A importação por conta e ordem é uma modalidade muito utilizada por empresas brasileiras que desejam importar mercadorias, mas preferem contratar uma empresa especializada para executar as etapas operacionais do processo. Nesse modelo, a empresa adquirente compra os produtos no exterior, enquanto uma importadora atua em seu nome na realização do despacho aduaneiro e de outras atividades relacionadas à operação.
Esse formato pode facilitar bastante uma importação, principalmente quando a empresa compradora não possui uma estrutura própria de Comércio Exterior. Entretanto, a operação exige atenção à documentação, à habilitação no Siscomex, aos aspectos tributários e à correta identificação das empresas envolvidas.
Entender quem compra a mercadoria, quem realiza o despacho, quem fornece os recursos financeiros e quais são as responsabilidades de cada participante é fundamental para não confundir a importação por conta e ordem com outras modalidades, especialmente a importação por encomenda.
O que é importação por conta e ordem?
A importação por conta e ordem de terceiro ocorre quando uma empresa importadora é contratada para promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquiridas por outra empresa.
Na prática, existem duas figuras principais: a adquirente, que é a empresa interessada na mercadoria e responsável pela aquisição internacional, e a importadora por conta e ordem, que presta o serviço relacionado à importação.
Portanto, embora a importadora apareça diretamente na operação aduaneira, ela não está comprando a mercadoria para posteriormente revendê-la por iniciativa própria. Sua atuação acontece em benefício da empresa adquirente.
Essa característica é essencial para compreender a modalidade.
Imagine, por exemplo, uma indústria brasileira que precisa comprar uma máquina de um fornecedor alemão. A indústria negocia a aquisição, mas não possui uma equipe especializada para administrar toda a operação de importação. Nesse caso, pode contratar uma trading company ou outra empresa importadora habilitada para conduzir o processo por conta e ordem.
A importadora pode cuidar de diferentes atividades relacionadas à operação, conforme o contrato firmado entre as partes, enquanto a adquirente continua sendo a empresa para a qual aquela mercadoria está sendo importada.
Como funciona a importação por conta e ordem?
O funcionamento começa antes mesmo da chegada da mercadoria ao Brasil. Primeiramente, a adquirente identifica sua necessidade e negocia a aquisição dos produtos com o fornecedor estrangeiro.
Depois, contrata uma empresa especializada para atuar na importação por conta e ordem.
As empresas precisam organizar corretamente a operação, cumprir os requisitos aplicáveis e realizar os procedimentos necessários nos sistemas oficiais. O vínculo entre adquirente e importadora deve estar devidamente formalizado.
A partir disso, a importadora executa os procedimentos relacionados ao despacho aduaneiro e pode coordenar diferentes etapas logísticas e documentais previstas no contrato.
Isso pode envolver contato com agentes de carga, acompanhamento do embarque, conferência documental, acompanhamento da chegada da carga, procedimentos aduaneiros e outras atividades necessárias até a liberação da mercadoria.
Entretanto, é importante compreender que a contratação de uma importadora não elimina as responsabilidades da adquirente. A Receita Federal consegue identificar as empresas participantes da operação e existem obrigações específicas relacionadas a esse modelo.
Quem é a adquirente na importação por conta e ordem?
A adquirente é a empresa que efetivamente adquire a mercadoria no exterior.
Ela possui interesse econômico nos produtos importados e fornece os recursos necessários para a operação de comércio exterior, observadas as regras aplicáveis.
Suponha que uma empresa brasileira chamada Empresa A queira importar 500 equipamentos de determinado fabricante asiático. Ela negocia preços, características e condições comerciais e contrata a Empresa B para executar os procedimentos de importação.
Nesse cenário, a Empresa A é a adquirente e a Empresa B atua como importadora por conta e ordem.
Essa divisão precisa ficar clara não somente no contrato comercial entre as empresas, mas também nos procedimentos e documentos relacionados à importação.
Qual é o papel da empresa importadora?
A empresa importadora funciona como prestadora de serviços dentro da operação.
Sua participação pode ser bastante abrangente, dependendo do contrato celebrado com a adquirente. Além de promover o despacho aduaneiro, ela pode auxiliar no planejamento operacional, análise documental, acompanhamento logístico e comunicação com diferentes participantes da cadeia internacional.
Uma importadora experiente também pode contribuir para reduzir problemas operacionais. Por exemplo, inconsistências entre invoice, packing list, conhecimento de embarque e informações declaradas podem provocar exigências e atrasos.
Por isso, a conferência prévia dos documentos é uma etapa importante.
No entanto, contratar uma importadora não significa transferir automaticamente todos os riscos e responsabilidades da operação. Cada participante possui obrigações próprias, e a estrutura precisa seguir a legislação aduaneira e tributária aplicável.
Importação por conta e ordem x importação por encomenda
Uma das dúvidas mais comuns é a diferença entre importação por conta e ordem e importação por encomenda.
Embora ambas envolvam uma empresa importadora e outra empresa interessada na mercadoria, a estrutura econômica das operações é diferente.
Na importação por conta e ordem, a adquirente é quem realiza a aquisição internacional e a importadora atua como prestadora de serviços. Os recursos utilizados na operação pertencem à adquirente, conforme as regras aplicáveis ao modelo.
Já na importação por encomenda, a lógica é diferente. A importadora adquire a mercadoria no exterior utilizando recursos próprios e posteriormente promove sua revenda para uma empresa previamente determinada, chamada encomendante predeterminada.
Essa diferença financeira e comercial é fundamental.
Portanto, não basta escolher uma modalidade apenas com base na conveniência operacional. É necessário analisar quem negocia e adquire a mercadoria, quem disponibiliza os recursos, qual é o papel da importadora e como ocorrerá a operação comercial no Brasil.
Estruturar uma importação como conta e ordem quando, na realidade, suas características correspondem a uma importação por encomenda pode gerar problemas fiscais e aduaneiros.
Quem paga a mercadoria na importação por conta e ordem?
Esse ponto ajuda a compreender toda a lógica da operação.
Na importação por conta e ordem, os recursos financeiros utilizados para a aquisição da mercadoria são da empresa adquirente.
Isso diferencia a modalidade da importação por encomenda, na qual a importadora utiliza recursos próprios para adquirir a mercadoria estrangeira com a finalidade de revendê-la posteriormente ao encomendante predeterminado.
A origem dos recursos, portanto, não deve ser tratada como um simples detalhe administrativo.
Ela está diretamente relacionada à caracterização da modalidade escolhida.
Por esse motivo, antes de iniciar a operação, as empresas devem analisar cuidadosamente os fluxos comercial, financeiro, documental, fiscal e aduaneiro.
Exemplo prático de importação por conta e ordem
Considere uma empresa brasileira que fabrica equipamentos industriais e precisa importar componentes eletrônicos da China.
A empresa encontra um fornecedor, negocia os produtos e decide realizar a aquisição. Porém, não possui uma equipe interna preparada para administrar os procedimentos de importação.
Ela então contrata uma trading especializada.
Nesse exemplo, a fabricante brasileira é a adquirente, enquanto a trading atua como importadora por conta e ordem.
A trading pode coordenar os procedimentos operacionais previstos no contrato, acompanhar documentos, embarque, chegada da carga e despacho aduaneiro.
Depois do desembaraço, a mercadoria segue para a adquirente de acordo com a estrutura fiscal e logística definida para a operação.
Observe que a trading não decidiu comprar os componentes para revendê-los no mercado. Ela foi contratada especificamente para realizar uma importação vinculada à adquirente.
Quais documentos são importantes nessa modalidade?
A documentação precisa refletir corretamente a operação realizada.
Entre os documentos comerciais e logísticos normalmente encontrados em uma importação estão a commercial invoice, o packing list, o conhecimento de embarque e outros documentos exigidos conforme o produto, modal de transporte e tratamento administrativo aplicável.
Além desses documentos, existe a formalização da relação entre a adquirente e a importadora.
O contrato de prestação de serviços é particularmente importante porque ajuda a estabelecer o objeto da contratação, as responsabilidades das partes, os serviços executados e as condições comerciais.
Dependendo da mercadoria, ainda podem existir documentos adicionais relacionados a órgãos anuentes, certificações, licenças, autorizações ou controles administrativos.
Assim, a lista documental não é necessariamente igual para todas as importações.
Um equipamento industrial, um alimento, um cosmético e um produto químico, por exemplo, podem estar sujeitos a exigências completamente diferentes.
Habilitação no Siscomex e vinculação das empresas
Outro aspecto importante envolve a habilitação necessária para atuar nas operações de comércio exterior e os procedimentos de vinculação entre as empresas.
Não basta simplesmente contratar uma trading e entregar os documentos da compra.
A estrutura da operação precisa ser formalizada conforme os procedimentos determinados pela Receita Federal e pelos sistemas envolvidos no comércio exterior brasileiro.
Por isso, antes do primeiro embarque, é recomendável verificar se as empresas estão devidamente habilitadas e se a relação entre adquirente e importadora está corretamente registrada.
Essa etapa merece atenção especial porque erros cadastrais ou ausência de procedimentos obrigatórios podem comprometer o andamento da importação.
As regras e os sistemas do comércio exterior brasileiro passam por atualizações. Dessa forma, as empresas devem consultar os procedimentos vigentes nos canais oficiais da Receita Federal e do Portal Único Siscomex antes de estruturar cada operação.
Como funciona o despacho aduaneiro?
Quando a mercadoria chega ao Brasil, inicia-se uma das etapas mais importantes da operação: o despacho aduaneiro.
A importadora por conta e ordem realiza os procedimentos correspondentes à importação utilizando os sistemas aplicáveis e prestando as informações exigidas pela administração aduaneira.
Os documentos precisam ser consistentes.
Descrição da mercadoria, classificação fiscal, quantidade, peso, valor, origem e demais informações relevantes devem ser analisados cuidadosamente antes do registro da declaração correspondente.
Após o registro, a operação fica sujeita aos procedimentos de conferência aduaneira.
Dependendo da parametrização e das características da operação, podem ocorrer análises documentais ou verificações físicas, além de eventuais exigências formuladas pela fiscalização.
Somente depois do cumprimento das etapas necessárias ocorre o desembaraço aduaneiro.
Tributação na importação por conta e ordem
A modalidade por conta e ordem não elimina os tributos normalmente relacionados à importação.
A carga tributária depende de diversos fatores, como classificação fiscal da mercadoria, valor aduaneiro, origem, estado envolvido na operação, benefícios fiscais eventualmente aplicáveis e características específicas do produto.
Entre os tributos que podem aparecer estão o Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação, Cofins-Importação e ICMS, conforme a operação e a legislação aplicável.
Além disso, podem existir outras despesas, como AFRMM quando aplicável, armazenagem, capatazia, frete internacional, seguro, honorários, despesas portuárias ou aeroportuárias e custos relacionados ao despacho.
Por isso, analisar apenas o preço informado pelo fornecedor estrangeiro pode levar a uma percepção equivocada sobre o custo real da mercadoria importada.
O ideal é elaborar uma planilha de custo de importação antes de confirmar a compra.
A classificação fiscal continua sendo fundamental
Independentemente da modalidade utilizada, a correta classificação da mercadoria na NCM continua sendo uma das etapas mais importantes do planejamento da importação.
O código NCM influencia diversos elementos da operação, incluindo tributação e tratamento administrativo.
Uma classificação incorreta pode provocar recolhimento inadequado de tributos, exigências durante o despacho e outros problemas posteriores.
Por isso, a empresa não deve escolher um código simplesmente porque ele parece semelhante à descrição comercial do produto.
A classificação exige análise técnica das características da mercadoria e das regras aplicáveis ao Sistema Harmonizado e à Nomenclatura Comum do Mercosul.
Quais são as vantagens da importação por conta e ordem?
Uma das principais vantagens é permitir que uma empresa utilize a estrutura e a experiência operacional de uma importadora especializada.
Isso pode ser especialmente interessante para organizações que importam eventualmente ou que ainda não possuem um departamento de Comércio Exterior suficientemente estruturado.
A empresa pode concentrar sua equipe nas atividades principais do negócio enquanto profissionais especializados acompanham os procedimentos operacionais da importação.
Além disso, uma estrutura especializada pode facilitar a comunicação com agentes de carga, terminais, despachantes, transportadores e demais participantes da cadeia logística.
Outro benefício é o acesso ao conhecimento prático acumulado pela empresa importadora. Em Comércio Exterior, detalhes documentais e operacionais podem ter grande impacto sobre custos e prazos.
Entretanto, essas vantagens dependem diretamente da qualidade do prestador contratado e da correta estruturação da operação.
Quais são os riscos?
A terceirização dos procedimentos não elimina os riscos da importação.
Um dos principais problemas ocorre quando a modalidade escolhida não corresponde à realidade econômica da operação.
Também podem existir riscos relacionados à classificação fiscal incorreta, documentação inconsistente, valores declarados inadequadamente, ausência de autorizações, erros no tratamento administrativo ou falhas na definição das responsabilidades entre as empresas.
Outro risco é contratar uma importadora considerando apenas o preço do serviço.
Uma operação internacional envolve valores elevados e diversas obrigações. Portanto, experiência, procedimentos de compliance, capacidade operacional e conhecimento técnico devem fazer parte da avaliação do fornecedor.
Também é importante manter documentação e registros que demonstrem claramente como a operação foi estruturada.
Importação por conta e ordem vale a pena?
Depende das características da empresa e da operação.
Para uma organização que possui recursos para adquirir produtos no exterior, mas não deseja desenvolver toda a estrutura operacional necessária para administrar importações, o modelo pode ser bastante interessante.
Por outro lado, empresas com grande volume de operações podem avaliar a possibilidade de construir uma estrutura interna de Comércio Exterior ou utilizar modelos híbridos.
A decisão não deve considerar somente o custo cobrado pela importadora.
É necessário avaliar frequência das importações, complexidade dos produtos, valor das operações, capacidade da equipe interna, riscos tributários, necessidade de controle logístico e estratégia de longo prazo.
Em alguns casos, terceirizar grande parte da operação faz sentido. Em outros, desenvolver conhecimento internamente pode proporcionar maior controle.
Como escolher uma empresa para realizar a operação?
A escolha da importadora merece atenção porque ela terá participação direta em etapas importantes da operação.
Antes da contratação, procure entender a experiência da empresa com o tipo de produto que será importado, os procedimentos utilizados para conferência documental e classificação fiscal e a forma como ela acompanha os processos.
Também é importante definir claramente quais serviços estão incluídos.
Algumas empresas oferecem uma estrutura completa, envolvendo planejamento, acompanhamento documental e coordenação logística. Outras possuem uma atuação mais limitada.
Além disso, verifique como será feita a comunicação durante a operação. O cliente deve conseguir acompanhar etapas importantes, receber documentos e compreender eventuais problemas ou custos adicionais.
Quanto mais transparente estiver a divisão das responsabilidades, menor tende a ser o risco de conflitos durante o processo.
Cuidados antes de realizar a primeira importação
Antes de embarcar a mercadoria, a empresa deve analisar toda a operação.
O primeiro cuidado é confirmar se a modalidade realmente corresponde à estrutura comercial e financeira pretendida. Em seguida, é necessário verificar habilitações, vinculações, documentação e requisitos administrativos.
Também é importante revisar a NCM e verificar o tratamento administrativo da mercadoria antes do embarque.
Essa análise antecipada pode revelar a necessidade de licenças, autorizações, certificações ou outros procedimentos que precisam ocorrer em momentos específicos.
Outro ponto essencial é calcular o custo total.
Além do valor da mercadoria, a empresa deve considerar frete, seguro, tributos, armazenagem, despesas aduaneiras, transporte nacional e remuneração dos prestadores envolvidos.
Finalmente, comprador e importadora devem conhecer claramente suas respectivas responsabilidades.
Um processo bem planejado antes do embarque tende a ser muito mais seguro do que tentar solucionar inconsistências depois que a carga já chegou ao Brasil.
A importância do planejamento na importação por conta e ordem
A importação por conta e ordem pode simplificar a execução operacional de uma compra internacional, mas não deve ser vista como uma maneira de eliminar a complexidade do Comércio Exterior.
A operação continua envolvendo planejamento tributário, logística internacional, documentação, classificação fiscal, legislação aduaneira e controles administrativos.
Por isso, empresas que utilizam essa modalidade precisam compreender pelo menos os fundamentos do processo, mesmo quando contratam especialistas para executar as atividades operacionais.
Conhecimento também melhora a capacidade de fiscalização dos prestadores.
Quando a empresa entende conceitos como NCM, Incoterms, invoice, packing list, conhecimento de embarque, valor aduaneiro, despacho e desembaraço, consegue analisar melhor custos, identificar riscos e tomar decisões comerciais mais seguras.
Conclusão
A importação por conta e ordem é uma alternativa importante para empresas que desejam adquirir mercadorias no exterior utilizando a estrutura operacional de uma importadora especializada.
Nesse modelo, a adquirente realiza a aquisição internacional e fornece os recursos da operação, enquanto a empresa importadora atua na prestação dos serviços relacionados à importação, conforme a estrutura contratada e as regras aplicáveis.
A principal atenção deve estar na correta caracterização da operação. Conta e ordem e importação por encomenda possuem estruturas diferentes e não devem ser tratadas como modalidades equivalentes.
Além disso, habilitação, documentação, classificação fiscal, tratamento administrativo, tributação e custos logísticos precisam ser analisados antes do embarque.
Quanto melhor for o planejamento, menores são as chances de enfrentar custos inesperados, atrasos ou problemas durante o despacho aduaneiro.
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