Jovem erra as 90 questões do Enem: história é verdadeira ou meme?

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A história do jovem que erra as 90 questões do Enem viralizou nas redes sociais principalmente por meio de imagens que imitam uma notícia jornalística. Apesar da aparência convincente de algumas publicações, a história ficou conhecida como meme, e não há comprovação de que a famosa manchete corresponda a uma notícia real sobre um estudante que tenha errado exatamente todas as questões.

A brincadeira ganhou força especialmente no período do Enem 2024. Usuários começaram a inserir suas próprias fotografias em uma montagem semelhante a uma notícia do g1 com a manchete “Jovem erra as 90 questões do Enem”. O meme passou a ser utilizado por candidatos para brincar com a sensação de terem ido mal na prova.

Além da origem curiosa do meme, existe uma questão ainda mais interessante: o que aconteceria com a nota de uma pessoa que realmente errasse todas as questões do Enem?

A resposta envolve a Teoria de Resposta ao Item (TRI), sistema utilizado no cálculo das notas das provas objetivas.

O jovem que errou as 90 questões do Enem existe?

Não há evidência confiável de que a famosa imagem viral tenha surgido de uma notícia verdadeira sobre um estudante que efetivamente errou as 90 questões.

A publicação é uma montagem criada para parecer uma notícia.

Em 2024, a frase viralizou principalmente no X e no TikTok, onde candidatos passaram a publicar versões personalizadas do meme depois da realização do exame.

A piada é simples.

O candidato termina a prova acreditando que foi muito mal e publica uma montagem na qual aparece como personagem de uma suposta notícia:

“Jovem erra as 90 questões do Enem.”

Outras versões aumentaram ainda mais o exagero e passaram a falar em alguém que teria errado as 180 questões do exame.

Portanto, quem encontrou essa manchete nas redes sociais não deve interpretá-la automaticamente como uma reportagem verdadeira.

De onde surgiu o meme “jovem erra as 90 questões do Enem”?

O meme ganhou grande repercussão durante o Enem 2024.

Segundo registros publicados na época, candidatos utilizavam uma montagem feita para imitar visualmente uma notícia do g1 e colocavam suas próprias fotografias nela.

O objetivo era brincar com o próprio desempenho.

Depois de uma prova difícil, o estudante publicava a imagem sugerindo que havia conseguido o feito improvável de errar absolutamente todas as perguntas.

A brincadeira funcionou especialmente bem porque o Enem possui 90 questões objetivas em cada dia de aplicação.

Assim, a frase parecia uma manchete absurda, mas relacionada diretamente à experiência de milhões de estudantes.

É verdade que um jovem errou todas as questões do Enem?

Não há comprovação confiável de que o caso viral representado pelo meme tenha acontecido.

Versões posteriores chegaram a afirmar que um estudante teria errado as 180 questões e ainda zerado a redação. Uma checagem publicada em 2025 também classificou essa narrativa como falsa e apontou que os prints atribuídos ao g1 eram montagens.

Isso não significa que seja matematicamente impossível uma pessoa errar todas as questões.

Significa apenas que o caso viral apresentado como notícia não deve ser tratado como um fato comprovado.

Essa diferença é importante.

Uma coisa é perguntar se alguém poderia errar todas as questões.

Outra é afirmar que determinado estudante realmente fez isso porque apareceu em um print compartilhado nas redes sociais.

Quantas questões tem o Enem?

O Enem possui 180 questões objetivas, distribuídas em dois dias de aplicação.

São 90 questões em cada dia.

A prova é dividida nas quatro áreas do conhecimento:

  • Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;
  • Ciências Humanas e suas Tecnologias;
  • Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
  • Matemática e suas Tecnologias.

Cada área possui 45 questões.

Além das questões objetivas, o participante também precisa produzir uma redação.

É justamente por existirem 90 questões em cada dia que a expressão “jovem erra as 90 questões do Enem” funciona tão bem como meme.

É possível errar as 90 questões do Enem?

Sim, é possível.

Cada questão objetiva possui alternativas, das quais apenas uma corresponde ao gabarito.

Portanto, teoricamente, um candidato pode marcar uma alternativa incorreta em todas as 90 questões de um dia.

O curioso é que conseguir errar tudo aleatoriamente é muito improvável.

Se todas as questões possuírem cinco alternativas e alguém simplesmente chutar uma alternativa aleatória em cada uma, a probabilidade de errar uma questão é de 4/5, ou 80%.

Para errar 90 questões consecutivamente, teríamos:

(4/5)⁹⁰

Isso corresponde a aproximadamente:

0,00000019%

Ou aproximadamente 1 chance em 527 milhões, considerando um modelo simplificado de chutes totalmente aleatórios e independentes.

Portanto, errar absolutamente todas as 90 questões por puro chute é extremamente improvável.

Errar todas as questões é mais difícil do que parece

Existe uma situação curiosa.

Imagine que uma pessoa queira propositalmente errar todas as questões.

Para garantir o erro, ela precisaria saber qual alternativa está correta e selecionar outra.

Nesse cenário, ironicamente, o candidato precisaria conhecer muitas respostas para ter certeza de que está marcando as erradas.

Já quem simplesmente chuta pode acabar acertando várias questões por acaso.

Em uma prova hipotética com cinco alternativas igualmente prováveis por questão, o número esperado de acertos de alguém que chutasse 90 perguntas seria:

90 × 20% = 18 acertos.

Isso não significa que todo candidato que chute conseguirá exatamente 18.

Alguns poderiam acertar mais e outros menos.

Mas mostra como errar todas as questões exclusivamente por sorte seria um resultado extraordinariamente improvável.

Quem erra as 90 questões tira zero no Enem?

Aqui está uma das partes mais interessantes da história.

Errar todas as questões objetivas não significa necessariamente receber nota zero naquela área.

Isso acontece porque o Enem não calcula a nota simplesmente transformando a porcentagem de acertos em uma escala de zero a mil.

O exame utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI).

É por isso que a relação entre quantidade de acertos e nota não funciona assim:

45 acertos = 500 pontos;

90 acertos = 1.000 pontos;

0 acertos = 0 ponto.

Essa conta não corresponde ao sistema utilizado no Enem.

O que é a TRI do Enem?

TRI significa Teoria de Resposta ao Item.

Trata-se da metodologia utilizada para calcular o desempenho dos participantes nas provas objetivas.

Em vez de considerar exclusivamente a quantidade total de respostas corretas, o modelo leva em conta características estatísticas dos itens e o padrão de respostas do participante.

É justamente por isso que duas pessoas com a mesma quantidade de acertos podem terminar com notas diferentes.

O Enem procura estimar a proficiência do participante a partir das respostas dadas ao conjunto de questões.

Por isso, simplesmente contar quantas questões você acertou não é suficiente para determinar exatamente sua nota.

Quem acerta mais questões sempre tira nota maior?

Não necessariamente quando a diferença de acertos é pequena.

A TRI considera o padrão de respostas.

Imagine dois estudantes.

O primeiro acertou principalmente questões compatíveis com determinado nível de proficiência e errou itens mais difíceis.

O segundo errou várias questões relativamente acessíveis, mas acertou alguns itens mais complexos.

Dependendo do conjunto de respostas e dos parâmetros estatísticos das questões, as notas podem apresentar diferenças que não correspondem simplesmente ao número bruto de acertos.

É por isso que não existe uma tabela universal dizendo:

“30 acertos sempre equivalem a 700 pontos.”

A nota depende da prova e do padrão de respostas.

Errar questão fácil tira mais pontos no Enem?

Essa frase precisa ser entendida com cuidado.

Não existe simplesmente uma regra segundo a qual “questão fácil vale X pontos e questão difícil vale Y”.

A TRI é mais complexa.

O padrão de respostas é utilizado para estimar a proficiência do participante.

Quando alguém demonstra um padrão aparentemente incoerente — por exemplo, acerta determinados itens de maior dificuldade enquanto erra muitos itens associados a níveis menores de proficiência — esses acertos podem fornecer menos evidência de domínio do que um padrão mais consistente.

É daí que surge a explicação popular sobre a TRI identificar possíveis “chutes”.

Tecnicamente, porém, é melhor pensar em coerência estatística do padrão de respostas, e não em uma punição individual aplicada porque determinada questão fácil foi errada.

É possível tirar zero no Enem?

Nas quatro provas objetivas, a escala produzida pela TRI não funciona como uma prova tradicional em que zero acertos automaticamente resulta em nota zero.

Isso explica por que a brincadeira do jovem que teria errado todas as questões gerou tanta curiosidade sobre o sistema de correção.

Já a redação pode receber nota zero.

Existem situações previstas nas regras de correção que podem levar à nota zero, como fuga total ao tema e outros casos definidos nos critérios oficiais da redação.

Portanto, existe uma diferença fundamental:

provas objetivas: calculadas pela TRI;

redação: avaliada segundo competências e critérios próprios, podendo receber de zero a 1.000 pontos.

Dá para tirar 1.000 nas questões objetivas do Enem?

Outro detalhe interessante é que a escala das provas objetivas não deve ser interpretada como uma escala percentual tradicional de zero a 1.000.

Acertar todas as questões de determinada área não significa automaticamente receber exatamente 1.000 pontos.

A nota máxima possível varia conforme os parâmetros dos itens daquela edição.

A situação é diferente na redação, em que 1.000 pontos representa a pontuação máxima prevista.

Por isso, frases como “acertei 90%, então vou tirar 900” não funcionam para as provas objetivas.

Quantas questões uma pessoa que chuta tudo tende a acertar?

Considerando uma situação simplificada em que todas as questões tenham cinco alternativas e a pessoa escolha aleatoriamente entre elas, a chance de acertar cada pergunta seria de 20%.

Em 90 questões, o número esperado seria:

18 acertos.

Nas 180 questões do exame:

36 acertos.

Novamente, esses números representam valores esperados matematicamente, não uma garantia.

Uma pessoa poderia acertar 10, 15, 20, 25 ou outra quantidade.

Quanto mais extremo o resultado, menor tende a ser sua probabilidade.

Por isso, acertar zero entre 90 questões escolhendo respostas completamente ao acaso é muito raro.

Qual a chance de errar as 180 questões do Enem?

Se errar as 90 questões de um dia aleatoriamente já seria improvável, errar todas as 180 seria muito mais.

Utilizando novamente o modelo simplificado em que cada questão possui cinco alternativas e cada escolha é totalmente aleatória e independente:

(4/5)¹⁸⁰

O resultado é aproximadamente:

0,00000000000036%

Isso equivale aproximadamente a uma chance em 2,7 × 10¹⁴, ou seja, algo na ordem de centenas de trilhões.

É uma probabilidade extremamente pequena.

É importante observar que esse cálculo se aplica a chutes verdadeiramente aleatórios.

Se alguém soubesse propositalmente quais alternativas evitar, já não estaríamos diante de um processo aleatório.

Por que o meme ficou tão popular?

O sucesso do meme provavelmente está relacionado à identificação dos estudantes com a sensação de sair do Enem sem saber se foram bem.

O exame possui questões extensas e exige várias horas de concentração.

É comum um participante terminar a prova lembrando justamente das perguntas em que ficou em dúvida.

Depois, quando estudantes começam a comparar respostas nas redes sociais, a ansiedade pode aumentar.

O meme exagera essa sensação:

“Não fui apenas mal. Errei as 90.”

Essa hipérbole transforma a ansiedade pós-prova em humor.

Por isso, milhares de candidatos passaram a utilizar suas próprias fotos nas montagens.

O meme do jovem que errou as 90 questões é do g1?

As montagens foram criadas justamente para parecer uma notícia.

Esse é um detalhe importante porque alguém que encontre a imagem fora do contexto original pode acreditar que se trata de uma captura verdadeira de um portal jornalístico.

As reportagens que analisaram a tendência identificaram a imagem como uma falsa notícia utilizada como meme, e checagens posteriores também apontaram que versões atribuídas ao g1 não correspondiam a reportagens reais.

Portanto, não basta uma imagem possuir logotipo, fonte e aparência semelhantes às de um veículo conhecido para que seja verdadeira.

Esse caso também serve como exemplo de educação midiática.

Como descobrir quantas questões você realmente acertou?

Depois da aplicação, o Inep divulga os gabaritos oficiais e os Cadernos de Questões.

O candidato pode comparar as respostas que marcou com o gabarito correspondente à sua prova.

Isso permite descobrir aproximadamente quantos itens acertou.

Porém, existe uma diferença fundamental entre descobrir o número de acertos e calcular a nota.

Você consegue contar:

“acertei 32 questões de Matemática.”

Mas não consegue concluir automaticamente:

“minha nota será exatamente 750.”

Isso acontece por causa da TRI.

A nota oficial só é conhecida quando o resultado individual é divulgado pelo Inep.

Quantos acertos são necessários para uma nota boa?

Não existe uma conversão fixa entre número de acertos e pontuação.

É possível observar resultados históricos para obter uma referência, mas eles não funcionam como garantia para uma edição futura.

O objetivo deve ser conseguir o maior número possível de acertos mantendo um padrão consistente.

Em vez de tentar “enganar a TRI” ou desenvolver estratégias excessivamente complexas de chute, priorize:

resolver primeiro as questões que domina;

ler cuidadosamente o comando;

evitar erros por desatenção;

controlar o tempo;

não ficar preso por muito tempo em uma única pergunta;

preencher corretamente o Cartão-Resposta.

Essas atitudes possuem muito mais utilidade prática.

Vale a pena deixar questão em branco no Enem?

Se houver tempo, deixar uma questão objetiva sem resposta normalmente significa abrir mão da possibilidade de acertá-la.

Como cada pergunta apresenta alternativas, mesmo quando você não sabe a resposta é possível tentar eliminar opções claramente incorretas e escolher entre as restantes.

Se conseguir eliminar duas alternativas, por exemplo, sua decisão deixa de ser um chute completamente aleatório entre todas as opções.

Porém, administrar o tempo é fundamental.

Não gaste vários minutos em uma questão extremamente difícil enquanto deixa perguntas mais acessíveis sem resposta.

Como evitar erros bobos no Enem?

Muitos candidatos se preocupam com as questões difíceis e acabam perdendo pontos justamente em perguntas que sabiam resolver.

Leia atentamente palavras como:

“correta”;

“incorreta”;

“exceto”;

“principalmente”;

“respectivamente”.

Também tome cuidado ao transferir as respostas para o Cartão-Resposta.

Um erro de posição pode provocar uma sequência de marcações incorretas.

Uma boa estratégia é transferir as respostas em blocos e conferir periodicamente a numeração.

Não espere necessariamente o último minuto para começar a preencher o cartão.

Errei muitas questões. Ainda posso ter uma boa nota?

Depende da quantidade e do padrão de acertos, da área do conhecimento e dos parâmetros da prova.

Por isso, não tente prever seu resultado apenas comparando a quantidade de acertos com a de amigos.

Também não conclua que perdeu todas as chances de entrar na faculdade porque encontrou um gabarito extraoficial e percebeu vários erros.

Espere o resultado oficial.

Depois, analise sua pontuação de acordo com o curso e a instituição desejados.

Sisu, Prouni e outras formas de utilização da nota possuem critérios e níveis de concorrência diferentes.

O que fazer depois de conferir o gabarito?

Use o gabarito principalmente para avaliar seu desempenho.

Se ainda estiver se preparando para futuras provas, classifique seus erros.

Você pode separá-los em três grupos:

Erro de conteúdo: você realmente não conhecia o assunto.

Erro de interpretação: sabia a matéria, mas não entendeu corretamente o enunciado.

Erro de atenção: sabia resolver, mas marcou a alternativa errada ou cometeu uma falha simples.

Essa análise é muito mais útil do que apenas contar acertos.

Se a maioria dos erros for de conteúdo, você precisa estudar mais teoria.

Se for interpretação, precisa resolver mais questões.

Se for desatenção, deve melhorar seu método de leitura e revisão.

Afinal, o jovem errou mesmo as 90 questões do Enem?

A famosa história do “jovem erra as 90 questões do Enem” é essencialmente um meme que viralizou nas redes sociais, e não uma notícia comprovada sobre um estudante específico que tenha conseguido errar todas as perguntas. As montagens ganharam grande repercussão a partir do Enem 2024, especialmente no X e no TikTok.

Apesar disso, a brincadeira levanta uma questão interessante: uma pessoa poderia realmente errar as 90 questões.

Sim, poderia.

O que seria extraordinariamente improvável é isso acontecer por chutes completamente aleatórios. Em um modelo simplificado com cinco alternativas por questão, a chance de errar 90 vezes consecutivas seria de aproximadamente 0,00000019%, ou cerca de uma em 527 milhões.

E mesmo nesse cenário extremo, não se deve concluir que a pessoa receberia automaticamente zero pontos na prova objetiva. O Enem utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI) para calcular as notas, e a pontuação não corresponde simplesmente ao percentual de respostas corretas.

Portanto, se você viu nas redes sociais uma imagem anunciando que um estudante “errou as 90 questões do Enem”, pode encarar a famosa manchete pelo que ela se tornou: uma brincadeira dos candidatos sobre o medo de terem ido mal na prova — e não uma notícia que deva ser compartilhada como fato.

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