria conforme a Nomenclatura Comum do Mercosul.
Ela possui oito dígitos e desempenha papel fundamental na importação porque está relacionada ao tratamento tributário e administrativo da mercadoria.
Para encontrar a NCM correta, não basta pesquisar o nome comercial do produto. É necessário conhecer suas características técnicas, função, composição, aplicação e demais elementos relevantes para aplicar corretamente as regras de classificação.
Também não é recomendável copiar automaticamente o HS Code fornecido por um fabricante estrangeiro.
Uma classificação incorreta pode gerar diferença de impostos, exigências, atrasos e custos adicionais. Por isso, a classificação da NCM deve fazer parte do planejamento da importação antes do embarque da mercadoria.
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