O relatório científico é um documento utilizado para apresentar de maneira organizada uma atividade de pesquisa, experimento, observação, trabalho de campo ou outra investigação científica. Nele, o autor descreve o objetivo do trabalho, os procedimentos adotados, os resultados encontrados e a interpretação desses resultados.
Esse tipo de relatório aparece com frequência em escolas, cursos técnicos, faculdades, laboratórios e projetos de pesquisa. Embora a estrutura possa variar conforme a instituição e a área de conhecimento, um bom relatório deve permitir que o leitor compreenda o que foi investigado, como a investigação ocorreu, quais resultados foram obtidos e quais conclusões podem ser extraídas.
A seguir, veja como fazer um relatório científico, quais são suas principais partes e um modelo prático para entender a estrutura.
O que é um relatório científico?
O relatório científico é um texto que registra e comunica os procedimentos e resultados de uma investigação de maneira clara, organizada e fundamentada.
Imagine uma aula de laboratório na qual os estudantes realizam um experimento para observar como diferentes condições interferem em determinado fenômeno. Depois da atividade, não basta escrever que “o experimento funcionou”.
É necessário registrar informações como objetivo, materiais, metodologia, observações, dados encontrados e interpretação dos resultados.
O relatório permite organizar essas informações.
Além disso, dependendo da natureza do trabalho, ele pode apresentar tabelas, gráficos, fotografias, cálculos e referências bibliográficas.
Portanto, o documento não deve ser tratado simplesmente como um resumo da atividade realizada. Ele precisa explicar o processo de forma lógica.
Para que serve um relatório científico?
A principal função do relatório é comunicar uma investigação e seus resultados.
Em ambiente educacional, ele também permite que o professor avalie se o estudante compreendeu o procedimento realizado e consegue interpretar os dados encontrados.
Já em ambientes científicos e profissionais, os relatórios podem servir para documentar procedimentos, registrar resultados e comunicar informações relevantes a outros pesquisadores ou profissionais.
O documento também contribui para preservar informações sobre uma atividade.
Sem um registro adequado, detalhes importantes sobre materiais, métodos, condições do experimento ou resultados podem ser esquecidos.
Como fazer um relatório científico?
Antes de começar a escrever, reúna todas as informações disponíveis sobre a atividade.
Separe anotações, resultados, dados, materiais utilizados e referências consultadas.
Em seguida, organize essas informações de acordo com a estrutura solicitada pela instituição.
De maneira geral, um relatório científico pode apresentar elementos como:
- identificação ou capa;
- título;
- introdução;
- objetivos;
- materiais e métodos ou metodologia;
- resultados;
- discussão;
- conclusão;
- referências.
Entretanto, essa estrutura não é universal.
Um relatório simples solicitado em uma disciplina escolar pode conter apenas introdução, desenvolvimento, resultados e conclusão. Já um relatório acadêmico mais elaborado pode seguir exigências específicas da instituição ou do professor.
Por isso, sempre consulte primeiro as orientações recebidas para o trabalho.
Estrutura de um relatório científico
Entender a função de cada seção facilita bastante a elaboração do documento.
Título
O título deve indicar claramente o assunto estudado.
Evite títulos vagos como:
“Relatório de Ciências”
Quando possível, prefira algo que identifique a investigação:
“Influência da temperatura na dissolução de um sólido em água”
O leitor consegue compreender imediatamente qual é o assunto principal.
O título não precisa ser excessivamente longo. O objetivo é representar o conteúdo com precisão.
Introdução do relatório científico
A introdução apresenta o tema e fornece ao leitor o contexto necessário para compreender a investigação.
Nesse espaço, explique brevemente o fenômeno estudado, sua relevância e os conceitos essenciais relacionados ao trabalho.
Uma introdução não deve se transformar em uma revisão extensa de tudo que existe sobre o assunto. Inclua somente as informações necessárias para contextualizar a atividade.
Por exemplo, em um experimento sobre germinação, a introdução poderia explicar o que é germinação e mencionar fatores que podem interferir nesse processo.
Quando utilizar conceitos, dados ou informações provenientes de outras fontes, faça as referências adequadamente.
Exemplo de introdução
Considere um relatório sobre o efeito da luz no crescimento de plantas.
Uma introdução poderia seguir esta lógica:
“As plantas dependem de diferentes fatores ambientais para seu desenvolvimento. Entre eles, a disponibilidade de luz exerce papel importante em processos relacionados ao crescimento e à obtenção de energia. Neste experimento, plantas foram mantidas sob diferentes condições de iluminação para observar possíveis diferenças em seu desenvolvimento.”
Esse exemplo apresenta o contexto e conduz diretamente à atividade realizada.
Objetivo do relatório científico
O objetivo informa o que a investigação pretende verificar, analisar ou demonstrar.
Ele deve ser específico.
Em vez de escrever:
“O objetivo é aprender sobre plantas.”
Uma formulação mais precisa seria:
“Analisar a influência de diferentes condições de iluminação sobre o crescimento das plantas durante o período observado.”
Verbos como analisar, identificar, avaliar, verificar, comparar, investigar e determinar aparecem frequentemente na formulação de objetivos científicos.
Dependendo do trabalho, podem existir um objetivo geral e vários objetivos específicos.
Em atividades menores, um único objetivo pode ser suficiente.
Materiais utilizados
Quando o relatório descreve um experimento, pode ser necessário informar os materiais utilizados.
Suponha que uma atividade tenha utilizado recipientes, água, termômetro e determinada substância.
Esses materiais devem ser registrados de maneira suficientemente clara para que o leitor entenda como a atividade foi realizada.
A necessidade de informar quantidade, marca, modelo ou características específicas dependerá da importância dessas informações para a compreensão e reprodução do procedimento.
Metodologia do relatório científico
A metodologia — ou seção de materiais e métodos — explica como a investigação foi realizada.
Essa é uma das partes mais importantes.
O leitor precisa entender quais procedimentos foram adotados para chegar aos resultados apresentados posteriormente.
Informe, quando relevante:
local ou condições da atividade, materiais, equipamentos, etapas do procedimento, critérios de observação, período analisado e métodos utilizados para registrar ou analisar os dados.
A descrição deve seguir uma sequência lógica.
Exemplo de metodologia
Em um experimento simples sobre temperatura e dissolução, uma metodologia hipotética poderia ser:
“Foram utilizados três recipientes contendo a mesma quantidade de água em diferentes temperaturas. Em cada recipiente foi adicionada a mesma quantidade da substância analisada. Após a adição, registrou-se o tempo necessário para a dissolução em cada condição.”
Observe que a metodologia descreve o procedimento sem antecipar os resultados.
Essa separação é importante.
Como escrever os resultados de um relatório científico?
A seção de resultados apresenta aquilo que foi observado ou medido durante a investigação.
Aqui podem aparecer números, medições, tabelas, gráficos, fotografias ou descrições de fenômenos.
Suponha que um experimento tenha medido o crescimento de plantas durante três semanas.
Os resultados poderiam ser organizados em uma tabela com informações sobre cada grupo e as respectivas medições.
O texto também pode destacar os principais achados.
Por exemplo:
“As plantas mantidas na condição A apresentaram crescimento médio superior ao observado no grupo B durante o período analisado.”
Entretanto, é importante diferenciar apresentação e interpretação.
Dependendo da estrutura adotada, a explicação sobre por que determinado resultado ocorreu será desenvolvida principalmente na discussão.
Tabelas e gráficos no relatório científico
Tabelas e gráficos podem facilitar a compreensão dos dados, especialmente quando existe uma quantidade considerável de informações numéricas.
Uma tabela funciona bem quando o leitor precisa consultar valores específicos.
Já um gráfico pode facilitar a visualização de tendências, diferenças e relações entre dados.
Entretanto, esses recursos não devem ser adicionados apenas para deixar o trabalho visualmente mais elaborado.
Cada tabela ou gráfico precisa ter uma função.
Também é importante identificar adequadamente esses elementos conforme as regras adotadas pela instituição.
O texto deve conversar com os dados apresentados. Portanto, não basta inserir uma tabela e seguir para a próxima seção sem explicar quais informações relevantes ela apresenta.
O que colocar na discussão?
A discussão interpreta os resultados.
É nesse momento que o autor procura explicar o significado dos dados encontrados e relacioná-los aos conhecimentos científicos utilizados como referência.
Algumas perguntas podem orientar essa etapa:
Os resultados eram esperados?
Eles estão de acordo com a hipótese inicial?
Existe alguma explicação científica para o comportamento observado?
Os resultados estão de acordo com informações encontradas na literatura?
Houve limitações ou situações que podem ter interferido no experimento?
Considere um experimento no qual determinada condição deveria acelerar uma reação, mas o resultado não apresentou diferença significativa.
O relatório não deve simplesmente esconder esse fato.
A discussão pode avaliar possíveis explicações, limitações do método ou características da atividade que influenciaram o resultado.
Resultados inesperados também fazem parte da investigação científica.
Resultado e discussão podem ficar juntos?
Sim, dependendo das orientações adotadas.
Alguns trabalhos utilizam seções independentes:
Resultados
e
Discussão
Outros utilizam uma única seção:
Resultados e discussão
Nesse segundo formato, o autor apresenta determinado resultado e logo depois desenvolve sua interpretação.
Nenhuma dessas estruturas deve ser escolhida apenas por preferência quando o professor, curso ou instituição já estabeleceu um padrão.
Siga as regras fornecidas para o trabalho.
Como fazer a conclusão de um relatório científico?
A conclusão deve responder ao objetivo apresentado no início do trabalho.
Se o objetivo era analisar a influência da temperatura em determinado processo, a conclusão precisa explicar o que os resultados permitiram observar sobre essa relação.
Evite uma conclusão que apenas repita a introdução.
Também não introduza informações completamente novas que não tenham sido discutidas anteriormente.
Uma conclusão objetiva pode mencionar o principal resultado, indicar se o objetivo foi alcançado e reconhecer limitações importantes da investigação.
Exemplo de conclusão
Em um experimento hipotético, poderíamos ter:
“Os resultados obtidos indicaram diferenças no tempo de dissolução entre as condições de temperatura analisadas. Dentro das condições utilizadas no experimento, as amostras submetidas às temperaturas mais elevadas apresentaram menor tempo de dissolução. Dessa forma, o procedimento permitiu observar uma relação entre as variáveis analisadas.”
Perceba o cuidado com a afirmação.
Em vez de fazer uma generalização ilimitada, a conclusão considera as condições do próprio experimento.
Como colocar referências no relatório científico?
As referências identificam as fontes utilizadas para fundamentar o trabalho.
Podem incluir livros, artigos científicos, documentos oficiais, publicações acadêmicas e páginas de instituições reconhecidas.
Não inclua uma fonte apenas porque ela aborda o mesmo assunto. A lista de referências deve representar materiais efetivamente utilizados na elaboração do trabalho.
Da mesma forma, informações retiradas de uma fonte precisam receber a citação adequada no texto de acordo com o padrão solicitado.
Em trabalhos acadêmicos brasileiros, é comum que instituições adotem normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), embora cada instituição possa fornecer orientações próprias sobre apresentação e referências.
Confira também outros conteúdos sobre educação e trabalhos acadêmicos.
Relatório científico nas normas ABNT
Quando a instituição exige um relatório científico nas normas ABNT, é importante verificar exatamente quais normas e orientações foram estabelecidas.
Isso ocorre porque “seguir a ABNT” não significa apenas configurar margens ou escolher uma fonte.
Existem normas relacionadas a diferentes aspectos da documentação acadêmica, incluindo apresentação de trabalhos, referências, citações, numeração progressiva e resumos.
Além disso, universidades e escolas frequentemente publicam seus próprios manuais acadêmicos baseados nessas normas.
Portanto, o manual da instituição deve ser consultado antes da formatação final.
Para informações normativas oficiais, a referência é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Modelo de relatório científico
Um modelo básico pode ajudar a visualizar a organização do trabalho.
Considere a seguinte estrutura:
Título: Influência da temperatura na dissolução de uma substância
Introdução: apresentação do conceito de dissolução e contextualização da possível influência da temperatura.
Objetivo: verificar se diferentes temperaturas alteram o tempo necessário para a dissolução da substância analisada.
Materiais: descrição dos recipientes, água, substância, instrumentos de medição e demais materiais utilizados.
Metodologia: explicação das condições de temperatura, quantidades utilizadas, procedimento adotado e método empregado para medir o tempo.
Resultados: apresentação dos tempos registrados em cada condição, preferencialmente acompanhada de uma tabela quando houver diversos dados.
Discussão: interpretação das diferenças encontradas e comparação com os conceitos científicos estudados.
Conclusão: resposta ao objetivo da investigação com base nos resultados observados.
Referências: relação das fontes utilizadas para fundamentar o relatório.
Esse exemplo deve servir como referência estrutural. Os dados e procedimentos precisam corresponder ao experimento realmente realizado.
Relatório científico pronto pode ser usado?
Pesquisar um relatório científico pronto pode ajudar a compreender como esse tipo de documento é organizado.
Entretanto, copiar um relatório e apresentá-lo como próprio é inadequado academicamente e pode configurar plágio.
Além disso, um relatório de experimento precisa representar aquilo que realmente aconteceu durante a atividade.
Se outra pessoa utilizou materiais, condições ou procedimentos diferentes, seus resultados não necessariamente serão iguais.
O melhor uso de um modelo pronto é observar sua estrutura.
Depois disso, o estudante deve preencher cada seção com as informações do próprio trabalho.
Qual é a diferença entre relatório científico e artigo científico?
Os dois documentos podem apresentar pesquisas, mas não são necessariamente equivalentes.
O relatório costuma registrar e comunicar uma atividade, investigação, experimento ou projeto de acordo com objetivos específicos.
Um artigo científico, por sua vez, geralmente possui estrutura e finalidade voltadas à comunicação científica e pode ser preparado para publicação em periódico, congresso ou outro meio acadêmico.
Os critérios de avaliação, extensão, organização e revisão também podem ser diferentes.
Portanto, receber uma solicitação de “relatório” não significa automaticamente que o professor espera um artigo científico.
Relatório científico e relatório de aula prática são iguais?
Um relatório de aula prática pode ser considerado uma modalidade de relatório utilizada para registrar atividades realizadas em laboratório, campo ou outros ambientes de aprendizagem.
Normalmente, ele possui estrutura mais simples do que um relatório de pesquisa extenso.
Em uma aula de Química, Biologia ou Física, por exemplo, o professor pode solicitar objetivo, materiais, procedimento, resultados e conclusão.
Já uma investigação científica mais ampla pode exigir introdução teórica, metodologia detalhada, análise estatística, discussão aprofundada e referências mais extensas.
Novamente, o nível de detalhamento depende do objetivo da atividade.
Quais são os erros mais comuns em um relatório científico?
Um erro frequente é transformar o relatório em uma narrativa pessoal da aula.
Frases como “primeiro chegamos ao laboratório, depois o professor falou e então pegamos os materiais” geralmente acrescentam pouco ao entendimento científico do procedimento.
O foco deve estar na investigação.
Outro problema é apresentar conclusões que os resultados não sustentam.
Se um experimento pequeno observou cinco amostras, por exemplo, pode ser inadequado fazer afirmações universais sem reconhecer as limitações existentes.
Também é comum encontrar relatórios nos quais a metodologia está incompleta.
Se informações essenciais foram omitidas, outra pessoa pode não conseguir compreender como os resultados foram obtidos.
Por fim, copiar explicações de sites sem indicar a fonte prejudica a qualidade acadêmica do trabalho e pode caracterizar plágio.
Como deixar um relatório científico melhor?
Clareza é uma das características mais importantes.
Depois de terminar o texto, releia cada seção e verifique se ela cumpre sua função.
A introdução realmente apresenta o problema?
O objetivo está claro?
A metodologia permite compreender o procedimento?
Os resultados mostram os dados encontrados?
A discussão interpreta esses resultados?
A conclusão responde ao objetivo?
Também revise números, unidades de medida, tabelas, legendas, referências e ortografia.
Outra estratégia útil é verificar se existe coerência entre as diferentes partes.
Se o objetivo promete analisar três variáveis, por exemplo, os resultados precisam apresentar informações suficientes para responder a essa proposta.
Como começar um relatório científico?
A maneira mais eficiente é não começar tentando escrever imediatamente a introdução perfeita.
Primeiro, organize as informações da atividade.
Registre o objetivo, os materiais utilizados, o procedimento executado e os resultados encontrados. Como essas informações são concretas, normalmente é mais fácil estruturá-las primeiro.
Depois, desenvolva a introdução com a fundamentação necessária para contextualizar o experimento.
Em seguida, escreva a discussão e a conclusão.
Finalmente, revise o documento inteiro para verificar se todas as partes estão conectadas.
Essa estratégia reduz a chance de produzir uma introdução extensa que pouco tenha a ver com aquilo que realmente foi investigado.
O que não pode faltar em um relatório científico?
Um bom relatório científico precisa permitir que o leitor compreenda qual foi o objetivo da investigação, como ela ocorreu, quais resultados foram encontrados e o que esses resultados significam.
A estrutura exata depende da atividade e das exigências da instituição. Entretanto, introdução, objetivo, metodologia, resultados, discussão, conclusão e referências são elementos frequentes nesse tipo de documento.
Mais importante do que simplesmente preencher cada seção é manter coerência entre elas.
O objetivo apresentado no início precisa orientar o método. O método deve produzir os dados apresentados nos resultados. A discussão deve interpretar esses dados e, finalmente, a conclusão precisa responder ao problema investigado.
Quando essa sequência é respeitada, o relatório deixa de ser apenas uma obrigação acadêmica e passa a cumprir sua verdadeira função: registrar e comunicar uma investigação de forma clara, organizada e verificável.
Fontes
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) — normas técnicas aplicáveis à documentação, referências, citações e apresentação de trabalhos acadêmicos.
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) — instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com materiais e iniciativas relacionadas à informação e comunicação científica.
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