Propostas de intervenção Enem: como fazer, exemplos e modelo para a redação

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As propostas de intervenção no Enem aparecem na conclusão da redação e precisam apresentar uma solução relacionada ao problema discutido ao longo do texto. Para alcançar um bom desempenho na Competência V, não basta terminar a redação dizendo que “o governo precisa resolver o problema”. É necessário construir uma proposta coerente com a argumentação, suficientemente detalhada e que respeite os direitos humanos.

Uma boa proposta costuma deixar claro quem realizará a ação, o que será feito, como a medida será executada, qual é sua finalidade e algum detalhamento pertinente.

Por exemplo, em vez de escrever apenas “o governo deve conscientizar a população”, o candidato pode indicar qual instituição deve agir, que ação deve desenvolver, por qual meio e com qual objetivo.

Entender essa estrutura facilita muito a elaboração da conclusão e evita propostas vagas.

O que é proposta de intervenção no Enem?

A proposta de intervenção é a solução apresentada pelo candidato para enfrentar o problema discutido na redação.

Ela está diretamente relacionada à Competência V da matriz de referência da redação do Enem.

Segundo o Inep, essa competência avalia a capacidade de:

elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Isso significa que a conclusão precisa conversar com aquilo que foi discutido anteriormente.

Se o texto inteiro analisa um problema educacional, por exemplo, não faz sentido terminar com uma solução relacionada a uma causa completamente diferente daquela desenvolvida na argumentação.

A intervenção deve surgir como consequência lógica do texto.

Quais são os elementos da proposta de intervenção do Enem?

Uma maneira prática de estruturar a proposta é trabalhar com cinco elementos:

  • agente;
  • ação;
  • meio ou modo;
  • finalidade ou efeito;
  • detalhamento.

Esses elementos ajudam a transformar uma solução genérica em uma intervenção concreta.

Veja cada um deles.

1. Agente: quem fará?

O agente é quem ficará responsável por executar a ação.

Dependendo do problema, pode ser:

  • Governo Federal;
  • Ministério da Educação;
  • Ministério da Saúde;
  • secretarias estaduais;
  • prefeituras;
  • escolas;
  • universidades;
  • empresas;
  • organizações da sociedade civil;
  • meios de comunicação;
  • famílias;
  • plataformas digitais;
  • instituições específicas relacionadas ao tema.

O agente precisa fazer sentido.

Se o problema estiver diretamente relacionado à educação básica, por exemplo, órgãos responsáveis pela política educacional podem ser mais adequados do que uma instituição sem relação com o assunto.

Exemplo de agente

O Ministério da Educação deve…

A partir daí, falta explicar o que ele fará.

2. Ação: o que será feito?

A ação representa a medida proposta para enfrentar o problema.

Alguns verbos que podem aparecer são:

criar;

ampliar;

implementar;

promover;

fiscalizar;

capacitar;

financiar;

desenvolver;

disponibilizar.

Imagine um tema relacionado à desinformação.

Uma ação poderia ser:

promover programas de educação midiática.

Agora já temos:

Agente: Ministério da Educação.

Ação: promover programas de educação midiática.

Mas ainda é possível tornar a proposta muito mais completa.

3. Meio ou modo: como será feito?

O meio explica como a ação será colocada em prática.

Exemplo:

por meio da inclusão de atividades de educação midiática em projetos pedagógicos e da capacitação de professores.

Agora a intervenção começa a ganhar concretude.

Compare:

O governo deve conscientizar os jovens.

com:

O Ministério da Educação deve promover ações de educação midiática nas escolas, por meio da capacitação de professores e da elaboração de materiais pedagógicos voltados à análise crítica de informações.

A segunda versão explica melhor como a intervenção poderia acontecer.

4. Finalidade: para quê?

A finalidade mostra o resultado pretendido.

Algumas construções úteis são:

a fim de…

com o objetivo de…

para que…

de modo a…

No exemplo anterior:

a fim de desenvolver a capacidade dos estudantes de identificar informações falsas e avaliar criticamente os conteúdos consumidos.

Agora temos uma relação clara entre problema e solução.

5. Detalhamento

O detalhamento acrescenta informações relevantes a um dos elementos da proposta.

Ele pode explicar melhor o agente, a ação, o meio, a finalidade ou outra característica importante da intervenção.

Por exemplo:

O Ministério da Educação, órgão responsável pela formulação e coordenação de políticas educacionais em âmbito federal, deve…

Nesse caso, existe um detalhamento do agente.

Também seria possível detalhar a ação ou explicar melhor como ela funcionaria.

O importante é que o detalhe acrescente conteúdo significativo, e não apenas palavras.

Fórmula para proposta de intervenção Enem

Uma estrutura bastante útil para estudar é:

AGENTE + AÇÃO + MEIO + FINALIDADE + DETALHAMENTO

Ela não precisa aparecer mecanicamente nessa ordem.

O objetivo é utilizá-la como checklist.

Depois de escrever a conclusão, pergunte:

Quem fará?

O que será feito?

Como?

Para quê?

Existe algum detalhamento relevante?

Se essas perguntas forem respondidas com clareza, a proposta tende a ficar muito mais completa.

Exemplo de proposta de intervenção pronta

Considere um tema hipotético sobre dificuldades de combate à desinformação no Brasil.

Uma conclusão poderia apresentar:

Portanto, o Ministério da Educação, em parceria com as redes de ensino, deve ampliar ações de educação midiática nas escolas, por meio da formação de professores e da disponibilização de materiais didáticos voltados à análise crítica de conteúdos digitais, a fim de desenvolver nos estudantes maior capacidade para reconhecer informações enganosas e verificar fontes antes de compartilhar publicações. Paralelamente, plataformas digitais devem fortalecer mecanismos de identificação e denúncia de conteúdos potencialmente falsos, tornando essas ferramentas mais acessíveis aos usuários.

Observe a estrutura.

Agente: Ministério da Educação.

Ação: ampliar ações de educação midiática.

Meio: formação de professores e disponibilização de materiais.

Finalidade: desenvolver capacidade crítica nos estudantes.

Também existe uma segunda frente de intervenção envolvendo plataformas digitais.

A proposta não apareceu do nada: ela precisa estar relacionada aos problemas discutidos no desenvolvimento da redação.

Proposta de intervenção sobre educação

Imagine um tema relacionado à evasão escolar.

Uma proposta possível seria:

As secretarias estaduais de Educação devem ampliar programas de acompanhamento de estudantes com risco de abandono escolar, por meio da identificação de faltas recorrentes e do contato integrado entre escolas, famílias e equipes de assistência, a fim de detectar precocemente os fatores que afastam os jovens das salas de aula e possibilitar intervenções antes da evasão definitiva.

A proposta identifica claramente quem deve agir e como a medida pode funcionar.

Proposta de intervenção sobre saúde mental

Em um tema hipotético relacionado à saúde mental de jovens, poderia ser apresentada uma intervenção como:

O poder público, em articulação com as redes de ensino e de saúde, deve ampliar ações preventivas de promoção da saúde mental entre adolescentes, por meio de atividades educativas, capacitação de profissionais para identificação de sinais de sofrimento e divulgação dos serviços públicos disponíveis, a fim de facilitar a busca por orientação e atendimento adequado.

É importante evitar diagnósticos simplistas ou propostas que tratem problemas complexos como se possuíssem uma solução única.

Proposta de intervenção sobre meio ambiente

Em uma discussão sobre descarte inadequado de resíduos, um exemplo seria:

As prefeituras devem ampliar a coleta seletiva e os pontos de entrega voluntária de materiais recicláveis, priorizando bairros ainda pouco atendidos e divulgando os locais de descarte por meio de campanhas informativas, a fim de facilitar a destinação correta dos resíduos e reduzir o descarte irregular em espaços públicos.

Nesse exemplo, o agente está mais próximo da execução da política proposta.

Escolher corretamente o agente deixa a intervenção mais coerente.

Proposta de intervenção sobre violência

Uma redação sobre determinado tipo de violência pode exigir soluções preventivas, educativas, sociais e institucionais.

Exemplo:

Os órgãos públicos responsáveis pela proteção das vítimas devem ampliar a divulgação dos canais oficiais de denúncia e atendimento, por meio de campanhas permanentes em escolas, unidades de saúde, transportes e plataformas digitais, com linguagem acessível e informações sobre os serviços disponíveis, a fim de facilitar o reconhecimento das situações de violência e o acesso à rede de proteção.

A proposta evita a ideia simplista de que apenas aumentar punições resolveria automaticamente um problema social complexo.

Proposta de intervenção sobre preconceito

Um exemplo possível seria:

As instituições de ensino devem desenvolver projetos permanentes de educação para o respeito e a diversidade, por meio de debates mediados, atividades pedagógicas e formação continuada dos profissionais da educação, com o objetivo de combater comportamentos discriminatórios e promover uma convivência escolar baseada no respeito aos direitos individuais.

Novamente, a intervenção precisa estar conectada à tese e aos argumentos apresentados anteriormente.

Proposta de intervenção sobre tecnologia

Considere um tema sobre dificuldades de inclusão digital.

Uma proposta poderia ser:

O Governo Federal, em cooperação com estados e municípios, deve ampliar políticas de inclusão digital, por meio da expansão da infraestrutura de conexão em regiões com cobertura insuficiente e da criação de espaços públicos equipados com computadores e acesso à internet, a fim de reduzir desigualdades no acesso a serviços, educação e oportunidades profissionais oferecidas pelo ambiente digital.

Observe que “dar internet para todo mundo” seria muito genérico.

A versão desenvolvida especifica agente, ação, mecanismo e objetivo.

Proposta de intervenção sobre redes sociais

Imagine uma redação sobre uso irresponsável das redes sociais.

Um exemplo:

As escolas devem ampliar a educação digital dos estudantes, por meio de oficinas e atividades pedagógicas que abordem privacidade, segurança, verificação de informações e consequências da exposição excessiva na internet, a fim de estimular um uso mais crítico e responsável das plataformas digitais.

Dependendo da argumentação, também poderiam existir propostas direcionadas às próprias plataformas ou ao poder público.

Proposta de intervenção sobre desigualdade social

Um problema complexo como desigualdade social dificilmente seria resolvido por uma única medida.

O candidato pode selecionar um aspecto diretamente relacionado à sua argumentação.

Exemplo:

O poder público deve ampliar programas de qualificação profissional destinados a populações socialmente vulneráveis, por meio de parcerias com instituições de ensino técnico e empresas, oferecendo formação alinhada às demandas do mercado regional, a fim de aumentar as possibilidades de inserção profissional e geração de renda.

A intervenção é mais específica do que simplesmente afirmar que “o governo deve acabar com a desigualdade”.

Quem pode ser o agente da proposta de intervenção?

O governo é apenas uma das possibilidades.

Dependendo do tema, o agente pode ser:

Governo Federal

Adequado para políticas de alcance nacional.

Ministérios

Podem ser escolhidos conforme a área discutida.

Exemplos:

Ministério da Educação;

Ministério da Saúde;

Ministério do Trabalho e Emprego;

Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Prefeituras

Podem aparecer em intervenções relacionadas a serviços municipais, infraestrutura urbana e políticas locais.

Escolas

São agentes possíveis quando a solução envolve educação e atividades pedagógicas.

Famílias

Podem participar de determinadas intervenções, principalmente quando a argumentação demonstra sua relação com o problema.

Empresas

São adequadas quando o setor privado possui responsabilidade ou capacidade de atuação relacionada ao problema.

Meios de comunicação

Podem participar de campanhas e iniciativas informativas quando isso fizer sentido.

Sociedade civil

Organizações e associações podem integrar determinadas propostas, especialmente em parceria com instituições públicas.

A escolha precisa ser lógica.

Posso colocar “governo” na proposta de intervenção?

Pode, mas muitas vezes é possível ser mais específico.

“Governos” ou “poder público” são expressões amplas.

Dependendo do problema, indicar uma instituição responsável demonstra maior precisão.

Em vez de:

O governo deve melhorar a educação.

Pode ser melhor escrever:

O Ministério da Educação, em articulação com as redes de ensino, deve desenvolver…

Entretanto, não é necessário inventar órgãos ou atribuições.

Se você não tiver certeza sobre qual instituição específica possui determinada competência, uma formulação correta e mais ampla pode ser preferível a citar um órgão inadequado.

Pode inventar ministério no Enem?

Não é uma boa estratégia.

Utilize instituições que você conhece.

Não é necessário decorar dezenas de órgãos públicos para produzir uma boa proposta.

Alguns agentes abrangentes podem resolver grande parte das situações:

Governo Federal;

Ministério da Educação;

Ministério da Saúde;

prefeituras;

secretarias estaduais e municipais;

escolas;

empresas;

organizações da sociedade civil.

O mais importante é saber relacionar o agente à ação proposta.

Quantas propostas de intervenção colocar na redação?

Não existe necessidade de transformar a conclusão em uma enorme lista de soluções.

Uma proposta bem desenvolvida pode ser mais eficiente do que várias intervenções superficiais.

Entretanto, dependendo da tese, duas ações articuladas podem funcionar muito bem.

Imagine que o desenvolvimento apresentou dois problemas:

falta de informação e dificuldade de acesso a determinado serviço.

A conclusão poderia apresentar uma intervenção para melhorar a informação e outra para ampliar o acesso.

O importante é não sacrificar o detalhamento apenas para incluir muitas propostas.

A proposta de intervenção precisa ficar na conclusão?

Na prática, a conclusão é o lugar mais natural e organizado para apresentar a intervenção em uma redação dissertativo-argumentativa do Enem.

Isso facilita a estrutura:

Introdução: apresenta tema e tese.

Desenvolvimento: explica e argumenta sobre o problema.

Conclusão: retoma a discussão e apresenta a intervenção.

Essa organização também ajuda o leitor a compreender a progressão do texto.

Como começar a proposta de intervenção?

Algumas expressões podem ajudar:

Portanto, é necessário que…

Diante desse cenário,…

Desse modo,…

Logo,…

Assim,…

Diante do problema apresentado,…

Entretanto, conectivos não garantem uma boa conclusão.

O conteúdo da proposta é muito mais importante.

Evite decorar uma conclusão inteira e utilizá-la independentemente do tema.

Modelo de conclusão para redação Enem

Um modelo estrutural para estudo é:

Portanto, [AGENTE], responsável por [DETALHAMENTO DO AGENTE], deve [AÇÃO], por meio de [MEIO/MODO], a fim de [FINALIDADE]. Além disso, [SEGUNDO AGENTE] deve [SEGUNDA AÇÃO], mediante [MEIO], com o objetivo de [FINALIDADE]. Dessa maneira, será possível reduzir os impactos do problema discutido.

Esse modelo serve para entender a estrutura.

Ele não deve ser copiado mecanicamente em qualquer redação.

A conclusão precisa ser adaptada ao tema e aos argumentos desenvolvidos.

Exemplo preenchido

Tema hipotético: desafios da educação financeira entre jovens brasileiros.

Portanto, as redes públicas de ensino devem ampliar a educação financeira dos estudantes, por meio de atividades pedagógicas que abordem orçamento, consumo consciente, juros, crédito e planejamento, com materiais adequados à faixa etária, a fim de desenvolver maior autonomia na tomada de decisões econômicas. Além disso, instituições financeiras podem ampliar gratuitamente a produção de conteúdos educativos acessíveis ao público jovem, contribuindo para a disseminação de informações sobre o uso responsável de produtos financeiros.

A proposta apresenta ações relacionadas diretamente ao problema.

O que não fazer na proposta de intervenção?

Alguns erros tornam a conclusão excessivamente genérica.

“O governo deve resolver o problema”

Não explica o que será feito.

“As pessoas precisam se conscientizar”

Não mostra como a conscientização ocorrerá.

“É preciso criar campanhas”

Quem criará?

Onde?

Como?

Sobre o quê?

Com qual objetivo?

“A sociedade deve fazer sua parte”

Essa frase pode servir como comentário, mas dificilmente constitui uma intervenção suficientemente desenvolvida sozinha.

Propor algo sem relação com a argumentação

Se o desenvolvimento identifica falta de infraestrutura como principal problema e a conclusão propõe apenas uma campanha no Instagram, pode existir uma ruptura lógica.

O que é uma proposta de intervenção genérica?

É aquela que poderia ser colocada praticamente em qualquer redação sem nenhuma alteração.

Por exemplo:

O governo deve criar políticas públicas e a mídia deve conscientizar a sociedade para solucionar o problema.

Qual problema?

Quais políticas?

Como?

Qual mídia?

Conscientizar sobre o quê?

O que se espera alcançar?

A frase parece uma proposta, mas possui pouca informação concreta.

Como melhorar uma proposta genérica?

Comece com:

O governo deve fazer campanhas.

Depois pergunte:

Qual governo ou instituição?

Ministério da Saúde.

Fazer o quê?

Campanhas educativas.

Como?

Por meio de unidades de saúde, escolas e mídias digitais.

Para quê?

Ampliar o conhecimento da população sobre prevenção.

É possível detalhar?

Sim, explicando qual informação será apresentada ou qual público será priorizado.

A proposta começa a ficar muito mais consistente.

Proposta de intervenção precisa respeitar os direitos humanos?

Sim.

O próprio critério da Competência V estabelece que a proposta deve respeitar os direitos humanos.

Portanto, soluções baseadas em violência, tortura, perseguição, execução, tratamento desumano ou outras violações não devem ser utilizadas como resposta aos problemas sociais apresentados.

Mesmo em temas relacionados a criminalidade ou violência, é possível propor medidas compatíveis com direitos fundamentais.

Exemplos incluem:

prevenção;

investigação;

fiscalização;

educação;

políticas sociais;

aperfeiçoamento de serviços públicos;

aplicação da legislação dentro das garantias legais.

Como conseguir 200 pontos na Competência V?

A pontuação da redação é atribuída conforme os critérios oficiais de correção, e não existe uma frase mágica que garanta automaticamente 200 pontos.

Para buscar o nível mais alto na Competência V, o candidato precisa apresentar uma proposta bem elaborada, relacionada à discussão desenvolvida no texto e compatível com os direitos humanos.

Por isso, a melhor estratégia é compreender a estrutura da intervenção em vez de decorar uma conclusão pronta.

Ao terminar a redação, revise:

Existe um agente?

Existe uma ação concreta?

Expliquei como ela será realizada?

Mostrei o resultado esperado?

Existe detalhamento?

A solução responde ao problema discutido?

A proposta respeita os direitos humanos?

Essa revisão pode revelar rapidamente pontos que precisam ser melhorados.

Frases para proposta de intervenção Enem

Algumas estruturas podem ajudar durante o treino:

“[Agente] deve promover [ação], por meio de [meio], a fim de [finalidade].”

“Cabe a [agente] ampliar [ação], mediante [meio], com o objetivo de [finalidade].”

“[Agente], responsável por [detalhamento], deve implementar [ação] por meio de [estratégia].”

“Além disso, [agente] deve desenvolver [ação], utilizando [meio], de modo a [resultado].”

Elas funcionam como estruturas linguísticas, não como respostas prontas.

O conteúdo precisa ser adaptado.

Agentes para usar na redação do Enem

Para facilitar os estudos, alguns agentes podem ser associados a determinadas áreas.

Educação: Ministério da Educação, secretarias de Educação, escolas e universidades.

Saúde: Ministério da Saúde, secretarias de Saúde e unidades de atendimento.

Problemas municipais: prefeituras e secretarias municipais.

Mercado de trabalho: Ministério do Trabalho e Emprego, empresas e instituições de qualificação profissional.

Ambiente escolar: escolas, redes de ensino, professores e comunidade escolar.

Tecnologia: poder público, instituições educacionais, empresas de tecnologia e plataformas digitais.

Não existe uma tabela rígida.

O contexto determina qual agente é mais adequado.

Lista de ações para proposta de intervenção

Algumas ações que podem aparecer, quando adequadas ao tema, são:

  • ampliar programas;
  • criar mecanismos de fiscalização;
  • desenvolver projetos educacionais;
  • capacitar profissionais;
  • disponibilizar atendimento;
  • expandir infraestrutura;
  • melhorar canais de denúncia;
  • financiar pesquisas;
  • produzir materiais educativos;
  • facilitar o acesso a serviços;
  • aperfeiçoar políticas públicas;
  • promover campanhas informativas.

Evite utilizar essas ações apenas para preencher a conclusão.

Cada uma precisa responder a uma causa ou consequência discutida no texto.

Lista de meios para a proposta de intervenção

O meio pode ser apresentado com construções como:

por meio de…

mediante…

a partir de…

Alguns exemplos:

campanhas em mídias digitais;

formação de profissionais;

materiais didáticos;

parcerias institucionais;

plataformas digitais;

fiscalizações periódicas;

ampliação de equipes;

investimento em infraestrutura;

projetos escolares;

canais de atendimento.

O meio deve explicar de maneira plausível como a ação será executada.

Lista de finalidades

A finalidade geralmente aparece depois de expressões como:

a fim de;

com o objetivo de;

de modo a;

para que.

Exemplos:

a fim de ampliar o acesso à informação;

com o objetivo de reduzir a evasão escolar;

de modo a diminuir as desigualdades de acesso;

para que a população consiga identificar situações de risco.

Evite finalidades extremamente genéricas como:

“para melhorar o Brasil.”

Quanto mais relacionada ao problema, melhor.

Como treinar propostas de intervenção?

Uma técnica simples é pegar temas antigos ou hipotéticos e treinar somente a conclusão.

Escolha um problema e responda às cinco perguntas:

Quem?

Fará o quê?

Como?

Para quê?

Qual detalhe pode tornar a proposta mais concreta?

Depois transforme as respostas em um parágrafo.

Por exemplo:

Quem? Secretaria de Educação.

O quê? Criar programa de combate à evasão.

Como? Monitorando faltas e aproximando escola e família.

Para quê? Identificar alunos em risco de abandono.

Detalhamento: equipes escolares receberiam orientações para identificar sinais de afastamento.

Com essas informações, fica muito mais fácil escrever uma conclusão completa.

Propostas de intervenção prontas podem ser decoradas?

Decorar uma estrutura pode ajudar.

Decorar uma proposta inteira para utilizá-la em qualquer tema, porém, é arriscado.

O Enem pode apresentar assuntos bastante diferentes.

Uma conclusão decorada pode não conversar com a argumentação e acabar parecendo artificial.

É mais eficiente decorar o raciocínio:

agente + ação + meio + finalidade + detalhamento.

Assim, você consegue construir uma intervenção específica para praticamente qualquer tema.

Proposta de intervenção Enem: resumo

As propostas de intervenção no Enem são fundamentais para a Competência V da redação.

Uma forma prática de construir uma boa intervenção é pensar em cinco elementos:

Agente: quem fará?

Ação: o que será feito?

Meio: como será feito?

Finalidade: para quê?

Detalhamento: qual informação adicional torna a proposta mais completa?

O candidato também precisa garantir que a solução esteja relacionada ao problema discutido e respeite os direitos humanos.

Em vez de decorar frases como “o governo deve conscientizar a população”, é melhor aprender a construir propostas específicas.

Se o problema envolve falta de informação, explique quem fornecerá essa informação, por qual canal, para qual público e com qual objetivo.

Se envolve ausência de infraestrutura, proponha medidas relacionadas à expansão ou melhoria dessa estrutura.

A melhor proposta de intervenção não é aquela que utiliza as palavras mais difíceis. É aquela que apresenta uma solução coerente, clara, relacionada à argumentação e suficientemente desenvolvida.

Fontes

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Cartilha do Participante – A Redação do Enem, com orientações oficiais sobre as cinco competências avaliadas e a proposta de intervenção.

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Matriz de Referência da Redação do Enem e materiais oficiais de preparação para o exame.

Ministério da Educação (MEC). Informações institucionais sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

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