O que é a DeRE reforma tributária?

·

·

A DeRE, sigla para Declaração de Regimes Específicos, é um documento fiscal eletrônico de padrão nacional criado pela Lei Complementar nº 214/2025. Essa declaração foi instituída para registrar as informações contábeis e financeiras necessárias à apuração da CBS e do IBS em setores que operam sob regimes tributários específicos.

Em outras palavras, a DeRE não é uma nota fiscal eletrônica tradicional nem apenas mais um módulo do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED). Ela é uma obrigação acessória completamente nova, gerida de forma compartilhada pela Receita Federal do Brasil (RFB) e pelo Comitê Gestor do IBS (CGIBS). O seu propósito é captar dados financeiros complexos e transformá-los na base de cálculo correta para a tributação.

Para que serve a Declaração de Regimes Específicos (DeRE)?

A tributação de uma indústria comum ocorre nota a nota: a empresa compra matéria-prima, credita-se do imposto e, ao vender o produto final, paga a diferença. Entretanto, atividades como as de bancos e seguradoras não funcionam assim. A base de cálculo dessas empresas é formada pelas suas margens (receitas financeiras tributáveis menos as deduções específicas permitidas em lei).

Portanto, a Declaração de Regimes Específicos serve exatamente para viabilizar a tributação sobre essa margem financeira. Além disso, as informações transmitidas pelas empresas alimentam diretamente o chamado “Motor de Cálculo” do governo federal. Consequentemente, isso permite que o fisco processe a Apuração Assistida, garantindo que a incidência tributária ocorra perfeitamente, repassando os créditos aos adquirentes e facilitando a devolução de impostos para a população de baixa renda (cashback).

Como a DeRE funciona na prática?

Do ponto de vista tecnológico, a nova declaração centraliza todas as informações fiscais da raiz do CNPJ (oito primeiros dígitos), reunindo a matriz e as suas filiais em uma única remessa de dados.

Na prática, a empresa vincula as contas analíticas do seu Plano de Contas Contábil aos códigos tributários exigidos pelo governo. Posteriormente, o sistema de gestão (ERP) da empresa transforma esses saldos em eventos estruturados no formato XML. Esses arquivos são assinados digitalmente através de certificado ICP-Brasil e enviados à base de dados do Fisco por meio de uma API REST (Application Programming Interface), garantindo extrema segurança, automação e rapidez no tráfego das informações.

Quem é obrigado a entregar a DeRE reforma tributária?

A entrega desse novo documento fiscal não se aplica a todo o mercado brasileiro. A exigência recai exclusivamente sobre as empresas e instituições cujas operações dependem das regras de exceção previstas na reforma.

Dessa forma, estão obrigados a entregar a declaração os contribuintes que exploram as seguintes atividades econômicas:

  • Serviços financeiros: Instituições financeiras, bancos, seguradoras, administradoras de consórcios e entidades de previdência complementar.
  • Serviços remunerados por tarifas e comissões: Operações de crédito e arranjos de pagamento.
  • Planos de saúde: Operadoras de planos de assistência à saúde humana.
  • Planos veterinários: Operadoras de planos de assistência à saúde de animais domésticos.
  • Assistência funerária: Empresas que administram e comercializam planos funerários.
  • Concursos de prognósticos: Entidades que gerenciam apostas, loterias e sorteios.

Se a sua empresa não atua em nenhum desses setores e não usufrui de regras de base de cálculo diferenciada para o IBS e a CBS, a apuração seguirá a regra geral e não haverá necessidade de transmissão desse documento específico.

Principais impactos da DeRE reforma tributária

Um dos aspectos mais importantes que a diretoria financeira precisa compreender é que a entrega da DeRE possui caráter de confissão de dívida. Assim, a transmissão dos eventos periódicos mensais e o envio do evento de fechamento assumem que os valores calculados ali são devidos e exigíveis pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor.

Por outro lado, o envio bem-sucedido e a aceitação do arquivo XML pelo ambiente nacional não significam que os impostos foram homologados definitivamente. O fisco possui um prazo legal de cinco anos para auditar os dados da apuração assistida e cobrar eventuais diferenças. Por isso, a revisão tributária antes do envio precisa ser incrivelmente criteriosa, exigindo alta integração entre a tecnologia da informação (TI) e a equipe de contabilidade corporativa.

Cronograma de implantação da Declaração de Regimes Específicos

Para garantir que as empresas consigam adaptar os seus sistemas, o governo determinou uma implementação escalonada. O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026 estabeleceu o seguinte calendário de obrigatoriedade:

  • 1º de outubro de 2026: Início da obrigatoriedade para o envio dos Eventos de Tabela do Contribuinte. Essa é a primeira etapa, onde a empresa informa os seus parâmetros cadastrais e tributários.
  • 15 de novembro de 2026: Prazo para a primeira transmissão dos Eventos Periódicos Mensais. Importante ressaltar que essa entrega, feita em novembro, será referente às operações que ocorreram no período de apuração de outubro de 2026. Neste momento, enviam-se os balancetes, as relações de deduções e o fechamento.
  • 1º de janeiro de 2027: Obrigatoriedade definitiva para todos os demais eventos e processos exigidos pelo manual técnico da declaração.

Conclusão

Em resumo, o surgimento da DeRE reflete a modernização e a intensa digitalização do ambiente de controle fiscal brasileiro. A reforma alterou drasticamente a dinâmica da apuração tributária para o setor de serviços financeiros, de saúde e de loterias. Em vez de simplesmente preencher formulários retroativos, as empresas agora dialogam com o Fisco quase em tempo real, alimentando um ecossistema inteligente de arrecadação.

Finalmente, para evitar sanções e pagamentos indevidos, os gestores precisam mapear imediatamente as contas contábeis e atualizar os seus sistemas de ERP. Acompanhar os manuais de orientação, as Notas Orientativas e a documentação oficial divulgada pela Receita Federal garantirá que a sua organização realize uma transição tecnológica segura, transparente e totalmente alinhada à nova realidade tributária do Brasil.

Formação prática em Recursos Humanos

Domine Recursos Humanos e Inglês Técnico em 4 meses

Um treinamento prático para aprender Recursos Humanos e inglês técnico juntos, preparando você para atuar nas principais atividades da área.

  • Conhecimento prático sobre as principais atividades de Recursos Humanos
  • Inglês técnico para e-mails, ligações, reuniões e documentos profissionais
  • Aprenda a entrevistar candidatos, postar vagas, analisar currículos e muito mais
Curso de Recursos Humanos e Inglês Técnico da Toexceed

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *