Ações em tesouraria é ativo ou passivo? Essa é uma dúvida comum em Contabilidade, principalmente ao estudar balanço patrimonial e patrimônio líquido. A resposta direta é: ações em tesouraria não são classificadas como ativo nem como passivo. Elas aparecem no patrimônio líquido como uma conta redutora, ou seja, com saldo devedor.
Isso ocorre porque ações em tesouraria representam, de maneira geral, ações emitidas pela própria companhia e posteriormente adquiridas por ela, observadas as regras aplicáveis. Enquanto permanecem em tesouraria, esses títulos reduzem o patrimônio líquido da entidade.
Ações em tesouraria é ativo ou passivo?
As ações em tesouraria não são ativo nem passivo. No balanço patrimonial, elas são apresentadas como uma dedução do patrimônio líquido.
Essa classificação costuma causar confusão porque a empresa utiliza recursos para adquirir as próprias ações. Assim, alguém poderia imaginar que essas ações passariam a representar um investimento registrado no ativo.
Contabilmente, porém, a lógica é diferente. A aquisição das próprias ações representa uma transação com instrumentos patrimoniais da própria entidade. Por isso, o valor das ações adquiridas é reconhecido como redução do patrimônio líquido.
De forma simplificada:
Ações em tesouraria = conta redutora do patrimônio líquido.
Portanto, quando uma questão perguntar se ações em tesouraria é ativo ou passivo, a alternativa correta, em regra, será aquela que indicar sua classificação no patrimônio líquido como conta redutora.
O que são ações em tesouraria?
Ações em tesouraria são ações da própria companhia que foram adquiridas por ela e permanecem mantidas em tesouraria.
Imagine, por exemplo, que determinada companhia tenha ações negociadas no mercado. Em determinadas circunstâncias e respeitando as normas aplicáveis, ela pode recomprar parte dessas ações.
Depois da aquisição, essas ações passam a ser chamadas de ações em tesouraria enquanto estiverem sob controle da própria companhia.
É importante não confundir essa situação com a compra de ações de outra empresa. Quando uma entidade adquire participação em outra companhia, a classificação contábil dependerá da natureza e finalidade desse investimento e das normas aplicáveis.
Quando a companhia adquire suas próprias ações, entretanto, estamos diante de uma operação envolvendo instrumentos patrimoniais próprios.
Por que ações em tesouraria não são ativo?
Para entender por que ações em tesouraria não são ativo, é necessário observar a essência da operação.
Quando uma companhia compra ações de outra empresa, ela pode adquirir um recurso capaz de produzir benefícios econômicos. Dependendo das características da operação, esse investimento poderá ser reconhecido no ativo.
A situação muda quando a companhia compra suas próprias ações.
Nesse caso, ela não está adquirindo um ativo financeiro contra si mesma para reconhecê-lo como um recurso independente. A operação representa uma transação com o próprio patrimônio.
Por isso, as ações próprias adquiridas são apresentadas como dedução do patrimônio líquido.
Esse tratamento evita uma interpretação equivocada segundo a qual uma companhia poderia aumentar seus ativos simplesmente adquirindo instrumentos patrimoniais emitidos por ela mesma.
Ações em tesouraria são conta redutora do patrimônio líquido
Essa é provavelmente a informação mais importante para provas, exercícios e estudos sobre o assunto:
ações em tesouraria são apresentadas como conta redutora do patrimônio líquido.
Isso significa que seu saldo reduz o valor total apresentado no patrimônio líquido.
Considere um exemplo bastante simplificado.
Uma companhia apresenta:
Capital social: R$ 1.000.000
Reservas: R$ 300.000
Ações em tesouraria: R$ 100.000
Desconsiderando outras contas, teríamos:
R$ 1.000.000 + R$ 300.000 − R$ 100.000 = R$ 1.200.000
As ações em tesouraria aparecem reduzindo o patrimônio líquido.
Portanto, embora estejam localizadas dentro do grupo do patrimônio líquido no balanço patrimonial, possuem natureza redutora.
Ações em tesouraria têm natureza devedora ou credora?
As ações em tesouraria possuem natureza devedora, justamente porque funcionam como uma conta redutora do patrimônio líquido.
Normalmente, as principais contas positivas do patrimônio líquido apresentam natureza credora. Entretanto, contas redutoras funcionam no sentido contrário.
Assim, temos:
Patrimônio líquido: predominantemente natureza credora.
Ações em tesouraria: natureza devedora e redutora do patrimônio líquido.
Essa característica costuma aparecer em questões de Contabilidade que perguntam sobre a natureza das contas.
Ações em tesouraria ficam no patrimônio líquido?
Sim. As ações em tesouraria são apresentadas como dedução dentro do patrimônio líquido.
A Lei nº 6.404/1976, conhecida como Lei das Sociedades por Ações, determina no artigo 182, § 5º, que as ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos utilizados para sua aquisição.
Portanto, existe fundamento legal para essa forma de apresentação.
O que acontece quando uma empresa recompra suas próprias ações?
Quando uma companhia adquire suas próprias ações dentro das hipóteses permitidas, ocorre uma saída de recursos da entidade.
Suponha que uma empresa utilize R$ 50.000 disponíveis em caixa para adquirir suas próprias ações.
De maneira simplificada, teremos uma redução de R$ 50.000 no caixa e, simultaneamente, o reconhecimento de R$ 50.000 em ações em tesouraria como redução do patrimônio líquido.
Assim, a operação afeta tanto o ativo quanto o patrimônio líquido.
Isso não significa que as ações em tesouraria passaram a integrar o ativo. O ativo diminuiu porque houve saída de caixa. Em contrapartida, o patrimônio líquido também foi reduzido.
Exemplo de ações em tesouraria no balanço patrimonial
Imagine uma companhia com o seguinte balanço simplificado antes da recompra:
Ativo
Caixa e equivalentes: R$ 500.000
Outros ativos: R$ 1.500.000
Total do ativo: R$ 2.000.000
Passivo
Obrigações: R$ 800.000
Patrimônio líquido
Capital e demais contas: R$ 1.200.000
O total do passivo mais patrimônio líquido também corresponde a R$ 2 milhões.
Agora imagine que a empresa utilize R$ 100.000 do caixa para adquirir suas próprias ações.
Após a operação, de maneira bastante simplificada, o ativo passa para R$ 1.900.000.
No patrimônio líquido, aparecem R$ 100.000 em ações em tesouraria como dedução:
Capital e demais contas: R$ 1.200.000
(-) Ações em tesouraria: R$ 100.000
Patrimônio líquido: R$ 1.100.000
Somando R$ 800.000 de passivos com R$ 1.100.000 de patrimônio líquido, chegamos novamente aos R$ 1.900.000 registrados no ativo.
Esse exemplo ajuda a visualizar por que ações em tesouraria não são classificadas como ativo.
Como contabilizar ações em tesouraria?
Em uma situação simplificada, a aquisição de ações próprias envolve o reconhecimento de um débito na conta de ações em tesouraria e um crédito na conta que representa o recurso utilizado para pagamento.
Por exemplo:
Débito: Ações em Tesouraria
Crédito: Caixa/Bancos
Suponha que uma companhia adquira R$ 80.000 de suas próprias ações mediante pagamento à vista.
O lançamento simplificado seria:
D – Ações em Tesouraria: R$ 80.000
C – Caixa/Bancos: R$ 80.000
Observe que o débito em ações em tesouraria não transforma a conta em ativo. Sua classificação continua sendo de conta redutora do patrimônio líquido.
Isso mostra por que não se deve determinar a classificação de uma conta apenas pelo fato de possuir saldo devedor ou credor.
Ações em tesouraria são despesa?
Não. Ações em tesouraria também não devem ser tratadas simplesmente como uma despesa da empresa.
A aquisição das próprias ações constitui uma transação patrimonial.
De acordo com o CPC 39 – Instrumentos Financeiros: Apresentação, quando uma entidade readquire seus próprios instrumentos patrimoniais, esses instrumentos devem ser deduzidos do patrimônio líquido. Além disso, não se reconhece ganho ou perda no resultado pela compra, venda, emissão ou cancelamento dos próprios instrumentos patrimoniais da entidade.
Essa distinção é fundamental.
Se a recompra fosse registrada simplesmente como uma despesa, ela afetaria diretamente o resultado do período. O tratamento contábil dos instrumentos patrimoniais próprios segue outra lógica: os efeitos são reconhecidos diretamente no patrimônio líquido, conforme as normas aplicáveis.
Ações em tesouraria são ativo circulante?
Não. Ações em tesouraria não são classificadas no ativo circulante.
Também não devem ser apresentadas no ativo não circulante simplesmente porque a companhia pretende mantê-las por determinado período.
Sua posição no balanço decorre da natureza da operação: são instrumentos patrimoniais próprios adquiridos pela entidade.
Por isso, aparecem como dedução do patrimônio líquido.
Essa diferença pode ser resumida da seguinte maneira:
Quando uma companhia compra ações de outra empresa, pode existir um ativo financeiro ou investimento, conforme o caso.
Quando compra suas próprias ações, temos ações em tesouraria, apresentadas como redução do patrimônio líquido.
Ações em tesouraria são passivo?
Também não.
Um passivo representa, de forma geral, uma obrigação presente da entidade decorrente de eventos passados cuja liquidação se espera que resulte na saída de recursos econômicos, observados os conceitos contábeis aplicáveis.
As ações em tesouraria não representam uma dívida da empresa com terceiros.
Portanto, não existe fundamento para classificá-las simplesmente no passivo.
Essa é uma distinção especialmente útil para estudantes:
ações em tesouraria não são ativo, não são passivo e não são despesa. São apresentadas como dedução do patrimônio líquido.
Ações em tesouraria diminuem o patrimônio líquido?
Sim. As ações em tesouraria reduzem o patrimônio líquido da companhia.
Esse efeito ocorre porque a entidade emprega seus próprios recursos na aquisição de instrumentos patrimoniais que ela mesma emitiu.
Por exemplo, se determinada companhia possuir patrimônio líquido de R$ 5 milhões e adquirir R$ 500 mil em ações próprias, a operação produzirá, de forma simplificada e desconsiderando outros eventos, uma redução correspondente no patrimônio líquido.
Naturalmente, operações reais podem envolver regras societárias, custos de transação e outros aspectos que exigem análise específica.
Contudo, para compreender o conceito básico, basta lembrar que as ações em tesouraria têm efeito redutor.
Ações em tesouraria e capital social são a mesma coisa?
Não.
O capital social representa os valores relacionados às contribuições dos sócios ou acionistas destinadas à formação do capital da entidade, conforme a estrutura societária aplicável.
As ações em tesouraria surgem quando a companhia adquire ações de sua própria emissão nas condições permitidas.
Embora ambas estejam relacionadas ao patrimônio líquido, possuem funções contábeis diferentes.
Além disso, a aquisição de ações próprias não significa automaticamente que ocorreu uma redução formal do capital social. Existem procedimentos específicos para diferentes operações societárias.
O que acontece com ações mantidas em tesouraria?
Depois da aquisição, as ações podem permanecer em tesouraria enquanto a companhia observar as regras societárias e regulatórias aplicáveis.
Posteriormente, dependendo da situação, a companhia poderá alienar esses instrumentos ou realizar outras operações permitidas.
Para companhias abertas, além das normas contábeis e societárias, também devem ser consideradas as regras estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Por isso, operações reais de recompra de ações envolvem aspectos mais amplos do que o simples lançamento contábil.
Ações em tesouraria no balanço: como identificar?
Ao analisar um balanço patrimonial, procure a conta dentro da seção de patrimônio líquido.
Ela normalmente aparece acompanhada de indicação de que se trata de valor redutor, como:
(-) Ações em tesouraria
A forma de apresentação permite ao usuário das demonstrações contábeis identificar que determinado montante está reduzindo o patrimônio líquido.
Essa característica é particularmente importante para quem está aprendendo a interpretar balanços patrimoniais.
Questão de prova: ações em tesouraria é ativo ou passivo?
Em provas de Contabilidade, concursos e exercícios acadêmicos, a pergunta pode aparecer de diversas formas.
Uma questão poderia perguntar:
“As ações em tesouraria são classificadas em qual grupo do balanço patrimonial?”
A resposta seria:
Patrimônio líquido, como conta redutora.
Outra possibilidade seria:
“As ações em tesouraria possuem natureza devedora ou credora?”
Nesse caso, a resposta é:
Natureza devedora.
Também pode aparecer uma afirmação dizendo que as ações em tesouraria constituem um ativo da companhia. Nesse contexto, a afirmação estaria incorreta, pois instrumentos patrimoniais próprios readquiridos são deduzidos do patrimônio líquido.
Perguntas frequentes sobre ações em tesouraria
Ações em tesouraria é ativo?
Não. Ações em tesouraria não são ativo. Elas são apresentadas como conta redutora do patrimônio líquido.
Ações em tesouraria é passivo?
Não. Elas também não representam um passivo da companhia. A classificação adequada está no patrimônio líquido, com efeito redutor.
Ações em tesouraria é patrimônio líquido?
Sim, considerando sua apresentação no balanço. Contudo, é importante especificar que se trata de uma dedução do patrimônio líquido, e não de uma conta que aumenta seu saldo.
Ações em tesouraria têm saldo devedor?
Sim. Como são uma conta redutora do patrimônio líquido, as ações em tesouraria apresentam natureza devedora.
Ações em tesouraria aumentam ou diminuem o patrimônio líquido?
Diminuem. A aquisição das próprias ações representa uma redução do patrimônio líquido da entidade.
Ações em tesouraria entram no ativo circulante?
Não. Mesmo que as ações possam posteriormente ser alienadas, elas não são reconhecidas como ativo circulante da própria companhia.
A recompra de ações gera despesa?
A aquisição dos próprios instrumentos patrimoniais não deve ser simplesmente reconhecida como despesa. O CPC 39 estabelece o tratamento da operação diretamente no patrimônio líquido.
Conclusão
A resposta para “ações em tesouraria é ativo ou passivo?” é objetiva: nenhum dos dois. As ações em tesouraria são apresentadas no patrimônio líquido como conta redutora, possuindo natureza devedora.
Quando uma companhia recompra suas próprias ações, ela utiliza recursos que estavam disponíveis no ativo e reduz seu patrimônio líquido. As ações adquiridas não passam a representar um novo ativo da empresa nem constituem uma obrigação registrada no passivo.
Para memorizar para provas e exercícios, guarde esta relação:
Ações em tesouraria → Patrimônio Líquido → Conta redutora → Natureza devedora.
Essa lógica ajuda não apenas a responder questões sobre ações em tesouraria ativo ou passivo, mas também a interpretar corretamente sua apresentação no balanço patrimonial e compreender os efeitos contábeis da recompra de ações próprias.
Formação prática em Recursos Humanos
Domine Recursos Humanos e Inglês Técnico em 4 meses
Um treinamento prático para aprender Recursos Humanos e inglês técnico juntos, preparando você para atuar nas principais atividades da área.
- Conhecimento prático sobre as principais atividades de Recursos Humanos
- Inglês técnico para e-mails, ligações, reuniões e documentos profissionais
- Aprenda a entrevistar candidatos, postar vagas, analisar currículos e muito mais






Deixe um comentário