Os argumentos para redação do Enem são essenciais para construir um texto dissertativo-argumentativo consistente. Não basta apresentar uma opinião sobre o tema: é necessário defender um ponto de vista, explicar por que determinado problema acontece, mostrar suas consequências e estabelecer relações capazes de convencer o leitor.
É justamente nesse ponto que muitos candidatos encontram dificuldades. Eles conseguem fazer uma introdução, sabem que precisam escrever dois parágrafos de desenvolvimento e até memorizam algumas citações, mas não conseguem transformar essas informações em uma argumentação realmente desenvolvida.
Um bom argumento não precisa ser complicado. Ele precisa ser pertinente ao tema, coerente com a tese e suficientemente explicado.
Neste artigo, você entenderá quais argumentos podem ser utilizados na redação do Enem, como encontrar duas boas ideias rapidamente, como desenvolver cada uma e quais erros podem deixar seu texto superficial.
O que são argumentos na redação do Enem?
Argumento é uma ideia utilizada para sustentar o ponto de vista defendido pelo autor.
Imagine um tema hipotético sobre dificuldades para combater a desinformação no Brasil.
Uma tese poderia defender que o problema é agravado por:
falta de educação midiática;
disseminação acelerada de informações nas plataformas digitais.
Essas duas ideias podem se transformar nos argumentos centrais dos parágrafos de desenvolvimento.
O primeiro desenvolvimento explicaria a deficiência na formação crítica dos indivíduos.
O segundo analisaria como determinadas características do ambiente digital favorecem a circulação rápida de conteúdos falsos ou enganosos.
Perceba que argumentar não é simplesmente dizer:
“A desinformação é ruim para a sociedade.”
Isso é uma afirmação genérica.
É necessário explicar por que, como e com quais consequências.
Quantos argumentos usar na redação do Enem?
Não existe uma regra segundo a qual todo texto obrigatoriamente precisa apresentar exatamente dois argumentos.
Entretanto, uma estrutura com dois argumentos principais é bastante utilizada porque se adapta bem ao espaço disponível na redação.
A organização pode ser:
Introdução: apresentação do tema + tese + dois argumentos.
Desenvolvimento 1: aprofundamento do argumento 1.
Desenvolvimento 2: aprofundamento do argumento 2.
Conclusão: proposta de intervenção relacionada ao problema discutido.
Essa estrutura é simples e funcional.
O mais importante, porém, não é possuir dois argumentos.
É desenvolvê-los adequadamente.
Como escolher argumentos para redação do Enem?
Antes de começar a escrever, pergunte:
Por que esse problema existe?
Quem contribui para sua permanência?
Quais são suas consequências?
Quem é prejudicado?
Existe falha do Estado?
Existe problema educacional?
Existe comportamento social envolvido?
Existe desigualdade econômica ou social?
Essas perguntas ajudam a transformar um tema amplo em causas específicas.
Por exemplo, se o tema estiver relacionado ao acesso desigual à cultura, você poderia pensar:
Por que existe desigualdade?
Talvez porque equipamentos culturais estejam concentrados em determinadas regiões.
Talvez porque parte da população não tenha condições financeiras para consumir certos produtos culturais.
A partir daí surgem dois possíveis argumentos:
desigualdade territorial de acesso;
barreiras socioeconômicas.
Agora existe uma base para construir o texto.
Argumentos coringa para redação do Enem funcionam?
Existem linhas argumentativas que podem ser relevantes em diversos temas.
Entre elas:
omissão ou insuficiência do poder público;
desigualdade social;
falhas educacionais;
falta de informação;
invisibilidade social;
herança histórica;
preconceito;
desigualdade regional;
interesses econômicos;
influência da mídia;
comportamento coletivo;
fragilidade na aplicação de políticas públicas;
falta de acesso a direitos.
Entretanto, existe um problema em chamar essas ideias de “argumentos coringa”.
Elas não podem ser simplesmente copiadas em qualquer redação.
Dizer que “a culpa é do Estado” em todos os temas, sem demonstrar qual obrigação não está sendo cumprida e como isso se relaciona ao problema, gera uma argumentação genérica.
O argumento precisa nascer do tema.
1. Omissão do poder público
A atuação insuficiente do Estado pode ser um argumento relevante quando o problema envolve direitos, serviços públicos, fiscalização ou políticas públicas.
Por exemplo, em um tema relacionado à falta de acesso a determinado direito, você poderia discutir:
ausência de políticas;
cobertura insuficiente;
baixa fiscalização;
falta de investimento;
má implementação;
dificuldade de acesso aos serviços.
Mas não escreva simplesmente:
“O governo não faz nada.”
Essa frase é absoluta, superficial e difícil de sustentar.
Prefira demonstrar qual é a deficiência.
Por exemplo:
A baixa presença de determinado serviço em regiões periféricas dificulta o acesso da população ao direito discutido.
Agora existe uma relação causal que pode ser desenvolvida.
2. Desigualdade social
A desigualdade social pode funcionar muito bem em temas relacionados a:
educação;
saúde;
tecnologia;
cultura;
moradia;
trabalho;
alimentação;
mobilidade;
acesso à informação;
direitos.
Entretanto, também precisa ser especificada.
Não basta escrever:
“O Brasil é um país desigual.”
Pergunte:
Qual desigualdade?
De renda?
Territorial?
Digital?
Educacional?
De acesso aos serviços?
Depois explique como ela afeta o problema.
3. Falta de educação
Problemas educacionais também podem ser utilizados em diferentes contextos, principalmente quando o tema envolve:
informação;
cidadania;
preconceito;
consumo;
meio ambiente;
tecnologia;
saúde preventiva;
participação social.
Mas “falta de educação” é amplo demais.
Você precisa identificar o tipo de formação necessária.
Em um tema sobre desinformação, por exemplo, seria mais específico falar em educação midiática e desenvolvimento da capacidade crítica para avaliar fontes.
Quanto mais preciso o argumento, melhor.
4. Falta de informação
A falta de informação pode contribuir para diferentes problemas sociais.
Ela pode impedir que uma pessoa:
conheça seus direitos;
identifique riscos;
acesse serviços;
reconheça determinada violência;
procure ajuda;
adote práticas preventivas.
Mas novamente é necessário explicar o mecanismo.
Quem não possui a informação?
Qual informação falta?
Por que ela não chega?
Qual consequência isso provoca?
Responder essas perguntas transforma uma expressão genérica em argumento.
5. Invisibilidade social
Determinados grupos e problemas recebem pouca atenção pública.
Essa invisibilidade pode contribuir para:
baixa mobilização;
ausência de políticas;
manutenção de preconceitos;
subnotificação;
dificuldade de acesso a direitos.
Esse argumento pode ser útil quando o tema envolve grupos historicamente marginalizados ou questões pouco discutidas.
Mas evite usar “invisibilidade” apenas porque parece sofisticado.
Mostre como ela acontece.
6. Herança histórica
Muitos problemas brasileiros possuem raízes históricas.
Temas relacionados a:
racismo;
desigualdade;
concentração fundiária;
exclusão social;
direitos de povos indígenas;
trabalho;
desigualdade de acesso à educação
podem permitir uma contextualização histórica relevante.
Entretanto, existe um erro comum:
“O problema existe desde antigamente.”
Isso não explica nada.
Um argumento histórico precisa estabelecer uma relação entre passado e presente.
7. Preconceito e estigmatização
Em temas relacionados a grupos sociais, saúde, deficiência, idade, origem, condições econômicas ou identidades, preconceitos e estigmas podem contribuir para a manutenção do problema.
Um bom desenvolvimento pode mostrar a sequência:
estereótipo → discriminação → exclusão → dificuldade de acesso a direitos.
Essa cadeia lógica é muito mais forte do que simplesmente afirmar:
“A sociedade é preconceituosa.”
8. Influência da mídia
A mídia pode ser um argumento válido em alguns temas, mas é frequentemente utilizada de maneira excessivamente genérica.
Evite frases como:
“A mídia manipula todo mundo.”
Pergunte:
Qual mídia?
Qual comportamento?
Qual representação?
Qual efeito?
Você pode discutir, dependendo do tema:
invisibilidade;
estereótipos;
normalização de comportamentos;
publicidade;
agenda pública;
representação social;
circulação de informações.
O argumento precisa ser demonstrado.
9. Redes sociais e algoritmos
Em temas contemporâneos envolvendo ambiente digital, redes sociais podem ser relevantes.
Possíveis aspectos incluem:
velocidade de circulação de informações;
formação de comunidades;
exposição a conteúdos;
economia da atenção;
influência sobre hábitos;
desinformação;
comparação social;
discurso de ódio;
privacidade.
Mas não culpe “a internet” por tudo.
Defina qual característica do ambiente digital contribui para o problema discutido.
10. Interesses econômicos
Alguns problemas sociais podem estar relacionados a incentivos econômicos.
Esse argumento pode aparecer em temas sobre:
consumo;
meio ambiente;
publicidade;
trabalho;
tecnologia;
alimentação;
produção;
exploração de recursos.
O desenvolvimento precisa explicar quais agentes possuem determinado incentivo e de que maneira isso contribui para a questão.
11. Falta de fiscalização
A fiscalização insuficiente pode ser um bom argumento quando existe uma norma, regra ou direito cuja aplicação depende de controle.
Exemplos de contextos:
meio ambiente;
trânsito;
trabalho;
relações de consumo;
proteção de dados;
atividades econômicas.
Não confunda falta de fiscalização com falta de legislação.
Pode existir uma lei adequada, mas baixa capacidade de implementação.
Essa distinção deixa a argumentação mais precisa.
12. Falta de políticas públicas
A ausência ou insuficiência de políticas públicas é diferente de simplesmente dizer que “o governo é culpado”.
Você pode analisar:
cobertura insuficiente;
dificuldade de acesso;
falta de integração entre órgãos;
recursos inadequados;
descontinuidade;
baixa divulgação;
problemas de implementação.
Quanto mais concreto for o mecanismo discutido, melhor será o desenvolvimento.
13. Desigualdade regional
O Brasil possui diferenças significativas entre regiões, estados, municípios e áreas urbanas e rurais.
Esse aspecto pode ser relevante em temas envolvendo:
saúde;
educação;
infraestrutura;
internet;
cultura;
transporte;
saneamento;
emprego;
serviços públicos.
Mas não transforme regiões em estereótipos.
Use a desigualdade territorial como fenômeno a ser explicado.
14. Comportamento social
Nem todo problema deve ser atribuído exclusivamente ao governo.
Práticas sociais também podem contribuir.
Por exemplo:
normalização de preconceitos;
consumo irresponsável;
descarte inadequado;
compartilhamento de informações sem verificação;
silenciamento de vítimas;
resistência a determinadas práticas preventivas.
Nesse tipo de argumento, é importante explicar como comportamentos individuais se transformam em um fenômeno coletivo.
Como desenvolver um argumento na redação do Enem?
Uma estrutura bastante útil é:
tópico frasal → explicação → repertório ou evidência → análise → consequência.
Vamos entender cada parte.
Tópico frasal
Apresente a ideia central do parágrafo.
Exemplo:
“A insuficiência da educação midiática contribui para a disseminação da desinformação.”
O leitor já sabe o que será defendido.
Explicação
Agora mostre por quê.
Parte da população pode ter dificuldade para identificar fontes confiáveis, diferenciar opinião de evidência ou reconhecer conteúdos manipulados.
Repertório
Você pode inserir:
dados;
conceitos;
acontecimentos históricos;
leis;
pesquisas;
obras;
pensadores;
referências culturais
quando forem pertinentes e você souber utilizá-los corretamente.
Análise
Essa é uma das partes mais importantes.
Explique a relação entre o repertório e o argumento.
Não jogue uma citação no parágrafo e continue escrevendo como se ela se explicasse sozinha.
Consequência
Mostre o resultado do problema.
Por exemplo, baixa capacidade de verificar informações pode favorecer o compartilhamento de conteúdos falsos e dificultar decisões informadas.
Agora existe uma linha de raciocínio completa.
Exemplo de argumento fraco
Imagine:
“Além disso, a falta de educação é um problema. Muitas pessoas não têm educação suficiente. Dessa forma, isso prejudica a sociedade.”
Esse parágrafo praticamente repete a mesma ideia.
Não existe aprofundamento.
O leitor termina sem saber:
qual educação;
quem é afetado;
como isso causa o problema;
qual consequência concreta surge.
Como transformar um argumento fraco em forte?
Especifique.
Em vez de:
“Falta educação.”
Pense:
“Existe deficiência na formação para determinado conhecimento.”
Depois estabeleça a sequência:
deficiência educacional → dificuldade de compreender determinado fenômeno → comportamento inadequado → manutenção do problema.
Essa lógica de causa e consequência fortalece a argumentação.
O que é repertório sociocultural?
Repertório sociocultural é um conhecimento externo ao texto motivador que pode ser utilizado para ajudar a construir a argumentação.
Ele pode vir de:
História;
Filosofia;
Sociologia;
Geografia;
Literatura;
cinema;
legislação;
pesquisas;
ciência;
acontecimentos sociais;
conhecimentos adquiridos ao longo da formação.
O repertório não precisa ser uma frase famosa.
Na verdade, muitos estudantes confundem repertório com citação.
Você pode utilizar um acontecimento histórico ou conceito sem citar literalmente ninguém.
Preciso citar filósofo para tirar nota alta?
Não.
A redação do Enem não exige que você mencione filósofos.
Uma argumentação consistente pode utilizar conhecimentos de diferentes áreas.
Você pode desenvolver um excelente texto utilizando:
Constituição;
contexto histórico;
dados confiáveis;
conceitos sociais;
literatura;
cinema;
ciência;
situações conhecidas da realidade brasileira.
O importante é a pertinência.
Um filósofo colocado artificialmente não melhora automaticamente a redação.
Argumentos de filósofos para redação do Enem
Alguns pensadores aparecem frequentemente em materiais preparatórios porque suas ideias podem dialogar com diversos temas.
Entre eles:
Aristóteles — política, ética, vida em sociedade;
Thomas Hobbes — Estado e organização social;
John Locke — direitos e Estado;
Jean-Jacques Rousseau — sociedade e organização política;
Immanuel Kant — ética, autonomia e esclarecimento;
Karl Marx — relações econômicas, trabalho e desigualdade;
Émile Durkheim — sociedade e instituições;
Max Weber — poder, Estado e organização social;
Zygmunt Bauman — relações sociais e modernidade;
Michel Foucault — poder, instituições e mecanismos sociais.
Entretanto, jamais memorize uma frase atribuída a esses autores sem saber se ela realmente existe.
É melhor explicar corretamente um conceito do que inventar uma citação sofisticada.
Constituição Federal como argumento
A Constituição pode ser um repertório útil em temas relacionados a direitos.
Dependendo do assunto, podem aparecer discussões envolvendo:
educação;
saúde;
igualdade;
segurança;
moradia;
liberdade;
dignidade;
proteção social.
Uma estratégia argumentativa possível é demonstrar a distância entre determinado direito formalmente reconhecido e sua concretização na realidade.
Mas evite transformar a Constituição em repertório automático para todos os temas.
Ela precisa contribuir para o raciocínio.
Declaração Universal dos Direitos Humanos
A Declaração Universal dos Direitos Humanos também pode ser pertinente em temas envolvendo dignidade, igualdade e direitos fundamentais.
O mesmo cuidado se aplica:
não basta escrever que “segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos têm direitos”.
Qual direito está relacionado ao tema?
Como ele está sendo prejudicado?
Qual relação existe com sua tese?
Sem essa explicação, o repertório fica decorativo.
Dados estatísticos são bons argumentos?
Dados podem fortalecer bastante uma redação.
Mas precisam ser confiáveis.
Não invente:
“Segundo o IBGE, 87% dos brasileiros…”
se você não conhece esse dado.
Um número falso pode comprometer a credibilidade da argumentação.
Se não tiver certeza de uma estatística específica, desenvolva o raciocínio utilizando informações que você realmente domina.
É melhor um argumento consistente sem porcentagem do que uma estatística inventada.
Posso usar os textos motivadores?
Os textos motivadores ajudam a compreender o tema e podem fornecer informações relevantes.
Entretanto, sua redação precisa demonstrar autoria.
Não copie trechos dos textos de apoio nem construa todo o desenvolvimento apenas repetindo as informações fornecidas na proposta.
Use-os para compreender:
recorte temático;
problema central;
conceitos;
possíveis caminhos de reflexão.
Depois desenvolva sua própria argumentação.
Como encontrar dois argumentos em poucos minutos?
Use uma técnica simples.
Escreva o tema no centro do rascunho e faça quatro perguntas:
Causas: por que isso acontece?
Agentes: quem contribui?
Consequências: o que isso provoca?
Soluções: o que precisaria mudar?
Imagine um tema hipotético sobre dificuldades de acesso à leitura.
Você pode encontrar:
Causa 1 — desigualdade econômica.
Causa 2 — acesso territorial insuficiente a bibliotecas e equipamentos culturais.
Consequência — redução das oportunidades de formação leitora.
Agora escolha as duas ideias com as quais consegue argumentar melhor.
Argumento 1 e argumento 2 precisam ser diferentes?
Sim, é recomendável que acrescentem dimensões diferentes ao raciocínio.
Um erro comum é utilizar:
Argumento 1 — falta de políticas públicas.
Argumento 2 — falta de ação governamental.
Na prática, são quase a mesma ideia.
Seria melhor:
Argumento 1 — desigualdade econômica.
Argumento 2 — insuficiência de políticas de democratização do acesso.
Agora existem dois eixos complementares.
Causa e consequência podem ser os dois argumentos?
Podem, desde que o projeto de texto fique coerente.
Por exemplo:
Desenvolvimento 1 — causa estrutural do problema.
Desenvolvimento 2 — principal consequência social.
Outra possibilidade:
Desenvolvimento 1 — primeira causa.
Desenvolvimento 2 — segunda causa.
Ou:
Desenvolvimento 1 — dimensão social.
Desenvolvimento 2 — dimensão institucional.
Não existe apenas uma estrutura válida.
Como apresentar os argumentos na introdução?
Uma estratégia bastante clara é anunciar os dois eixos da tese.
Exemplo:
“Diante desse cenário, a permanência do problema relaciona-se tanto à insuficiência da formação crítica da população quanto à fragilidade das políticas destinadas ao seu enfrentamento.”
Agora o corretor espera:
Desenvolvimento 1 → formação crítica.
Desenvolvimento 2 → políticas públicas.
Isso cria um projeto de texto organizado.
Preciso colocar repertório na introdução?
Não obrigatoriamente.
Você pode utilizar um repertório para contextualizar o tema, mas ele precisa ser funcional.
Não desperdice linhas apenas para começar com uma frase famosa.
Uma introdução precisa principalmente:
apresentar o tema;
delimitar o problema;
estabelecer uma tese;
preparar os argumentos.
Se conseguir fazer isso de forma clara, já possui uma boa base.
Como começar o desenvolvimento 1?
Você pode iniciar retomando o primeiro argumento.
Exemplo:
“Em primeiro lugar, a insuficiência da formação educacional relacionada ao tema contribui para a manutenção desse cenário.”
Depois explique.
Evite depender excessivamente de fórmulas como:
“Primeiramente, vale ressaltar…”
“Em primeira análise…”
“Em primeiro plano…”
Essas expressões não são erradas, mas o conteúdo depois delas é muito mais importante.
Como começar o desenvolvimento 2?
Faça uma transição e apresente o segundo eixo.
Exemplo:
“Além das limitações educacionais, a baixa efetividade das políticas públicas também favorece a continuidade do problema.”
Essa frase estabelece relação com o parágrafo anterior e apresenta a nova ideia.
O leitor percebe progressão.
Como concluir um argumento?
O final do parágrafo deve mostrar por que aquela discussão é importante para o tema.
Você pode apresentar:
consequência;
impacto;
resultado;
relação com a tese.
Por exemplo:
“Consequentemente, a dificuldade de reconhecer informações enganosas amplia a vulnerabilidade dos indivíduos à desinformação e favorece sua circulação.”
Agora o parágrafo não termina abruptamente.
Argumentação e repertório são a mesma coisa?
Não.
Esse é um erro muito importante.
Repertório é a referência.
Argumentação é o raciocínio construído com ela.
Imagine:
“Segundo determinado autor, a educação transforma a sociedade.”
Isso é uma referência.
Ainda falta explicar:
como;
por que;
em qual aspecto;
qual relação com o tema.
Um texto cheio de autores pode possuir argumentação fraca.
Como evitar argumento genérico?
Faça o teste da substituição.
Pegue seu parágrafo e substitua o tema por outro completamente diferente.
Se ele continuar funcionando praticamente sem alterações, provavelmente está genérico demais.
Exemplo:
“O problema acontece porque falta conscientização. O governo deve agir e a sociedade precisa mudar.”
Isso poderia ser colocado em dezenas de temas.
Agora compare:
“A ausência de formação voltada à verificação de fontes dificulta a identificação de conteúdos manipulados e aumenta a vulnerabilidade dos usuários à desinformação digital.”
Esse argumento possui relação muito mais específica com o tema.
Evite culpar “a sociedade” sem explicar
“A sociedade é culpada” é uma afirmação ampla.
Quem exatamente?
Consumidores?
Empresas?
Famílias?
Usuários das redes?
Instituições educacionais?
Determinados grupos?
Quanto mais preciso você for, maior será sua capacidade de explicar o fenômeno.
Evite culpar apenas o governo
O Estado pode ser central em muitos temas, mas não em todos.
Além disso, simplesmente escrever:
“O governo não investe.”
não é suficiente.
Pergunte:
Em quê?
Qual política?
Qual serviço?
Qual consequência?
Que grupo é afetado?
Argumentação exige relações claras.
Evite repertório de bolso sem conexão
Muitos estudantes decoram uma pequena lista:
Constituição Federal;
Bauman;
Paulo Freire;
George Orwell;
Declaração Universal;
algum filme famoso.
Depois tentam encaixar uma dessas referências em qualquer tema.
Isso pode gerar textos artificiais.
Monte um repertório amplo e, principalmente, aprenda os conceitos.
Você não precisa utilizar sempre os mesmos autores.
Não invente citações
Se não tem certeza das palavras exatas de um autor, não utilize aspas atribuindo uma frase a ele.
Você pode parafrasear uma ideia que conhece corretamente.
Em vez de decorar dezenas de frases, estude:
conceito;
autor;
contexto;
possíveis aplicações.
Isso reduz o risco de atribuições falsas.
Argumentos para temas de educação
Possíveis caminhos, dependendo do recorte:
desigualdade de acesso;
infraestrutura;
evasão;
formação docente;
desigualdade digital;
condições socioeconômicas;
valorização da educação;
políticas públicas;
formação crítica;
diferenças regionais.
Não utilize todos.
Escolha dois que realmente expliquem o problema apresentado.
Argumentos para temas de saúde
Dependendo do tema:
acesso desigual aos serviços;
prevenção insuficiente;
desinformação;
estigmatização;
desigualdade territorial;
hábitos sociais;
políticas preventivas;
infraestrutura;
formação profissional;
condições socioeconômicas.
Novamente, adapte ao recorte.
Argumentos para temas de tecnologia
Alguns caminhos possíveis:
exclusão digital;
proteção de dados;
educação digital;
desinformação;
algoritmos;
concentração tecnológica;
desigualdade de acesso;
dependência tecnológica;
capacitação profissional;
regulação.
Tecnologia é um campo amplo. O argumento precisa responder ao problema específico.
Argumentos para temas ambientais
Você pode considerar:
consumo;
produção;
fiscalização;
educação ambiental;
interesses econômicos;
políticas públicas;
desmatamento;
urbanização;
gestão de resíduos;
mudanças climáticas;
responsabilidade empresarial.
Evite simplesmente dizer:
“As pessoas não cuidam do meio ambiente.”
Explique qual comportamento e qual impacto.
Argumentos para temas de preconceito
Possíveis linhas:
herança histórica;
estereótipos;
invisibilidade;
representação midiática;
falhas educacionais;
desigualdade de oportunidades;
discriminação institucional;
naturalização de comportamentos.
Nesses temas, cuidado com generalizações e linguagem discriminatória.
Argumentos para temas relacionados à violência
Dependendo do recorte:
desigualdade;
naturalização da violência;
subnotificação;
medo de denunciar;
falhas na proteção;
preconceito;
vulnerabilidade social;
insuficiência de políticas preventivas;
dificuldade de acesso aos serviços.
Não transforme problemas complexos em uma única causa.
Modelo para construir qualquer argumento
Você pode utilizar esta sequência mental:
1. Afirmação
Qual é meu argumento?
2. Explicação
Por que isso acontece?
3. Evidência ou repertório
Que conhecimento ajuda a sustentar a ideia?
4. Relação
Como esse repertório prova ou esclarece meu argumento?
5. Consequência
O que isso provoca?
Imagine:
Argumento: desigualdade digital.
Explicação: famílias de menor renda possuem maiores barreiras de acesso a equipamentos e conexão adequada.
Repertório: conhecimento sobre desigualdades socioeconômicas e acesso tecnológico.
Relação: serviços cada vez mais digitalizados podem excluir quem não possui estrutura para acessá-los.
Consequência: parte da população encontra dificuldade para exercer determinados direitos ou acessar oportunidades.
Agora existe um desenvolvimento completo.
Como treinar argumentos antes do Enem?
Você não precisa escrever uma redação inteira todos os dias.
Faça exercícios rápidos.
Escolha um tema e escreva:
tese;
argumento 1;
argumento 2;
um repertório para cada;
uma consequência;
possível intervenção.
Esse exercício pode levar poucos minutos.
Faça com vários temas.
Depois, uma ou duas vezes por semana, transforme alguns desses projetos em redações completas.
Assim você treina tanto planejamento quanto execução.
Crie um banco de repertórios, não de redações prontas
Organize referências por áreas.
Por exemplo:
Educação: legislação,
“`htmlInglês prático para o mercado de trabalho
Aprenda Inglês para o Trabalho e se comunique com confiança
Um treinamento prático para quem precisa usar inglês no ambiente profissional. Aprenda a se comunicar em situações reais do trabalho e prepare-se para novas oportunidades na carreira.
- Aprenda a escrever, responder e trocar e-mails profissionais em inglês
- Prepare-se para entrevistas de emprego e processos seletivos em inglês
- Pratique inglês para ligações, reuniões, documentos e situações reais do trabalho






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