Se a empresa não depositar o FGTS, ela fica em situação irregular e pode ser obrigada a recolher os valores atrasados com os encargos previstos na legislação. Além disso, a falta de recolhimento pode resultar em fiscalização, autuação e outras consequências para o empregador.
Para o trabalhador, o problema também pode ser sério. Os valores que deveriam estar acumulados em sua conta vinculada podem fazer falta justamente em situações nas quais a legislação permite a movimentação do FGTS.
Por isso, quem percebe meses sem depósito deve conferir o extrato, identificar exatamente quais competências estão pendentes e buscar a regularização.
Se a empresa não depositar o FGTS, o que acontece?
A empresa que deixa de realizar corretamente os depósitos do FGTS acumula um débito.
Esse débito não desaparece simplesmente porque passaram alguns meses.
O empregador pode ter que recolher os valores atrasados acrescidos dos encargos aplicáveis.
Além disso, irregularidades podem resultar em procedimentos de cobrança e fiscalização.
Entre as possíveis consequências estão:
- cobrança dos valores não recolhidos;
- incidência dos encargos legais;
- notificação para regularização;
- fiscalização trabalhista;
- lavratura de auto de infração;
- dificuldades relacionadas ao Certificado de Regularidade do FGTS;
- encaminhamento do débito para inscrição em dívida ativa, conforme o caso.
Portanto, deixar de recolher FGTS não é simplesmente atrasar um benefício do funcionário.
Trata-se do descumprimento de uma obrigação legal.
A empresa é obrigada a depositar FGTS todos os meses?
Nos vínculos abrangidos pelo FGTS, o empregador precisa realizar os depósitos conforme determina a legislação.
Para os empregados em geral, o valor corresponde a 8% da remuneração considerada para fins de FGTS.
Existem regras específicas para determinadas modalidades de contratação.
O empregador também precisa observar o prazo para recolhimento.
Atualmente, o recolhimento mensal do FGTS deve ser realizado, em regra, até o dia 20 do mês seguinte à competência.
Se o vencimento ocorrer em dia sem expediente bancário, devem ser observadas as regras aplicáveis à antecipação do recolhimento.
O FGTS é descontado do salário do funcionário?
Não.
O FGTS não funciona como um desconto comum retirado do salário do trabalhador.
A obrigação de depositar o valor é do empregador.
Por exemplo, se determinado empregado possui remuneração de R$ 3.000 utilizada integralmente como base do FGTS e está sujeito à alíquota comum de 8%, o depósito correspondente seria de R$ 240.
Esses R$ 240 não devem simplesmente ser retirados dos R$ 3.000 do trabalhador como um desconto salarial.
O empregador é responsável pelo recolhimento.
Como saber se a empresa está depositando meu FGTS?
A melhor forma é acompanhar o extrato da conta vinculada do FGTS.
O trabalhador pode utilizar os canais oficiais disponibilizados para consultar os depósitos, inclusive o aplicativo FGTS.
Não observe somente o saldo total.
Analise o histórico de movimentações e verifique se os depósitos correspondentes ao vínculo empregatício aparecem regularmente.
Se encontrar períodos sem recolhimento, anote os meses.
Isso facilitará uma eventual cobrança ou denúncia.
Meu FGTS não aparece no aplicativo. Significa que a empresa não pagou?
Não necessariamente.
Antes de concluir que houve falta de recolhimento, verifique se existem outras contas vinculadas ao seu contrato.
O próprio Ministério do Trabalho e Emprego orienta o trabalhador que identifica ausência de depósitos a verificar a existência de outras contas vinculadas do FGTS.
Também pode existir alguma questão cadastral ou operacional.
Entretanto, se depois das verificações os depósitos realmente não estiverem presentes, procure a empresa e solicite esclarecimentos.
O que fazer quando a empresa não deposita o FGTS?
O primeiro passo é documentar a irregularidade.
Obtenha o extrato e identifique os períodos sem depósito.
Depois, reúna documentos como:
holerites;
carteira de trabalho;
contrato de trabalho, quando existente;
extrato do FGTS;
documentos rescisórios, se já tiver saído da empresa;
comunicações com o empregador.
Em seguida, o trabalhador pode questionar o RH, departamento pessoal ou responsável pela empresa.
Faça isso preferencialmente por um meio que permita comprovar a comunicação.
Caso o problema não seja solucionado, existem mecanismos administrativos e judiciais para buscar a regularização.
Posso cobrar o FGTS diretamente da empresa?
Sim, o trabalhador pode questionar a empresa sobre os depósitos faltantes e solicitar a regularização.
Uma mensagem simples pode informar que, após consultar o extrato, foram identificadas determinadas competências sem recolhimento.
É importante especificar os períodos.
Em vez de dizer apenas:
“Meu FGTS está errado.”
É melhor informar:
“Consultei meu extrato do FGTS e não identifiquei os depósitos referentes às competências X, Y e Z. Poderiam verificar e informar quando ocorrerá a regularização?”
Isso facilita a conferência pelo departamento responsável.
A empresa pode depositar o FGTS atrasado?
Sim.
Débitos podem ser regularizados pelos procedimentos apropriados.
Entretanto, a empresa deverá observar os encargos incidentes sobre o atraso e as regras aplicáveis à regularização.
O trabalhador deve posteriormente consultar novamente seu extrato para confirmar se os valores foram efetivamente recolhidos.
Não basta receber uma informação verbal dizendo que “o contador resolveu”.
Verifique se a regularização apareceu na conta vinculada.
A empresa pode pagar o FGTS diretamente para o funcionário?
O empregador não deve simplesmente substituir o recolhimento obrigatório por um pagamento informal diretamente ao trabalhador.
Os valores de FGTS devem ser recolhidos à conta vinculada conforme a legislação.
Inclusive, no âmbito da fiscalização trabalhista, o Ministério do Trabalho e Emprego informa que o pagamento feito diretamente ao empregado não quita o débito de FGTS.
Portanto, uma empresa não resolve corretamente a irregularidade dizendo:
“Não depositamos seu FGTS, então vamos entregar esse dinheiro diretamente para você.”
É necessário realizar a regularização pelos meios apropriados.
Empresa que não deposita FGTS paga multa?
O atraso gera encargos previstos na legislação.
A Lei nº 8.036/1990 estabelece consequências financeiras para o empregador que não realiza os depósitos nos termos legais, incluindo atualização, juros de mora e multa nas condições previstas pela própria legislação.
Além desses encargos sobre o débito, irregularidades podem resultar em procedimentos de fiscalização e autuação.
Portanto, quanto mais tempo o empregador permanece irregular, maior pode se tornar o problema.
O que acontece com a empresa que fica anos sem pagar FGTS?
A dívida pode se acumular significativamente.
Imagine uma empresa com dezenas de empregados que deixa de realizar os recolhimentos durante vários meses.
A irregularidade não envolve apenas um trabalhador.
Podem existir diversos débitos simultaneamente, acrescidos dos respectivos encargos.
Além disso, a empresa pode enfrentar fiscalização, notificações, autos de infração e dificuldades para comprovar sua regularidade perante o FGTS.
Dependendo da situação, débitos também podem ser encaminhados para inscrição em dívida ativa.
O que é Certificado de Regularidade do FGTS?
O Certificado de Regularidade do FGTS (CRF) é utilizado para comprovar a regularidade do empregador perante o Fundo de Garantia.
A existência de determinadas pendências pode impedir a emissão regular desse certificado.
Isso pode trazer consequências práticas para empresas que precisam comprovar regularidade em determinadas operações e relações com o poder público.
Portanto, a inadimplência do FGTS não gera problemas apenas na relação direta entre empresa e funcionário.
Pode afetar também a própria situação cadastral e operacional do empregador.
A empresa pode ser fiscalizada por não depositar FGTS?
Sim.
A fiscalização do cumprimento das obrigações relacionadas ao FGTS faz parte das atribuições dos órgãos competentes.
Com a utilização do eSocial e do FGTS Digital, diversas informações relacionadas às remunerações e aos débitos estão integradas eletronicamente.
O Ministério do Trabalho e Emprego também utiliza mecanismos de monitoramento e notificação de pendências.
Quando são identificadas irregularidades, o empregador pode ser chamado a regularizar a situação.
Caso isso não aconteça, outras medidas de cobrança e fiscalização podem ser adotadas.
Como denunciar empresa que não deposita FGTS?
O trabalhador pode utilizar o canal oficial de denúncia trabalhista disponibilizado pelo Governo Federal.
O Ministério do Trabalho e Emprego orienta que, quando o trabalhador verificar falta de recolhimento do FGTS pela empresa, pode registrar uma denúncia por meio do serviço oficial.
Antes disso, reúna as informações necessárias.
Ter em mãos o extrato do FGTS e identificar os meses sem depósito facilita a descrição do problema.
Sempre utilize canais governamentais oficiais e evite fornecer dados pessoais a sites desconhecidos.
Preciso avisar a empresa antes de denunciar?
Não existe uma regra geral que obrigue o trabalhador a resolver informalmente o problema antes de procurar os canais oficiais.
Entretanto, em algumas situações, entrar em contato com o RH pode resolver rapidamente um erro operacional.
Se a empresa reconhecer o problema e realizar os depósitos corretamente, a irregularidade pode ser solucionada.
Por outro lado, se o empregador ignora as solicitações, acumula vários meses de atraso ou se recusa a regularizar, o trabalhador pode buscar os meios administrativos e jurídicos disponíveis.
Posso processar a empresa por não depositar FGTS?
A ausência de depósitos do FGTS pode ser discutida na Justiça do Trabalho.
O trabalhador pode buscar o reconhecimento dos valores não recolhidos e a regularização correspondente.
Entretanto, antes de ajuizar uma ação, é importante analisar documentos, períodos envolvidos e prazos prescricionais.
Dependendo da situação, procurar um advogado trabalhista, sindicato ou serviço de assistência jurídica pode ajudar a avaliar a melhor estratégia.
FGTS não depositado pode dar rescisão indireta?
A ausência reiterada de depósitos do FGTS pode assumir relevância para um pedido de rescisão indireta, dependendo das circunstâncias concretas e da avaliação da Justiça do Trabalho.
A rescisão indireta é popularmente comparada a uma “justa causa do empregador”.
Ela ocorre quando existe falta grave patronal enquadrável nas hipóteses legais e o empregado busca o encerramento do vínculo com os efeitos correspondentes.
Porém, o trabalhador não deve simplesmente parar de trabalhar porque descobriu depósitos atrasados.
A caracterização da rescisão indireta depende de análise jurídica e pode precisar ser reconhecida judicialmente.
Antes de tomar uma decisão dessa natureza, é recomendável obter orientação profissional.
O que o trabalhador recebe na rescisão indireta?
Quando a rescisão indireta é reconhecida, os efeitos rescisórios são diferentes dos de um pedido de demissão.
Em termos gerais, o trabalhador pode ter direito às verbas correspondentes à ruptura contratual por responsabilidade do empregador, conforme o caso reconhecido judicialmente.
Isso pode envolver:
saldo de salário;
aviso-prévio;
13º proporcional;
férias devidas acrescidas de um terço;
regularização do FGTS;
indenização compensatória do FGTS, quando cabível;
possibilidade de saque do FGTS;
seguro-desemprego, desde que preenchidos os requisitos legais.
Os valores exatos dependem do contrato e da decisão aplicável ao caso.
Um mês sem FGTS já dá rescisão indireta?
Não é prudente afirmar que qualquer atraso isolado automaticamente garante rescisão indireta.
A Justiça do Trabalho analisa as circunstâncias concretas.
Existe diferença entre um erro pontual rapidamente regularizado e uma empresa que deixa sistematicamente de cumprir sua obrigação durante vários meses.
Por isso, quem pretende pedir rescisão indireta deve reunir documentos e buscar orientação antes de abandonar o emprego.
Posso pedir demissão porque a empresa não deposita FGTS?
O empregado pode pedir demissão quando desejar, observando as consequências dessa modalidade de encerramento contratual.
Porém, se a razão da saída é justamente uma falta grave praticada pelo empregador, pode ser importante procurar orientação antes de apresentar a carta de demissão.
Pedido de demissão e rescisão indireta são modalidades diferentes de encerramento do contrato e podem produzir efeitos financeiros muito diferentes.
Assinar documentos sem compreender essa diferença pode complicar uma discussão posterior.
Fui demitido e descobri que meu FGTS não foi depositado. E agora?
Essa situação merece atenção imediata.
Confira todo o extrato do período trabalhado.
Não verifique apenas os últimos meses.
Compare os depósitos com o período em que permaneceu na empresa.
Na dispensa sem justa causa, a regularização do FGTS também pode interferir nos cálculos relacionados à indenização compensatória devida sobre os depósitos.
Se existirem competências ausentes, solicite a regularização.
Caso a empresa não resolva o problema, procure os canais oficiais e avalie a necessidade de cobrança judicial.
A multa de 40% elimina o FGTS atrasado?
Não.
A indenização compensatória de 40% aplicável às hipóteses legais não substitui os depósitos mensais que deveriam ter sido realizados.
São obrigações relacionadas, mas diferentes.
Se faltam depósitos mensais, eles precisam ser considerados na regularização.
Além disso, valores posteriormente reconhecidos e recolhidos podem produzir reflexos no cálculo da indenização compensatória, conforme a situação.
Portanto, não basta a empresa calcular 40% sobre um saldo incompleto e considerar tudo resolvido.
Empresa fechou e não depositou FGTS: perdi o dinheiro?
O fechamento da empresa não significa automaticamente que o trabalhador perdeu qualquer possibilidade de buscar os valores.
É necessário analisar a situação jurídica da empresa, os responsáveis, a existência de processo de recuperação ou falência e os prazos aplicáveis.
O trabalhador deve reunir documentos e buscar orientação rapidamente.
Quanto mais antiga for a dívida, maior a importância de verificar os prazos para cobrança.
Não deixe o problema indefinidamente sem análise.
Qual o prazo para cobrar FGTS atrasado?
Existem regras de prescrição que limitam o período de cobrança judicial.
Atualmente, a cobrança deve considerar a prescrição trabalhista aplicável ao FGTS e o entendimento consolidado pelos tribunais superiores.
Em termos gerais, deve ser observada a prescrição quinquenal, além do prazo relacionado ao término do contrato de trabalho.
Existiram regras e entendimentos diferentes no passado, inclusive prescrição de 30 anos em determinadas situações anteriores à mudança jurisprudencial.
Por isso, casos envolvendo depósitos muito antigos precisam ser analisados individualmente.
Se você possui vários anos de FGTS não recolhido, não espere para buscar orientação.
Como provar que a empresa não depositou FGTS?
O extrato da conta vinculada é uma das principais provas.
Também podem ser úteis:
carteira de trabalho;
holerites;
contrato;
termo de rescisão;
extratos;
comunicações com o RH;
documentos relacionados ao vínculo.
O trabalhador pode comparar o período efetivamente trabalhado com as competências que aparecem no extrato.
Se trabalhou continuamente durante determinado período e existem diversos meses sem movimentações correspondentes, a situação merece investigação.
A empresa disse que vai regularizar. Como saber se realmente pagou?
Consulte novamente seu extrato.
Depois que a regularização for processada, os depósitos correspondentes deverão aparecer na conta vinculada.
Não descarte os extratos anteriores.
Eles podem ajudar a demonstrar quais meses estavam pendentes antes da regularização.
Também guarde mensagens e documentos enviados pela empresa.
Manter um histórico organizado é especialmente importante quando existem muitos meses envolvidos.
Empresa não depositou FGTS: posso continuar trabalhando normalmente?
Sim. Descobrir uma irregularidade não encerra automaticamente o contrato de trabalho.
O empregado pode continuar trabalhando enquanto busca esclarecimentos e regularização.
Não deixe de comparecer ao trabalho simplesmente porque encontrou meses sem depósito.
Caso esteja avaliando uma rescisão indireta, procure orientação jurídica para saber como proceder.
Abandonar unilateralmente o trabalho sem compreender as consequências pode gerar uma discussão completamente diferente.
Como evitar descobrir anos depois que o FGTS não foi pago?
A melhor estratégia é acompanhar o extrato regularmente.
Não espere ser demitido para descobrir se a empresa realizou os depósitos.
Crie o hábito de verificar periodicamente:
qual empresa aparece vinculada;
quais competências foram recolhidas;
quais valores entraram;
se existem períodos ausentes.
Caso encontre uma diferença, questione rapidamente.
Um problema de um mês tende a ser muito mais simples de investigar do que vários anos de depósitos faltantes.
Afinal, o que acontece se a empresa não depositar o FGTS?
Se a empresa não depositar o FGTS, ela fica sujeita à cobrança dos valores devidos e dos respectivos encargos, além de consequências administrativas decorrentes da irregularidade.
O débito pode resultar em notificações, fiscalização, autos de infração, restrições relacionadas ao Certificado de Regularidade do FGTS e, conforme o caso, encaminhamento para inscrição em dívida ativa.
Para o trabalhador, a falta de depósitos pode prejudicar o saldo disponível justamente quando surgir uma hipótese legal de movimentação da conta.
Por isso, acompanhe regularmente o extrato.
Ao identificar depósitos faltantes, confirme as competências, guarde os documentos, solicite esclarecimentos à empresa e, se a situação não for regularizada, utilize os canais oficiais de denúncia ou procure orientação para avaliar uma reclamação trabalhista.
Em situações de descumprimento relevante ou reiterado, a falta de recolhimento também pode ter consequências sobre o próprio contrato de trabalho, inclusive em discussões envolvendo rescisão indireta.
Fontes
Presidência da República — Lei nº 8.036/1990
Dispõe sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e estabelece as obrigações relacionadas aos depósitos, encargos e fiscalização do FGTS.
Ministério do Trabalho e Emprego — FGTS Digital
Informações oficiais sobre recolhimento, cobrança, fiscalização, regularização de débitos e consequências das pendências de FGTS.
Ministério do Trabalho e Emprego — Denúncia Trabalhista
Canal oficial para comunicação de irregularidades trabalhistas, incluindo ausência de recolhimentos do FGTS.
Caixa Econômica Federal — FGTS
Informações relacionadas às contas vinculadas, consulta de extratos, depósitos e movimentação do Fundo de Garantia.
Tribunal Superior do Trabalho (TST)
Jurisprudência e informações relacionadas ao FGTS, cobrança de depósitos não realizados e rescisão indireta.
Supremo Tribunal Federal (STF)
Entendimento sobre a prescrição aplicável à cobrança de depósitos do FGTS.
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