O texto dissertativo-argumentativo no Enem é o gênero exigido na redação do exame e deve apresentar uma ideia central sobre o tema, argumentos capazes de defendê-la e uma proposta de intervenção para o problema discutido. Para alcançar uma boa pontuação, portanto, não basta escrever corretamente: o participante precisa desenvolver um raciocínio consistente, organizar as informações e demonstrar domínio das competências avaliadas.
Na prática, uma redação bem estruturada costuma apresentar introdução, desenvolvimento e conclusão. Entretanto, conhecer essa divisão é apenas o começo. É necessário saber o que colocar em cada parte, como formular uma tese, desenvolver argumentos e construir uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
A seguir, entenda como fazer um texto dissertativo-argumentativo para o Enem e quais são os principais cuidados para evitar perda de pontos.
O que é texto dissertativo-argumentativo?
O texto dissertativo-argumentativo é aquele em que o autor apresenta e defende um ponto de vista sobre determinado assunto.
A parte “dissertativa” está relacionada à apresentação e discussão de ideias. Já o caráter “argumentativo” exige que o autor defenda sua posição utilizando argumentos.
Isso significa que a redação não pode ser apenas uma exposição de informações.
Imagine um tema relacionado aos desafios para combater determinado problema social no Brasil. O participante não deve simplesmente explicar que o problema existe.
Ele precisa apresentar uma tese e desenvolver argumentos que sustentem sua interpretação.
Em outras palavras, a redação deve responder a uma pergunta implícita: qual é a sua posição sobre a questão apresentada e por que ela faz sentido?
Como é o texto dissertativo-argumentativo no Enem?
Na redação do Enem, o participante precisa produzir um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política.
A proposta apresenta uma situação temática e textos motivadores.
A partir dessas informações e dos conhecimentos adquiridos durante sua formação, o candidato precisa desenvolver o texto.
Segundo a Cartilha do Participante disponibilizada pelo Inep, o participante deve defender um ponto de vista e apresentar uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
A redação é avaliada em cinco competências.
Cada uma vale até 200 pontos. Dessa forma, a nota máxima chega a 1.000 pontos.
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Qual é a estrutura da redação dissertativa-argumentativa do Enem?
Uma estrutura bastante utilizada é formada por quatro parágrafos:
1º parágrafo: introdução;
2º parágrafo: desenvolvimento do primeiro argumento;
3º parágrafo: desenvolvimento do segundo argumento;
4º parágrafo: conclusão e proposta de intervenção.
Essa estrutura não constitui uma fórmula obrigatória determinada pelo Inep. O participante pode organizar seu texto de outra maneira, desde que cumpra as exigências da proposta.
No entanto, utilizar quatro parágrafos pode facilitar a organização das ideias, principalmente para quem ainda está desenvolvendo habilidade de escrita.
O mais importante é garantir que exista uma progressão lógica.
A introdução apresenta a discussão. Os parágrafos seguintes desenvolvem os argumentos. Finalmente, a conclusão encaminha a proposta de intervenção.
Como fazer a introdução do texto dissertativo-argumentativo no Enem?
A introdução precisa apresentar o assunto e preparar o leitor para a argumentação que será desenvolvida.
Um dos elementos mais importantes dessa etapa é a tese.
A tese representa a ideia central que você defenderá durante o texto.
Considere um tema hipotético:
“Desafios para reduzir o desperdício de alimentos no Brasil.”
Uma introdução poderia apresentar brevemente o problema e apontar dois fatores que contribuem para sua permanência, como falhas na educação para o consumo e problemas estruturais na cadeia de distribuição.
Esses fatores podem se transformar nos dois argumentos desenvolvidos nos parágrafos seguintes.
Dessa maneira, a introdução funciona como um mapa do raciocínio.
O leitor entende qual problema será discutido e quais caminhos argumentativos serão utilizados.
O que é tese na redação do Enem?
A tese no texto dissertativo-argumentativo é o posicionamento central defendido pelo autor.
Ela não precisa necessariamente aparecer em uma frase como “minha opinião é…”.
Na verdade, construções desse tipo geralmente podem ser substituídas por uma apresentação mais objetiva do posicionamento.
Imagine novamente um tema sobre desperdício de alimentos.
Uma tese poderia defender que o problema permanece devido à deficiência de políticas de conscientização e às falhas estruturais na distribuição.
Nesse caso, o texto assume claramente uma interpretação: existem duas causas relevantes que ajudam a explicar o problema.
O desenvolvimento precisará comprovar essa ideia.
Esse planejamento evita um erro frequente: apresentar uma tese na introdução e discutir assuntos completamente diferentes nos parágrafos seguintes.
Como fazer o primeiro desenvolvimento?
O primeiro parágrafo de desenvolvimento deve aprofundar um dos argumentos apresentados ou sugeridos na introdução.
Uma boa construção geralmente possui uma ideia central clara.
Depois de apresentá-la, explique por que esse fator está relacionado ao problema.
Em seguida, você pode utilizar repertório sociocultural, exemplos, relações de causa e consequência, dados conhecidos com segurança ou outras formas de fundamentação.
Por fim, conecte o argumento novamente ao tema.
Esse último movimento é importante.
Não basta mencionar um filósofo, uma lei ou um acontecimento histórico. O candidato precisa explicar por que aquela referência ajuda a comprovar seu argumento.
Como fazer o segundo desenvolvimento da redação?
O segundo desenvolvimento segue uma lógica semelhante, mas trabalha outro aspecto da tese.
Se a introdução apresentou dois fatores responsáveis pelo problema, por exemplo, o desenvolvimento 1 pode discutir o primeiro e o desenvolvimento 2 pode analisar o segundo.
Essa divisão torna o texto mais organizado.
Entretanto, os parágrafos precisam estar relacionados.
Utilize conectivos e expressões de transição para mostrar que existe continuidade no raciocínio.
Termos como “além disso”, “nesse sentido”, “por outro lado”, “consequentemente” e “dessa forma” podem ajudar, desde que façam sentido naquele contexto.
Evite colocar conectivos aleatoriamente apenas para deixar o texto aparentemente sofisticado.
A conexão precisa ser lógica, não apenas gramatical.
Como fazer a conclusão do texto dissertativo-argumentativo do Enem?
Na conclusão, o participante deve fechar a argumentação e apresentar uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Essa proposta precisa estar relacionada ao que foi discutido anteriormente.
Um erro comum é escrever dois bons parágrafos sobre determinado problema e, no final, apresentar uma solução genérica que serviria para praticamente qualquer tema.
Frases como “é necessário conscientizar a população” costumam ser insuficientes quando aparecem sem explicar quem realizará a ação, como ela ocorrerá e qual objetivo pretende alcançar.
Uma proposta mais desenvolvida precisa apresentar elementos concretos.
O que precisa ter na proposta de intervenção do Enem?
Uma forma bastante utilizada para construir uma proposta completa é verificar se ela responde a cinco pontos:
Agente: quem fará?
Ação: o que será feito?
Meio ou modo: como será feito?
Finalidade ou efeito: para quê?
Detalhamento: qual informação adicional torna algum desses elementos mais específico?
Imagine uma redação sobre desinformação digital.
Em vez de escrever apenas:
“O governo deve conscientizar as pessoas.”
O candidato poderia estabelecer qual órgão ou instituição deverá agir, qual ação será realizada, como ela será executada e qual resultado se pretende alcançar.
A proposta fica mais concreta e demonstra maior capacidade de intervenção sobre o problema discutido.
Entretanto, não basta decorar cinco elementos. A solução também precisa ser coerente com os argumentos desenvolvidos.
Quais são as cinco competências da redação do Enem?
O Inep avalia a redação por meio de cinco competências, cada uma com pontuação de até 200 pontos.
Competência 1: domínio da escrita formal
A primeira competência avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
Entram nessa análise aspectos relacionados à construção das frases, ortografia, concordância, regência, pontuação e outros elementos linguísticos.
Isso não significa que uma redação precisa utilizar palavras extremamente difíceis.
Clareza e correção são mais importantes do que tentar parecer sofisticado.
Competência 2: compreensão do tema e do tipo textual
A segunda competência verifica se o participante compreendeu a proposta e desenvolveu o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
Também envolve a utilização de conhecimentos de diferentes áreas para desenvolver a discussão.
Fugir completamente do tema pode resultar em nota zero na redação.
Por isso, interpretar corretamente a proposta antes de começar a escrever é essencial.
Competência 3: seleção e organização dos argumentos
Aqui, o avaliador observa como o participante seleciona, relaciona, organiza e interpreta informações, fatos, opiniões e argumentos para defender seu ponto de vista.
Em termos práticos, é onde a qualidade da argumentação ganha grande importância.
O texto precisa mostrar que as ideias não foram simplesmente colocadas uma depois da outra.
Deve existir um projeto de texto.
Competência 4: mecanismos linguísticos da argumentação
Essa competência analisa como o participante utiliza recursos linguísticos necessários à construção da argumentação.
A coesão é fundamental.
Pronomes, conectivos, referências e outras estratégias ajudam a estabelecer relações entre frases e parágrafos.
Porém, repetir “portanto”, “além disso” e “nesse sentido” muitas vezes não garante uma boa avaliação.
Esses elementos precisam estabelecer relações adequadas entre as ideias.
Competência 5: proposta de intervenção
A quinta competência avalia a elaboração de uma proposta de intervenção relacionada ao problema discutido.
A solução precisa dialogar com o desenvolvimento e respeitar os direitos humanos.
Quanto mais bem articulada e detalhada estiver a proposta, maiores são as possibilidades de alcançar os níveis superiores dessa competência, desde que as demais exigências sejam cumpridas.
O que é repertório sociocultural no Enem?
O repertório sociocultural é o conjunto de conhecimentos que o participante utiliza para enriquecer sua argumentação.
Ele pode envolver conhecimentos provenientes de diferentes áreas.
É possível utilizar, por exemplo:
- acontecimentos históricos;
- conceitos filosóficos;
- teorias sociológicas;
- obras literárias;
- filmes;
- pesquisas;
- leis;
- fatos sociais;
- conhecimentos científicos.
Entretanto, mencionar uma referência não é suficiente.
O repertório precisa contribuir para o argumento.
Se o estudante cita um filósofo apenas porque decorou uma frase, mas não consegue relacioná-la ao problema discutido, a referência perde força argumentativa.
Por isso, é melhor utilizar um repertório que você realmente compreenda.
Pode usar os textos motivadores na redação do Enem?
Os textos motivadores existem para contextualizar a proposta e ajudar o participante a compreender o tema.
Eles podem orientar a reflexão.
Entretanto, a redação precisa demonstrar autoria e desenvolver uma argumentação própria.
A cópia dos textos motivadores não é uma boa estratégia e pode prejudicar a avaliação. Além disso, trechos copiados são desconsiderados para determinados efeitos de avaliação, conforme as regras do exame.
O candidato deve interpretar as informações apresentadas e desenvolver suas próprias ideias.
Quantas linhas deve ter o texto dissertativo-argumentativo do Enem?
A folha de redação do Enem possui espaço limitado, tradicionalmente de até 30 linhas.
Além disso, existe um limite mínimo relevante: redações com até sete linhas manuscritas recebem nota zero por serem consideradas texto insuficiente, conforme os critérios oficiais.
Isso não significa que o estudante precise obrigatoriamente preencher todas as 30 linhas.
O objetivo deve ser produzir um texto completo dentro do espaço disponível.
Uma redação com quatro parágrafos bem desenvolvidos costuma permitir uma boa distribuição das ideias, mas o tamanho de cada parágrafo dependerá do projeto de texto.
O que pode zerar a redação do Enem?
Existem diferentes situações previstas pelo Inep que podem levar à nota zero.
Entre elas está a fuga total ao tema.
Também podem causar anulação situações como não obedecer ao tipo dissertativo-argumentativo, apresentar texto insuficiente, entregar a folha sem texto escrito e inserir determinados elementos que caracterizem formas de anulação previstas nas regras oficiais.
As hipóteses exatas devem sempre ser verificadas na Cartilha do Participante e no edital da edição correspondente.
Por isso, antes da prova, vale conhecer não apenas como conquistar pontos, mas também os erros que podem comprometer toda a redação.
Exemplo de estrutura para texto dissertativo-argumentativo do Enem
Uma maneira simples de planejar a redação é pensar na seguinte estrutura:
Introdução: contextualização + apresentação do tema + tese + argumentos principais.
Desenvolvimento 1: argumento 1 + explicação + repertório ou exemplo + relação com o problema.
Desenvolvimento 2: argumento 2 + explicação + repertório ou exemplo + relação com o problema.
Conclusão: retomada do problema + agente + ação + meio + finalidade + detalhamento da proposta.
Esse esquema pode ajudar durante os estudos.
No entanto, ele não deve virar um texto decorado.
A estrutura serve para organizar o raciocínio. O conteúdo precisa ser adaptado ao tema apresentado no dia da prova.
Modelo pronto de redação funciona no Enem?
Depender exclusivamente de um modelo pronto de texto dissertativo-argumentativo é arriscado.
Ter uma estrutura mental ajuda bastante. O problema aparece quando o candidato memoriza parágrafos inteiros e tenta encaixá-los artificialmente em qualquer tema.
Isso pode gerar argumentos superficiais, repertórios pouco relacionados e propostas genéricas.
Além disso, o Inep tem reforçado a importância da autoria e do uso produtivo do repertório.
Uma preparação mais segura consiste em aprender a construir introdução, tese, desenvolvimento e intervenção.
Assim, o estudante consegue produzir uma redação adequada mesmo diante de um tema inesperado.
Como começar uma redação dissertativa-argumentativa?
Existem diferentes maneiras de começar.
Você pode utilizar uma contextualização histórica, um conceito, uma referência cultural ou simplesmente apresentar diretamente o problema.
O melhor início não é necessariamente o mais criativo.
É aquele que conduz naturalmente à tese.
Evite gastar várias linhas tentando produzir uma abertura extremamente elaborada sem relação direta com a discussão.
Em uma redação de até 30 linhas, cada espaço precisa contribuir para o projeto argumentativo.
Quais palavras usar para começar o desenvolvimento?
Não existe uma lista obrigatória de expressões.
Dependendo da relação que você pretende estabelecer, podem funcionar construções como:
“Em primeiro lugar”;
“Sob essa perspectiva”;
“Nesse contexto”;
“Além disso”;
“Outro fator relevante”;
“Paralelamente”.
Porém, a expressão escolhida precisa combinar com a função daquele parágrafo.
Se você está acrescentando outro argumento, “além disso” pode funcionar. Se pretende mostrar uma consequência, expressões como “consequentemente” podem ser mais adequadas.
A variedade ajuda na fluidez, mas a precisão lógica é ainda mais importante.
Como fazer uma redação nota 1000?
Não existe uma frase secreta ou modelo que garanta nota 1000 na redação do Enem.
A pontuação máxima exige desempenho elevado nas cinco competências.
Por isso, o candidato precisa desenvolver simultaneamente diferentes habilidades.
É necessário escrever de acordo com a modalidade formal da língua portuguesa, compreender exatamente o tema, desenvolver argumentos consistentes, utilizar adequadamente mecanismos de coesão e apresentar uma proposta de intervenção bem elaborada.
A melhor forma de melhorar é praticar.
Escreva redações regularmente e, sempre que possível, obtenha correções baseadas nos critérios oficiais do Enem.
Depois da correção, não olhe apenas a nota.
Identifique qual competência apresentou o pior desempenho e concentre parte dos estudos nela.
Como treinar texto dissertativo-argumentativo para o Enem?
Comece analisando propostas de redação de edições anteriores.
Antes de escrever, reserve alguns minutos para planejar.
Defina:
qual é o problema central;
qual será sua tese;
quais dois argumentos sustentam essa tese;
qual repertório pode contribuir para cada argumento;
qual intervenção responde ao problema.
Depois, produza a redação respeitando o limite de tempo.
Essa última parte é importante porque escrever tranquilamente durante duas horas em casa não reproduz a situação encontrada no Enem.
Com o tempo, tente elaborar o planejamento e escrever dentro de um período compatível com sua estratégia para o dia da prova.
Também analise redações que receberam pontuação elevada e os comentários presentes nos materiais oficiais do Inep.
[Confira também: assuntos que mais caem no Enem]
Texto dissertativo-argumentativo no Enem exige planejamento
Aprender a produzir um bom texto dissertativo-argumentativo no Enem não significa decorar uma redação inteira. O mais importante é compreender a lógica desse tipo textual.
Primeiro, interprete cuidadosamente o tema. Em seguida, defina uma tese e selecione argumentos capazes de sustentá-la. Organize essas ideias em uma sequência lógica e utilize repertórios que realmente contribuam para a discussão.
Finalmente, apresente uma proposta de intervenção coerente com o problema analisado e respeitosa aos direitos humanos.
Com prática, essa estrutura deixa de parecer uma fórmula complicada e passa a funcionar como um roteiro para organizar o pensamento.
Por isso, antes da próxima prova, treine com temas anteriores, consulte a Cartilha do Participante e analise seus erros de forma individual. Melhorar a redação é um processo acumulativo: cada texto corrigido pode revelar exatamente qual habilidade precisa ser trabalhada no próximo.
Fontes
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) — Cartilha do Participante: A Redação do Enem, com orientações oficiais sobre as cinco competências, estrutura da avaliação, proposta de intervenção e situações que podem resultar em nota zero.
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) — materiais e orientações oficiais do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Ministério da Educação (MEC) — informações institucionais sobre o Exame Nacional do Ensino Médio.
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