A relação entre liderança e terceirização tornou-se cada vez mais importante nas empresas. Serviços de tecnologia, logística, limpeza, segurança, atendimento, manutenção, contabilidade e diversas outras atividades podem ser executados por empresas contratadas, fazendo com que gestores precisem coordenar resultados que dependem não apenas dos empregados da própria organização, mas também de profissionais terceirizados.
Esse cenário cria um desafio específico de liderança. O gestor precisa acompanhar qualidade, prazos, indicadores e cumprimento do contrato sem tratar a equipe terceirizada simplesmente como se fosse formada por empregados diretamente subordinados à empresa contratante.
Uma boa gestão da terceirização exige, portanto, equilíbrio entre liderança, comunicação, gestão contratual, definição de responsabilidades e acompanhamento de desempenho.
Neste artigo, você vai entender como funciona a liderança de equipes terceirizadas, quais são os principais desafios e como empresas podem melhorar a gestão desses profissionais sem perder de vista as responsabilidades de cada organização.
O que é terceirização?
Terceirização ocorre quando uma empresa contrata outra organização para prestar determinado serviço.
Em vez de executar aquela atividade exclusivamente com seus próprios empregados, a contratante estabelece uma relação comercial com uma empresa prestadora de serviços.
Essa prestadora utiliza sua própria estrutura para cumprir aquilo que foi contratado.
Imagine uma indústria que contrata empresas especializadas para realizar:
limpeza;
segurança;
manutenção;
logística;
suporte de tecnologia.
A indústria continua responsável por suas próprias atividades empresariais, mas determinados serviços são executados por empresas contratadas.
O que é liderança na terceirização?
A liderança na terceirização envolve a capacidade de coordenar objetivos, comunicação e resultados entre a empresa contratante e a prestadora de serviços.
Existe uma particularidade importante.
O gestor da empresa contratante não deve simplesmente assumir a posição de empregador dos trabalhadores pertencentes à prestadora.
A relação precisa respeitar a estrutura contratual existente.
Por isso, liderar nesse contexto significa principalmente estabelecer:
objetivos claros;
padrões de qualidade;
indicadores;
canais de comunicação;
responsabilidades;
procedimentos;
mecanismos de acompanhamento.
Uma liderança eficiente cria alinhamento entre as organizações sem confundir as responsabilidades de cada uma.
Qual é o papel do líder na terceirização?
O líder possui uma função importante na gestão do relacionamento com a empresa terceirizada.
Entre suas responsabilidades podem estar:
acompanhar o contrato;
verificar indicadores;
identificar problemas;
realizar reuniões de acompanhamento;
alinhar expectativas;
acompanhar níveis de serviço;
garantir comunicação eficiente;
administrar conflitos;
avaliar resultados.
Dependendo da estrutura da organização, essas atividades podem ser divididas entre gestores operacionais, compras, jurídico, RH, compliance e gestão de fornecedores.
Quem lidera os funcionários terceirizados?
Esse ponto merece bastante atenção.
Os trabalhadores terceirizados são empregados da empresa prestadora de serviços, e não simplesmente funcionários da contratante.
A Lei nº 6.019/1974, com as alterações promovidas pela legislação sobre terceirização, estabelece regras para a relação entre empresa contratante, prestadora e trabalhadores.
Na gestão cotidiana, é recomendável que a contratante possua interlocução clara com responsáveis da empresa prestadora.
Por exemplo, podem existir:
supervisores;
encarregados;
coordenadores;
gestores de contrato.
Esses profissionais ajudam a organizar a comunicação entre as empresas.
Empresa contratante pode dar ordens para terceirizados?
Essa questão exige cuidado.
A empresa contratante naturalmente precisa definir aquilo que espera do serviço contratado.
Ela pode estabelecer requisitos, padrões, prazos, níveis de serviço e condições previstas contratualmente.
Entretanto, isso não significa que seja recomendável administrar os empregados da prestadora exatamente da mesma maneira que administra seus próprios funcionários.
A forma como a atividade é coordenada deve respeitar a estrutura jurídica e contratual da terceirização.
Por isso, questões relacionadas à gestão dos trabalhadores devem ser tratadas de acordo com as responsabilidades da empresa prestadora e as condições do contrato.
Qual a diferença entre gerir contrato e gerir funcionário?
Essa diferença ajuda a compreender a liderança na terceirização.
Quando uma empresa administra seus próprios empregados, existe uma relação empregatícia direta.
Na terceirização, existe também uma relação contratual entre duas empresas.
A contratante deve acompanhar principalmente:
o serviço;
a qualidade;
os resultados;
os prazos;
os indicadores;
o cumprimento das obrigações contratuais.
A prestadora, por sua vez, administra seus empregados dentro das responsabilidades que lhe correspondem.
Confundir essas duas relações pode gerar problemas operacionais e jurídicos.
A terceirização elimina a necessidade de liderança?
Não.
Na verdade, pode aumentar a necessidade de uma gestão bem estruturada.
Quando várias empresas participam de uma mesma operação, surgem novas interfaces de comunicação.
Imagine um centro de distribuição que possui:
equipe própria;
transportadora terceirizada;
empresa de segurança;
empresa de limpeza;
prestadora de manutenção;
fornecedor de tecnologia.
Mesmo que cada empresa tenha seus próprios gestores, todas precisam trabalhar de forma coordenada.
Sem liderança e governança, podem surgir conflitos, atrasos e falhas de comunicação.
Quais são os principais desafios da liderança de terceirizados?
A gestão de equipes terceirizadas apresenta desafios diferentes daqueles encontrados em equipes exclusivamente internas.
Entre os principais estão:
comunicação;
alinhamento de objetivos;
integração;
qualidade;
responsabilidades;
cultura organizacional;
acompanhamento de indicadores;
gestão de conflitos;
cumprimento contratual.
Quanto maior o número de fornecedores envolvidos, maior pode ser a complexidade da gestão.
Comunicação com equipes terceirizadas
Uma das principais causas de problemas em contratos de terceirização é a comunicação inadequada.
A contratante espera determinada entrega.
A prestadora interpreta de outra maneira.
A equipe operacional recebe uma orientação diferente.
O resultado pode ser retrabalho.
Por isso, é importante estabelecer canais formais de comunicação.
Questões estratégicas e contratuais devem ser direcionadas aos responsáveis adequados.
Orientações operacionais também precisam seguir um fluxo definido.
Isso reduz mensagens contraditórias.
Definição clara de responsabilidades
Todo contrato terceirizado deveria responder claramente:
O que será entregue?
Quem é responsável por cada atividade?
Qual é o prazo?
Como a qualidade será medida?
Quem deve ser acionado em caso de problema?
Como ocorrências serão registradas?
Sem essas definições, é comum surgir a frase:
“Eu achei que isso era responsabilidade da outra empresa.”
Uma boa liderança reduz justamente essas zonas de indefinição.
O que é SLA na terceirização?
SLA significa Service Level Agreement, ou Acordo de Nível de Serviço.
Ele estabelece níveis esperados para determinada prestação.
Imagine uma empresa terceirizada responsável pelo suporte de tecnologia.
O contrato pode estabelecer indicadores como:
tempo para responder chamados;
tempo para resolver problemas;
disponibilidade dos sistemas;
percentual de chamados atendidos dentro do prazo.
Esses indicadores tornam a avaliação mais objetiva.
Em vez de dizer simplesmente que o serviço está “bom” ou “ruim”, a empresa consegue avaliar resultados mensuráveis.
Liderança deve acompanhar indicadores?
Sim.
A terceirização funciona melhor quando os resultados podem ser acompanhados por indicadores relevantes.
Dependendo do serviço, podem ser utilizados:
tempo de atendimento;
índice de retrabalho;
produtividade;
número de ocorrências;
cumprimento de prazos;
disponibilidade;
qualidade;
satisfação do cliente;
acidentes;
conformidade.
Entretanto, utilizar indicadores demais também pode ser contraproducente.
O ideal é selecionar aqueles que realmente demonstram se o serviço está atingindo os objetivos.
Como estabelecer metas para terceirizados?
As metas devem estar alinhadas ao contrato e às responsabilidades da empresa prestadora.
Elas precisam ser:
claras;
mensuráveis;
realistas;
relevantes;
acompanháveis.
Imagine uma empresa contratada para processar pedidos.
Uma meta genérica seria:
“Melhorar o atendimento.”
Uma meta mais objetiva poderia envolver percentual de solicitações processadas dentro do prazo estabelecido.
Quanto mais claro o indicador, menor o espaço para interpretações divergentes.
Como dar feedback para equipe terceirizada?
O feedback deve respeitar a estrutura de gestão definida entre as empresas.
Quando existe um problema de desempenho, uma boa prática é registrar a ocorrência e envolver o responsável da prestadora.
Em vez de transformar a relação em uma sequência de cobranças pessoais contra trabalhadores específicos, o gestor pode discutir:
qual foi o problema;
qual era o padrão esperado;
qual foi o impacto;
qual ação corretiva será adotada;
qual o prazo para correção.
Isso transforma o feedback em gestão de desempenho do serviço.
Terceirizados devem participar de reuniões?
Pode fazer sentido, dependendo da finalidade da reunião e da estrutura do contrato.
Reuniões operacionais podem envolver representantes das equipes necessárias para coordenar determinada atividade.
Já questões relacionadas à gestão empregatícia da equipe terceirizada devem ser tratadas pelos responsáveis adequados da empresa prestadora.
Uma prática útil é possuir diferentes níveis de reunião.
Por exemplo:
reunião operacional;
reunião de indicadores;
reunião gerencial;
reunião de revisão contratual.
Cada uma possui objetivos diferentes.
Como integrar terceirizados à empresa?
Integração não significa transformar trabalhadores terceirizados em empregados da contratante.
Ela significa fornecer as informações necessárias para que possam executar o serviço com segurança e qualidade.
Dependendo da atividade, a integração pode abordar:
regras de acesso;
segurança;
procedimentos;
proteção de informações;
emergências;
requisitos técnicos;
conduta dentro das instalações;
LGPD;
saúde e segurança.
Isso é especialmente importante quando os profissionais atuam fisicamente dentro das instalações da contratante.
Terceirizado pode participar de treinamento?
Dependendo da natureza do serviço, determinados treinamentos ou orientações podem ser necessários para execução segura e adequada das atividades.
Uma pessoa que acessará uma área industrial, por exemplo, pode precisar conhecer regras específicas de segurança.
Da mesma forma, alguém que utiliza sistemas da contratante pode precisar receber orientações sobre segurança da informação.
Entretanto, a divisão de responsabilidades sobre capacitação deve ser definida conforme a legislação, o contrato e a natureza da atividade.
Como manter a cultura organizacional com terceirizados?
Esse é um desafio frequente.
Empregados próprios e terceirizados podem trabalhar no mesmo ambiente, mas possuem vínculos com organizações diferentes.
A empresa contratante pode comunicar padrões relacionados a:
ética;
segurança;
proteção de dados;
respeito;
integridade;
regras de acesso;
conduta nas instalações.
Ao mesmo tempo, a empresa prestadora possui sua própria cultura e práticas de gestão.
O objetivo não deve ser eliminar essa diferença, mas garantir compatibilidade suficiente para que a operação funcione adequadamente.
Terceirizados podem receber tratamento diferente?
A legislação estabelece regras específicas relacionadas às condições dos trabalhadores terceirizados quando os serviços são executados nas dependências da contratante.
A Lei nº 6.019/1974 prevê determinadas condições relacionadas a alimentação, transporte, atendimento médico ou ambulatorial existente nas dependências, treinamento adequado quando exigido pela atividade e medidas de proteção à saúde e segurança.
Por isso, empresas devem conhecer as obrigações legais relacionadas aos trabalhadores terceirizados.
Não é recomendável tomar decisões apenas com base na ideia de que “eles não são nossos funcionários”.
A legislação atribui responsabilidades específicas à contratante.
Quem é responsável pela segurança do trabalhador terceirizado?
A saúde e segurança são aspectos fundamentais.
A legislação estabelece responsabilidades relacionadas às condições de segurança, higiene e salubridade quando o trabalho é realizado nas dependências da contratante ou em local previamente convencionado.
Além disso, a prestadora continua possuindo suas próprias responsabilidades como empregadora.
Na prática, a prevenção de acidentes exige cooperação.
Não faria sentido, por exemplo, a contratante identificar um risco grave dentro de sua instalação e simplesmente ignorá-lo porque o trabalhador exposto pertence a outra empresa.
Liderança terceirizada e segurança do trabalho
O líder deve tratar segurança como parte dos indicadores do serviço.
Isso pode envolver:
registro de incidentes;
investigação de acidentes;
controle de acesso;
uso de equipamentos;
procedimentos operacionais;
treinamentos;
comunicação de riscos;
planos de ação.
Em atividades de maior risco, a integração entre contratante e prestadora torna-se ainda mais importante.
Uma operação pode atingir metas de produtividade e ainda assim ser considerada mal gerenciada se estiver colocando trabalhadores em risco.
Terceirização gera vínculo empregatício?
A simples existência de terceirização não significa automaticamente formação de vínculo empregatício direto com a contratante.
A legislação brasileira admite a prestação de serviços terceirizados dentro das condições estabelecidas.
Entretanto, situações concretas precisam respeitar os requisitos legais.
A Lei nº 6.019/1974 estabelece que a empresa prestadora contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores.
Por isso, a maneira como o relacionamento é estruturado possui importância jurídica.
Quando existe dúvida sobre um caso específico, é recomendável realizar análise trabalhista especializada.
Pode terceirizar atividade-fim?
A legislação brasileira passou por mudanças importantes nesse assunto.
Atualmente, a Lei nº 6.019/1974 permite a prestação de serviços determinados e específicos, incluindo atividades relacionadas às diferentes áreas da empresa contratante.
Além disso, decisões do Supremo Tribunal Federal consolidaram entendimento relevante sobre a licitude da terceirização em diferentes etapas do processo produtivo.
Isso não significa ausência de regras.
A terceirização continua submetida às obrigações trabalhistas, contratuais, previdenciárias e de segurança aplicáveis.
Qual a responsabilidade da empresa contratante?
A Lei nº 6.019/1974 estabelece responsabilidade subsidiária da empresa contratante pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços, dentro das regras legais.
Esse é um dos motivos pelos quais contratar uma prestadora não significa simplesmente deixar de acompanhar questões relacionadas à execução do contrato.
A empresa deve realizar uma gestão adequada do fornecedor.
Isso pode envolver acompanhamento documental, contratual e operacional.
O que é responsabilidade subsidiária?
De forma simplificada, a responsabilidade subsidiária significa que, dentro das condições jurídicas aplicáveis, a contratante pode ser chamada a responder por determinadas obrigações quando a empresa prestadora não as cumpre.
O assunto possui detalhes jurídicos que dependem do caso concreto.
Para a gestão empresarial, a principal lição é simples:
escolher corretamente o fornecedor e acompanhar o contrato é essencial.
Contratar exclusivamente pelo menor preço pode criar riscos elevados posteriormente.
Como escolher uma empresa terceirizada?
O processo deveria considerar mais do que preço.
Entre os critérios podem estar:
experiência;
capacidade técnica;
estrutura financeira;
regularidade documental;
qualidade;
segurança;
compliance;
proteção de dados;
histórico;
capacidade operacional;
referências;
indicadores.
Uma empresa extremamente barata, mas incapaz de cumprir suas obrigações, pode gerar custos muito maiores posteriormente.
A seleção do fornecedor já faz parte da gestão da terceirização.
O líder deve fiscalizar documentos da terceirizada?
O acompanhamento documental normalmente faz parte da governança contratual, embora a responsabilidade possa ser dividida entre diferentes departamentos.
Dependendo da empresa, podem participar:
RH;
Compras;
Jurídico;
Financeiro;
Compliance;
Segurança do Trabalho;
gestor do contrato.
O objetivo é verificar se as obrigações previstas no contrato e na legislação estão sendo cumpridas.
A organização deve definir claramente quem acompanha cada tipo de documento.
Liderança e terceirização no RH
O RH possui um papel importante nesse processo.
Mesmo que os terceirizados não sejam empregados diretos da contratante, existem diversos pontos de contato relacionados às pessoas.
O RH pode ajudar na definição de:
procedimentos de acesso;
integração;
políticas de conduta;
comunicação;
segurança;
diversidade e respeito;
fluxos de ocorrências.
Também pode orientar gestores sobre as diferenças entre liderar empregados próprios e administrar contratos terceirizados.
Como evitar conflitos entre funcionários próprios e terceirizados?
Conflitos podem surgir quando existe falta de clareza sobre funções e responsabilidades.
Um empregado pode acreditar que determinada tarefa pertence ao terceirizado.
O terceirizado pode receber informação diferente de seu supervisor.
Para reduzir esses problemas:
defina responsabilidades;
documente processos;
crie canais de comunicação;
realize alinhamentos;
evite ordens contraditórias;
trate conflitos rapidamente.
Também é importante promover um ambiente de respeito.
Diferenças contratuais não justificam tratamento desrespeitoso.
Funcionários próprios podem liderar terceirizados?
Um gestor da contratante pode ser responsável pela gestão operacional do contrato e pelo acompanhamento dos resultados.
Entretanto, é importante diferenciar essa função da gestão empregatícia dos trabalhadores da prestadora.
Uma estrutura eficiente pode funcionar assim:
Gestor da contratante → responsável da empresa prestadora → equipe terceirizada.
Na prática, podem existir interações diretas necessárias para a operação.
O importante é que os limites de responsabilidade estejam claros e que a contratante não simplesmente substitua a prestadora na administração de seus empregados.
O que é gestor de contrato?
O gestor de contrato é o profissional responsável por acompanhar a relação com determinado fornecedor.
Suas atribuições podem incluir:
verificar entregas;
acompanhar indicadores;
controlar prazos;
registrar ocorrências;
realizar reuniões;
acompanhar níveis de serviço;
solicitar planos de ação;
comunicar áreas internas;
avaliar renovações.
Dependendo da organização, também pode existir um fiscal de contrato com atribuições específicas.
Uma boa gestão contratual reduz riscos e melhora a qualidade da terceirização.
Como cobrar resultados da empresa terceirizada?
A cobrança deve se basear em fatos e critérios objetivos.
Em vez de:
“O serviço está muito ruim.”
É melhor utilizar:
“O SLA estabelece atendimento em quatro horas, mas neste mês apenas 72% dos chamados foram atendidos dentro desse prazo.”
A segunda abordagem transforma uma percepção em um indicador.
Depois disso, a empresa pode solicitar:
análise da causa;
plano de ação;
responsável;
prazo;
acompanhamento.
Isso torna a relação mais profissional.
O que fazer quando a terceirizada não cumpre o contrato?
O primeiro passo é verificar exatamente qual obrigação não foi cumprida.
Depois, documente a ocorrência.
Dependendo da gravidade e do contrato, podem ser adotadas medidas como:
solicitação de correção;
plano de ação;
notificação formal;
aplicação de mecanismos contratuais;
reunião de escalonamento;
revisão do contrato;
eventual encerramento da relação.
A medida precisa ser proporcional ao problema e estar alinhada às condições contratuais e legais.
Como fazer reunião de desempenho com terceirizada?
Uma reunião periódica pode seguir uma estrutura simples:
resultados do período;
indicadores;
SLAs;
problemas encontrados;
causas;
ações corretivas;
prazos;
riscos;
próximos passos.
É recomendável registrar as principais decisões.
Uma ata ou registro eletrônico evita discussões futuras sobre aquilo que foi combinado.
Para contratos relevantes, essas reuniões podem ocorrer mensalmente ou conforme a necessidade da operação.
Terceirização pode aumentar a produtividade?
Pode, quando bem estruturada.
Uma empresa especializada pode possuir:
tecnologia própria;
profissionais especializados;
processos maduros;
economia de escala;
experiência específica.
Isso permite que a contratante concentre recursos em outras atividades.
Entretanto, terceirizar um processo mal definido não necessariamente resolve seus problemas.
Em alguns casos, a empresa apenas transfere a desorganização para um fornecedor.
Antes de terceirizar, é importante compreender claramente o processo.
Quais são os riscos da terceirização?
Entre os riscos estão:
dependência excessiva do fornecedor;
queda de qualidade;
falhas de comunicação;
vazamento de informações;
problemas trabalhistas;
interrupção de serviços;
descumprimento contratual;
perda de conhecimento interno;
dificuldade de substituição.
Esses riscos não significam que terceirizar seja ruim.
Significam que a decisão precisa ser administrada.
Liderança terceirizada e LGPD
Prestadores podem ter acesso a dados pessoais de:
clientes;
empregados;
fornecedores;
usuários.
Nesse caso, a relação também precisa considerar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.
O contrato pode estabelecer responsabilidades relacionadas a:
acesso;
confidencialidade;
segurança;
incidentes;
armazenamento;
tratamento;
eliminação de dados.
Além do contrato, controles técnicos e organizacionais precisam ser implementados.
Como melhorar a liderança de equipes terceirizadas?
Uma boa gestão pode ser construída sobre alguns princípios.
1. Defina responsabilidades
Todos precisam saber quem faz o quê.
2. Utilize indicadores
Resultados devem ser mensuráveis sempre que possível.
3. Estabeleça canais de comunicação
Evite orientações contraditórias.
4. Respeite a estrutura da prestadora
A contratante não deve simplesmente substituir o papel do empregador.
5. Acompanhe o contrato
Não espere surgir um problema grave para verificar se o fornecedor está cumprindo suas obrigações.
6. Registre ocorrências
Problemas importantes devem ser documentados.
7. Realize reuniões periódicas
Indicadores e planos de ação precisam ser acompanhados.
8. Avalie riscos
Questões trabalhistas, operacionais, financeiras, de segurança e proteção de dados precisam fazer parte da gestão.
Liderança de terceirizados exige habilidades diferentes?
Em parte, sim.
O gestor precisa combinar habilidades de liderança com competências de gestão de fornecedores.
Entre elas estão:
negociação;
comunicação;
gestão de conflitos;
análise de indicadores;
gestão contratual;
visão de processos;
gestão de riscos.
Em uma equipe própria, muitas decisões podem ser tomadas dentro da hierarquia organizacional.
Em uma relação terceirizada, determinados problemas precisam ser negociados entre organizações diferentes.
Isso exige maturidade de gestão.
Exemplo de liderança e terceirização
Imagine uma empresa que terceiriza seu suporte de TI.
O contrato determina:
atendimento 24 horas;
tempo máximo de resposta;
categorias de prioridade;
metas de disponibilidade;
relatórios mensais.
O gestor da contratante percebe aumento no número de chamados atrasados.
Uma gestão inadequada seria começar a cobrar individualmente cada técnico terceirizado sem analisar o processo.
Uma abordagem mais estruturada seria:
identificar os indicadores;
comparar resultados com o SLA;
registrar o desvio;
reunir-se com o gestor da prestadora;
identificar causas;
estabelecer plano de ação;
acompanhar resultados.
Essa é uma diferença importante entre simplesmente supervisionar pessoas e administrar adequadamente um serviço terceirizado.
Como saber se a terceirização está funcionando?
A resposta deve vir dos resultados.
Alguns indicadores possíveis são:
qualidade;
custo;
prazo;
produtividade;
disponibilidade;
retrabalho;
satisfação;
incidentes;
conformidade;
cumprimento de SLA.
Também é importante comparar os resultados com os objetivos que motivaram a terceirização.
Se a empresa terceirizou para aumentar especialização, por exemplo, deve avaliar se realmente obteve ganho técnico.
Se o objetivo era aumentar eficiência, precisa medir esse resultado.
Liderança e terceirização: qual é a relação?
A terceirização não elimina a liderança.
Ela muda a forma como a liderança precisa ser exercida.
O gestor deixa de administrar apenas uma estrutura interna e passa a trabalhar também com fornecedores, contratos, indicadores e diferentes níveis de responsabilidade.
Isso exige uma visão mais ampla.
O líder precisa garantir que todos estejam trabalhando em direção ao mesmo objetivo sem confundir os vínculos existentes entre as organizações.
Quando isso acontece, a terceirização pode funcionar como uma verdadeira parceria empresarial.
Quando não acontece, surgem conflitos, retrabalho e queda de qualidade.
Conclusão
A relação entre liderança e terceirização exige mais do que simplesmente contratar uma empresa e esperar que o serviço seja executado.
Uma gestão eficiente precisa estabelecer objetivos, responsabilidades, indicadores, canais de comunicação e mecanismos de acompanhamento.
Também é fundamental compreender que os trabalhadores terceirizados pertencem à estrutura da empresa prestadora. A contratante acompanha o serviço e seus resultados, mas deve respeitar as responsabilidades existentes na relação de terceirização.
Ferramentas como SLAs, indicadores de desempenho, reuniões periódicas e planos de ação ajudam a tornar essa gestão mais objetiva.
Ao mesmo tempo, questões trabalhistas, segurança do trabalho, proteção de dados e cumprimento das obrigações contratuais precisam fazer parte da governança.
Assim, uma boa liderança na terceirização consegue equilibrar três elementos fundamentais: pessoas, contratos e resultados.
Quando existe clareza entre esses elementos, a empresa contratante e a prestadora conseguem desenvolver uma relação mais eficiente, segura e sustentável.
Fontes
Presidência da República — Lei nº 6.019/1974, com as alterações posteriores relacionadas à prestação de serviços a terceiros.
Presidência da República — Lei nº 13.429/2017, que promoveu alterações na legislação referente ao trabalho temporário e à prestação de serviços a terceiros.
Presidência da República — Lei nº 13.467/2017, que alterou dispositivos da legislação trabalhista e da Lei nº 6.019/1974.
Supremo Tribunal Federal (STF) — decisões relacionadas à constitucionalidade da terceirização de atividades empresariais.
Presidência da República — Lei nº 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais — LGPD).
Ministério do Trabalho e Emprego — Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho.
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