Pesquisar por redações do Enem prontas pode ser uma excelente forma de aprender como organizar introdução, argumentos, repertório sociocultural e proposta de intervenção. O objetivo, porém, não deve ser decorar um texto inteiro para reproduzi-lo na prova. Os melhores exemplos servem para entender a lógica de uma redação bem construída e desenvolver uma estrutura que possa ser adaptada a diferentes temas.
A redação do Enem exige um texto dissertativo-argumentativo, escrito em modalidade formal da língua portuguesa. O participante precisa apresentar um ponto de vista sobre o problema proposto, desenvolver argumentos consistentes e finalizar com uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
A nota pode chegar a 1.000 pontos, distribuídos entre cinco competências avaliadas. Por isso, analisar redações prontas é mais produtivo quando o estudante entende por que determinado texto funciona.
A seguir, você encontrará modelos completos criados para estudo, além de orientações para construir sua própria redação.
Redação do Enem pronta: modelo 1
Tema: Os desafios para combater a desinformação no Brasil
A expansão das tecnologias digitais modificou profundamente a maneira como os brasileiros produzem e consomem informações. Embora a internet tenha democratizado o acesso ao conhecimento, ela também facilitou a disseminação de conteúdos falsos, capazes de influenciar decisões individuais e coletivas. Nesse contexto, o combate à desinformação no Brasil enfrenta obstáculos relacionados principalmente à insuficiente educação midiática da população e à velocidade de circulação de conteúdos nas plataformas digitais.
Em primeiro lugar, a falta de preparação para avaliar criticamente as informações recebidas contribui para a propagação de notícias falsas. Em uma sociedade na qual grande parcela da população utiliza redes sociais como fonte cotidiana de informação, saber identificar autoria, contexto e confiabilidade torna-se fundamental. Entretanto, essas habilidades nem sempre são suficientemente desenvolvidas durante a formação escolar. Consequentemente, conteúdos apelativos ou aparentemente verdadeiros podem ser compartilhados sem qualquer verificação.
Além disso, as características das próprias plataformas digitais intensificam o problema. Informações capazes de despertar medo, indignação ou surpresa podem alcançar rapidamente milhares de pessoas. Quando uma informação falsa é corrigida, ela eventualmente já atingiu uma parcela expressiva da sociedade. Dessa maneira, o desafio não consiste apenas em remover conteúdos enganosos, mas também em desenvolver mecanismos que reduzam sua circulação e estimulem o consumo responsável de informações.
Portanto, é necessário fortalecer o combate à desinformação no país. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com instituições de ensino, deve ampliar projetos de educação midiática nas escolas, por meio de atividades que ensinem os estudantes a verificar fontes, comparar informações e reconhecer conteúdos manipulados. Paralelamente, as plataformas digitais devem aperfeiçoar mecanismos de identificação e sinalização de informações comprovadamente falsas, garantindo transparência nos procedimentos adotados. Dessa forma, será possível desenvolver uma sociedade mais preparada para utilizar os meios digitais de maneira crítica e responsável.
Como esse modelo de redação foi estruturado?
O texto possui quatro parágrafos.
No primeiro, existe uma contextualização do assunto seguida da apresentação da tese.
O estudante identifica dois problemas:
1. falta de educação midiática;
2. velocidade de circulação das informações.
Esses dois argumentos determinam a organização do restante do texto.
O segundo parágrafo desenvolve o primeiro problema.
O terceiro desenvolve o segundo.
Por fim, a conclusão apresenta ações para enfrentar as dificuldades discutidas anteriormente.
Essa estrutura é bastante útil para o Enem:
Introdução → argumento 1 → argumento 2 → proposta de intervenção.
Ela não precisa ser utilizada obrigatoriamente em todas as redações, mas funciona como uma referência simples para quem está aprendendo.
Redação do Enem pronta: modelo 2
Tema: Caminhos para combater a evasão escolar no Brasil
A educação constitui um instrumento fundamental para o desenvolvimento individual e social. Entretanto, garantir a matrícula de crianças e adolescentes não é suficiente quando parte dos estudantes abandona a escola antes de concluir a educação básica. No Brasil, a evasão escolar está relacionada a diferentes fatores, entre os quais se destacam a vulnerabilidade socioeconômica de muitas famílias e a dificuldade de determinados estudantes em perceber perspectivas concretas relacionadas à permanência no ambiente escolar.
Inicialmente, é necessário considerar a influência das desigualdades econômicas. Em famílias de baixa renda, adolescentes podem sentir a necessidade de trabalhar para complementar o orçamento doméstico, situação capaz de dificultar a conciliação entre estudo e atividade profissional. Além disso, problemas envolvendo transporte, alimentação e condições adequadas para estudar também podem comprometer a frequência e o desempenho. Assim, a evasão não deve ser interpretada apenas como uma decisão individual, pois pode refletir dificuldades sociais mais amplas.
Outro aspecto relevante está relacionado à necessidade de tornar a experiência escolar mais significativa para os jovens. Quando o estudante não consegue relacionar os conhecimentos aprendidos às suas perspectivas acadêmicas, profissionais e pessoais, sua motivação pode diminuir. Dessa maneira, ações de orientação profissional, acompanhamento pedagógico e aproximação entre escola, família e comunidade podem contribuir para identificar dificuldades antes que elas resultem no abandono definitivo.
Portanto, o enfrentamento da evasão escolar exige ações articuladas. O poder público, em parceria com as redes de ensino, deve ampliar programas de permanência estudantil destinados aos alunos em situação de vulnerabilidade, oferecendo suporte financeiro, alimentação e transporte quando necessários. Ao mesmo tempo, as escolas devem fortalecer programas de acompanhamento individual e orientação profissional, por meio de equipes pedagógicas capacitadas para identificar estudantes com risco de abandono. Assim, será possível reduzir a evasão e ampliar as oportunidades educacionais dos jovens brasileiros.
O que podemos aprender com essa redação pronta?
Observe novamente que existe uma ligação clara entre introdução, desenvolvimento e conclusão.
A introdução apresenta duas causas.
A primeira é a vulnerabilidade socioeconômica.
A segunda está relacionada à dificuldade de enxergar perspectivas na permanência escolar.
Cada uma recebe seu próprio parágrafo de desenvolvimento.
Na conclusão, as soluções propostas correspondem justamente aos problemas apresentados anteriormente.
Essa coerência entre as partes é essencial.
Uma proposta de intervenção não deve surgir aleatoriamente no final do texto.
Redação pronta para o Enem: modelo 3
Tema: Desafios para a inclusão digital da população idosa no Brasil
A transformação digital tornou serviços bancários, comunicação, compras e procedimentos governamentais cada vez mais dependentes da internet. Embora essas mudanças proporcionem praticidade para grande parcela da sociedade, também podem criar dificuldades para pessoas que não tiveram contato frequente com as tecnologias ao longo da vida. Nesse cenário, a inclusão digital da população idosa brasileira enfrenta obstáculos relacionados à falta de familiaridade com ferramentas tecnológicas e à insuficiência de iniciativas de capacitação acessíveis.
Primeiramente, é necessário reconhecer que as diferentes gerações desenvolveram relações distintas com a tecnologia. Enquanto muitos jovens cresceram utilizando computadores e smartphones, parte dos idosos precisou aprender essas ferramentas somente na idade adulta ou na velhice. Interfaces pouco intuitivas, excesso de informações e mudanças frequentes nos aplicativos podem dificultar o uso independente desses recursos. Como consequência, atividades simples para usuários experientes podem representar barreiras significativas para determinados idosos.
Além da dificuldade operacional, a falta de conhecimento sobre segurança digital aumenta a vulnerabilidade desse público. Golpes por mensagens, páginas falsas e solicitações fraudulentas de dados podem atingir pessoas com pouca experiência no ambiente virtual. Dessa forma, promover inclusão digital não significa apenas ensinar a utilizar um celular, mas também desenvolver habilidades para reconhecer riscos e navegar de maneira segura.
Diante disso, o poder público, em parceria com universidades, centros comunitários e organizações da sociedade civil, deve ampliar programas gratuitos de alfabetização digital destinados aos idosos, oferecendo aulas presenciais sobre uso de smartphones, acesso a serviços públicos e segurança na internet. Paralelamente, empresas responsáveis por serviços digitais devem investir em interfaces mais acessíveis e disponibilizar canais de atendimento adequados às necessidades desse público. Assim, a tecnologia poderá atuar como instrumento de autonomia, e não como uma nova forma de exclusão.
Quantos parágrafos uma redação do Enem deve ter?
O Inep não determina que toda redação tenha exatamente quatro parágrafos.
Essa estrutura é apenas uma das mais utilizadas porque facilita a organização das ideias.
Um modelo bastante conhecido é:
1º parágrafo: introdução;
2º parágrafo: primeiro argumento;
3º parágrafo: segundo argumento;
4º parágrafo: conclusão e proposta de intervenção.
Também é possível escrever cinco parágrafos, por exemplo, desde que o texto permaneça bem organizado e dentro do espaço disponível.
A redação do Enem deve possuir até 30 linhas.
Por isso, a capacidade de desenvolver argumentos de maneira objetiva é importante.
Modelo de introdução para redação do Enem
Uma introdução eficiente precisa apresentar o tema e deixar claro qual caminho argumentativo será seguido.
Veja um modelo genérico:
“Embora [contextualização do assunto], ainda existem obstáculos que impedem [situação desejável]. Nesse cenário, destacam-se [argumento 1] e [argumento 2] como fatores responsáveis pela manutenção do problema.”
Esse modelo pode ajudar quem está começando, mas não deve ser reproduzido mecanicamente em qualquer assunto.
Imagine um tema sobre acesso à cultura.
Uma adaptação poderia ser:
“Embora o acesso à cultura seja importante para a formação crítica e social dos indivíduos, ainda existem obstáculos que dificultam sua democratização no Brasil. Nesse cenário, destacam-se a desigualdade socioeconômica e a concentração de equipamentos culturais em determinadas regiões como fatores que contribuem para a manutenção do problema.”
Pronto.
O leitor já sabe exatamente quais serão os dois assuntos dos próximos parágrafos.
Modelo de primeiro desenvolvimento
Depois da introdução, é necessário desenvolver o primeiro argumento.
Uma estrutura possível é:
“Em primeiro lugar, é necessário considerar [argumento]. Nesse sentido, [explicação]. Como consequência, [consequência do problema]. Dessa maneira, [relação com o tema].”
O mais importante não é decorar essas palavras.
O estudante precisa aprender a lógica:
apresentar o argumento → explicar → exemplificar ou fundamentar → relacionar ao problema.
Um bom desenvolvimento não consiste apenas em repetir aquilo que já apareceu na introdução.
É necessário aprofundar a ideia.
Modelo de segundo desenvolvimento
O terceiro parágrafo pode seguir uma lógica semelhante, mas desenvolver outro aspecto do problema.
Por exemplo:
“Além disso, [segundo argumento] também contribui para esse cenário. Isso ocorre porque [explicação]. Nesse contexto, [consequência ou exemplo]. Portanto, [relação entre o argumento e o problema discutido].”
Novamente, a estrutura serve como orientação.
Evite produzir dois desenvolvimentos praticamente iguais.
Se você escolheu dois argumentos na introdução, cada parágrafo deve cumprir uma função diferente.
Modelo de conclusão para redação do Enem
Na conclusão, o candidato deve apresentar uma proposta de intervenção relacionada ao problema discutido.
Uma estrutura possível seria:
“Portanto, é necessário enfrentar [problema]. Para isso, [agente] deve [ação], por meio de [meio ou modo], com o objetivo de [finalidade]. Além disso, [segundo agente ou detalhamento] deve [segunda ação]. Dessa forma, será possível [resultado esperado].”
O estudante precisa deixar claro quem realizará a ação e como ela poderá ser executada.
Uma conclusão genérica como “o governo deve resolver o problema” tende a ser pouco desenvolvida.
Compare:
“O governo deve conscientizar a população.”
com:
“O Ministério da Educação, em parceria com as redes estaduais de ensino, deve desenvolver campanhas educativas nas escolas por meio de palestras e materiais didáticos destinados aos estudantes.”
A segunda versão é muito mais específica.
O que precisa ter na proposta de intervenção?
A Competência V avalia a elaboração de uma proposta de intervenção relacionada ao problema abordado e que respeite os direitos humanos.
Para construir uma proposta completa, é útil pensar em alguns elementos:
- agente;
- ação;
- meio ou modo;
- finalidade;
- detalhamento.
O agente responde quem fará alguma coisa.
A ação explica o que será feito.
O meio apresenta como a ação será executada.
A finalidade demonstra para que aquilo será feito.
O detalhamento ajuda a tornar a proposta mais concreta.
Exemplo de proposta de intervenção pronta
Considere um tema sobre desinformação.
Uma proposta poderia ser:
“Portanto, o Ministério da Educação deve ampliar a educação midiática nas escolas por meio da criação de atividades pedagógicas voltadas à verificação de informações e à identificação de fontes confiáveis, com a finalidade de desenvolver o pensamento crítico dos estudantes. Além disso, as plataformas digitais devem aperfeiçoar mecanismos de sinalização de conteúdos enganosos, proporcionando aos usuários mais informações sobre a confiabilidade das publicações.”
Observe que a solução possui relação direta com os problemas discutidos.
Esse é um princípio importante.
A conclusão deve resolver ou minimizar aquilo que foi desenvolvido anteriormente.
Quais são as 5 competências da redação do Enem?
A redação é avaliada em cinco competências.
Competência I
Avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
Aqui entram aspectos relacionados à construção das frases, convenções da escrita, escolha vocabular e outros elementos linguísticos.
Competência II
Analisa se o participante compreendeu a proposta e desenvolveu o tema utilizando a estrutura do texto dissertativo-argumentativo.
Também está relacionada à utilização produtiva de conhecimentos adquiridos durante a formação.
Competência III
Avalia a capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos para defender um ponto de vista.
É aqui que a organização da argumentação se torna particularmente importante.
Competência IV
Avalia os mecanismos linguísticos utilizados para construir a argumentação.
Palavras e expressões que estabelecem relações entre ideias possuem papel importante na coesão do texto.
Competência V
Avalia a proposta de intervenção apresentada para o problema discutido, respeitando os direitos humanos.
Cada competência pode receber até 200 pontos, fazendo com que a redação possa chegar aos 1.000 pontos.
Redações nota 1000 prontas estão disponíveis?
O próprio Inep publica periodicamente a Cartilha do Participante da Redação do Enem.
A edição de 2026 apresenta redações de participantes do Enem 2025 acompanhadas de comentários pedagógicos.
Esses exemplos são especialmente interessantes porque não se trata apenas de mostrar um texto bem avaliado.
Os comentários ajudam o estudante a entender quais características daquele texto contribuíram para seu desempenho.
Portanto, quem procura redações prontas para estudar deve considerar as cartilhas oficiais do Inep uma das principais referências.
Posso decorar uma redação pronta para usar no Enem?
Essa estratégia não é recomendável.
O tema da redação é revelado somente durante a aplicação, e o candidato precisa desenvolver exatamente a problemática apresentada.
Decorar um texto inteiro e tentar encaixá-lo artificialmente no tema pode resultar em argumentos superficiais ou inadequados.
Além disso, o Inep alerta para problemas relacionados ao uso automático ou forçado de repertórios.
Uma referência cultural ou histórica não deve aparecer simplesmente porque o estudante decorou aquela informação.
Ela precisa contribuir efetivamente para a argumentação.
Portanto, em vez de decorar uma redação pronta, aprenda sua estrutura.
Vale a pena decorar citações?
Decorar algumas referências pode ser útil, mas apenas se você realmente compreender o significado delas e souber quando utilizá-las.
Uma frase famosa colocada artificialmente no primeiro parágrafo não transforma automaticamente o texto em uma redação melhor.
Um repertório produtivo precisa estar relacionado ao argumento.
Você pode utilizar conhecimentos provenientes de diferentes áreas, como:
história;
literatura;
filosofia;
sociologia;
cinema;
legislação;
acontecimentos sociais;
ciência;
geografia.
O importante é explicar a relação entre o repertório e a ideia defendida.
Constituição Federal pode ser usada na redação?
Sim, desde que exista relação real com o tema.
A Constituição Federal pode ser útil em assuntos relacionados a direitos sociais, igualdade, educação, saúde, segurança e diversos outros temas.
Entretanto, simplesmente escrever que “a Constituição garante direitos” não é suficiente para construir um argumento aprofundado.
Explique qual direito está relacionado ao problema e por que existe uma distância entre aquilo que é previsto e aquilo que ocorre na realidade.
Dessa maneira, a referência passa a ter função argumentativa.
Filmes e séries podem ser usados?
Sim.
Filmes, séries, documentários e livros podem servir como repertório sociocultural.
Entretanto, novamente vale a regra da pertinência.
Imagine uma redação sobre envelhecimento populacional.
Um filme que discuta relações familiares ou preconceito contra idosos pode ser utilizado se você explicar claramente como a obra ajuda a compreender o problema.
Apenas citar o nome do filme sem desenvolver essa relação acrescenta pouco à argumentação.
Redação pronta serve para qualquer tema?
Não.
Um bom texto depende da compreensão específica da proposta.
Modelos estruturais podem ser adaptados, mas os argumentos precisam responder ao tema apresentado.
Por exemplo, uma estrutura de quatro parágrafos pode funcionar tanto para um tema sobre tecnologia quanto para um assunto relacionado à educação.
Entretanto, os argumentos, repertórios e propostas de intervenção serão completamente diferentes.
É justamente essa capacidade de adaptação que o estudante precisa desenvolver.
Como estudar usando redações prontas?
Uma técnica eficiente é analisar cada texto separadamente.
Primeiro, identifique a tese.
Depois, procure os argumentos apresentados na introdução.
Em seguida, veja como cada desenvolvimento aprofunda uma dessas ideias.
Observe também quais conectivos foram utilizados e como os parágrafos estão relacionados.
Por último, analise a proposta de intervenção.
Pergunte:
Quem deve agir?
O que deve ser feito?
Como?
Para quê?
A solução realmente responde aos problemas apresentados?
Esse exercício transforma a leitura passiva em aprendizado.
Como treinar redação para o Enem?
Uma rotina simples pode produzir bons resultados.
Escolha um tema e determine um período para escrever.
Primeiro, dedique alguns minutos ao planejamento.
Anote sua tese, dois argumentos e possíveis repertórios.
Depois escreva a redação completa.
Ao terminar, revise o texto procurando problemas de gramática, repetição, coerência e argumentação.
Também confira se sua conclusão apresenta uma intervenção relacionada ao problema.
Com a prática, a construção da estrutura tende a ficar mais rápida.
Quantas redações fazer antes do Enem?
Não existe uma quantidade oficial ideal.
A frequência depende principalmente do tempo disponível e do nível atual do estudante.
Para muitos candidatos, produzir uma redação semanalmente já permite criar uma rotina consistente.
Quem possui maior dificuldade pode alternar entre produção completa e exercícios específicos.
Em determinado dia, por exemplo, pode treinar apenas introduções.
Em outro, propostas de intervenção.
Depois, pode produzir o texto completo.
O importante é corrigir os erros identificados. Escrever dezenas de redações repetindo exatamente os mesmos problemas não gera o mesmo resultado que escrever, receber feedback e melhorar.
O que pode zerar a redação do Enem?
Conhecer as situações de nota zero é tão importante quanto estudar modelos bem avaliados.
Entre as situações previstas pelo Inep estão a fuga ao tema, a apresentação de texto com até sete linhas e a desobediência à estrutura dissertativo-argumentativa exigida.
Também existem outras condições previstas nas regras oficiais que podem resultar em nota zero.
Por isso, antes da prova, leia a Cartilha do Participante correspondente à edição que você realizará.
Quantas linhas deve ter a redação?
A redação do Enem possui espaço de até 30 linhas na folha definitiva.
O Inep também estabelece que um texto com até sete linhas é considerado insuficiente e recebe nota zero.
Isso não significa que o estudante precise obrigatoriamente preencher todas as 30 linhas.
O objetivo deve ser desenvolver adequadamente a argumentação dentro do espaço disponível.
Uma redação com quatro parágrafos bem estruturados costuma permitir uma distribuição equilibrada entre introdução, desenvolvimentos e conclusão.
Como começar uma redação do Enem?
Não existe uma única frase correta para iniciar.
O candidato pode começar utilizando:
uma contextualização histórica;
um conceito;
uma situação social;
uma referência cultural;
uma legislação;
uma constatação relacionada ao problema.
Depois, precisa aproximar essa contextualização do tema e apresentar sua tese.
Evite introduções extremamente genéricas que poderiam ser utilizadas sem nenhuma alteração em praticamente qualquer assunto.
Quanto mais conectado ao tema estiver o início, melhor será a construção da argumentação.
Como terminar a redação?
A conclusão precisa estar conectada ao restante do texto.
Em vez de apenas repetir a introdução, utilize o último parágrafo para desenvolver a proposta de intervenção.
Expressões como “portanto”, “dessa forma”, “diante disso” e “assim” podem ajudar a estabelecer a relação de conclusão, desde que sejam usadas naturalmente.
Depois, apresente ações concretas relacionadas aos problemas discutidos.
A última frase pode indicar o resultado esperado com essas medidas.
Modelo simples para montar sua própria redação
Uma estrutura de planejamento pode ser organizada assim:
Tema: qual problema preciso discutir?
Tese: qual posição defenderei?
Argumento 1: primeira causa, consequência ou aspecto relevante.
Argumento 2: segunda causa, consequência ou aspecto relevante.
Repertório 1: qual conhecimento ajuda a sustentar o primeiro argumento?
Repertório 2: qual conhecimento ajuda a sustentar o segundo?
Intervenção: quem deve agir, o que deve fazer, como e com qual finalidade?
Responder a essas perguntas antes de começar a escrever pode facilitar bastante a produção.
Redações prontas ajudam a tirar nota 1000?
Elas podem ajudar no aprendizado, mas não garantem nenhuma pontuação.
O principal benefício está em observar como bons textos são construídos.
Leia redações bem avaliadas procurando entender:
como o tema foi interpretado;
como a tese foi apresentada;
como os argumentos foram desenvolvidos;
como o repertório foi utilizado;
como os parágrafos foram conectados;
como a proposta de intervenção foi construída.
Depois, tente aplicar os mesmos princípios a um tema completamente diferente.
Se conseguir fazer isso, você estará aprendendo a escrever, e não apenas memorizando um modelo.
Onde encontrar redações do Enem prontas oficialmente?
Uma das melhores fontes é a Cartilha do Participante da Redação do Enem, publicada pelo Inep.
Na edição de 2026, o material explica a matriz de referência, detalha as cinco competências e apresenta exemplos de redações da edição anterior acompanhados de comentários pedagógicos.
O Inep também mantém cartilhas de edições anteriores, o que permite consultar diferentes exemplos e orientações.
Esses materiais são particularmente úteis porque foram produzidos pelo próprio órgão responsável pelo Enem.
Conclusão
As redações do Enem prontas podem ser excelentes materiais de estudo quando utilizadas da maneira correta. Em vez de decorar textos inteiros, o estudante deve observar como introdução, tese, argumentos, repertórios, conectivos e proposta de intervenção trabalham juntos.
Uma estrutura bastante eficiente é utilizar quatro parágrafos: introdução, primeiro desenvolvimento, segundo desenvolvimento e conclusão. Entretanto, essa não é uma regra obrigatória.
O mais importante é produzir um texto dissertativo-argumentativo coerente, defender claramente um ponto de vista e desenvolver uma proposta de intervenção relacionada ao problema apresentado.
Também vale consultar as redações disponibilizadas nas cartilhas oficiais do Inep. A Cartilha do Participante de 2026 apresenta exemplos da edição anterior acompanhados de comentários pedagógicos, permitindo compreender de maneira prática os critérios utilizados na avaliação.
Portanto, utilize modelos prontos como referência, mas pratique a construção dos seus próprios argumentos. No dia da prova, a capacidade de interpretar o tema e adaptar seus conhecimentos será muito mais importante do que ter decorado uma redação inteira.
Fontes
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) — A Redação do Enem 2026: Cartilha do Participante.
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) — Matriz de Referência da Redação do Enem e orientações sobre as cinco competências.
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) — acervo de cartilhas e manuais de correção da redação do Enem.
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