Sistema de Amortização Americano: como funciona, fórmula e exemplos

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O sistema de amortização americano é uma modalidade de pagamento de empréstimos e financiamentos em que, na forma clássica, o valor principal da dívida é quitado integralmente no vencimento, enquanto os juros são pagos periodicamente durante o contrato. Por essa característica, o sistema americano de amortização apresenta uma estrutura bastante diferente do Sistema de Amortização Constante (SAC) e da Tabela Price, nos quais o saldo devedor é amortizado gradualmente.

Em termos simples, durante a maior parte do contrato o devedor paga os juros e continua devendo o principal. Somente no final ocorre o pagamento integral do capital emprestado. Essa característica torna o sistema relativamente fácil de calcular, mas exige planejamento financeiro, já que a última obrigação costuma ser significativamente maior.

O que é o sistema de amortização americano?

O sistema de amortização americano, também conhecido como Sistema Americano de Amortização (SAA), é uma forma de estruturação de dívida na qual o principal permanece, em sua forma tradicional, sem amortização durante os períodos intermediários.

Durante esses períodos, o devedor normalmente paga apenas os juros calculados sobre o saldo devedor. No vencimento, paga os juros correspondentes ao último período e devolve o principal.

Imagine um empréstimo de R$ 100.000 com duração de quatro anos e juros de 10% ao ano, considerando pagamentos anuais.

Durante os três primeiros anos, o devedor pagaria somente os juros:

R$ 100.000 × 10% = R$ 10.000

Como não houve amortização do principal, o saldo devedor permaneceria em R$ 100.000.

No quarto ano, além dos R$ 10.000 de juros, seria necessário devolver os R$ 100.000 do principal.

Assim, o último pagamento seria de R$ 110.000.

Como funciona o sistema americano de amortização?

O funcionamento do sistema americano de amortização pode ser entendido a partir de três elementos: juros, amortização e saldo devedor.

Os juros representam o custo financeiro da dívida. Na estrutura clássica, são pagos periodicamente.

A amortização representa a devolução do capital que foi emprestado. No sistema americano, essa devolução fica concentrada no vencimento.

Já o saldo devedor corresponde ao principal que ainda precisa ser devolvido.

Como não existe amortização intermediária do principal no modelo tradicional, o saldo devedor permanece constante até o vencimento.

Essa é uma das principais características que diferenciam o Sistema Americano de outros sistemas de amortização.

Exemplo do sistema de amortização americano

Considere um empréstimo com as seguintes condições:

Valor emprestado: R$ 50.000
Taxa de juros: 12% ao ano
Prazo: 5 anos
Pagamento dos juros: anual

Primeiro, calculamos os juros:

J = 50.000 × 0,12

J = R$ 6.000

Portanto, enquanto o principal permanecer em R$ 50.000, os juros anuais serão de R$ 6.000.

A tabela do financiamento ficaria assim:

AnoJurosAmortizaçãoPagamentoSaldo devedor após pagamento
InicialR$ 50.000
1R$ 6.000R$ 0R$ 6.000R$ 50.000
2R$ 6.000R$ 0R$ 6.000R$ 50.000
3R$ 6.000R$ 0R$ 6.000R$ 50.000
4R$ 6.000R$ 0R$ 6.000R$ 50.000
5R$ 6.000R$ 50.000R$ 56.000R$ 0

Ao longo dos cinco anos, foram pagos:

Juros totais = R$ 6.000 × 5 = R$ 30.000

Somando a devolução do capital:

R$ 30.000 + R$ 50.000 = R$ 80.000

Nesse exemplo simplificado, portanto, o total desembolsado durante o contrato seria de R$ 80.000.

Fórmula do sistema de amortização americano

Quando os juros são calculados de forma simples sobre o principal mantido constante durante os períodos, o valor periódico dos juros pode ser representado por:

J = PV × i

Em que:

J = juros do período
PV = valor principal da dívida
i = taxa de juros do período

Se o empréstimo for de R$ 200.000 e a taxa for de 1% ao mês:

J = 200.000 × 0,01

Logo:

J = R$ 2.000 por mês

Durante os períodos intermediários, seriam pagos R$ 2.000 de juros, considerando as condições simplificadas do exemplo.

No vencimento, além dos juros do período final, o principal de R$ 200.000 seria devolvido.

Como calcular a amortização no sistema americano?

O cálculo da amortização é particularmente simples no modelo americano clássico.

Nos períodos anteriores ao vencimento:

Amortização = R$ 0

No vencimento:

Amortização = valor total do principal

Por exemplo, para uma dívida de R$ 80.000 com prazo de três anos:

PeríodoAmortização
Ano 1R$ 0
Ano 2R$ 0
Ano 3R$ 80.000

Essa concentração do principal no final é justamente a característica que define o sistema de amortização americano em sua forma tradicional.

O que acontece com o saldo devedor?

No Sistema Americano clássico, o saldo devedor não diminui durante os períodos intermediários.

Considere novamente uma dívida inicial de R$ 80.000.

Depois do primeiro pagamento de juros, o saldo continua em R$ 80.000.

Depois do segundo, permanece em R$ 80.000.

Somente quando os R$ 80.000 do principal forem efetivamente amortizados no vencimento o saldo será reduzido a zero.

Isso também explica por que os juros periódicos podem permanecer constantes quando a taxa é fixa: eles continuam sendo calculados sobre o mesmo principal.

Sistema de amortização americano com fundo de amortização

Existe também uma abordagem na qual o devedor constitui paralelamente um fundo de amortização, conhecido em alguns contextos como sinking fund.

Nesse caso, embora o principal continue sendo devido ao credor no vencimento, o devedor realiza aplicações periódicas em um fundo destinado a acumular recursos para o pagamento final.

Essa estratégia reduz o problema de precisar encontrar todo o capital somente na data do vencimento.

Imagine uma empresa que tenha de devolver R$ 1 milhão daqui a cinco anos. Em vez de esperar o quinto ano para providenciar esse valor, ela pode realizar depósitos periódicos em um fundo.

Os recursos acumulados, juntamente com os rendimentos obtidos, podem ser utilizados para quitar o principal na data prevista.

É importante, porém, separar as duas operações: os juros pagos ao credor são uma coisa; os depósitos e rendimentos do fundo são outra.

Fórmula do fundo de amortização

Quando são realizados depósitos periódicos iguais em uma aplicação que rende juros compostos, pode-se calcular o depósito necessário para atingir determinado montante futuro.

Considerando depósitos ao final de cada período, uma fórmula possível é:

D = FV × j / [(1 + j)ⁿ − 1]

Em que:

D = depósito periódico
FV = valor que precisa estar acumulado no final
j = taxa de rendimento do fundo por período
n = número de depósitos

Observe que a taxa de rendimento do fundo não precisa ser igual à taxa de juros da dívida.

Esse é um detalhe importante em exercícios financeiros.

Sistema americano de amortização com juros pagos no final

É necessário ter cuidado com variações contratuais.

No modelo americano clássico, costuma-se considerar o pagamento periódico dos juros e a amortização integral do principal no final. Entretanto, contratos podem apresentar outras estruturas, inclusive situações em que determinados encargos são acumulados.

Se os juros não forem pagos periodicamente e forem incorporados à dívida, o cálculo pode mudar significativamente devido à capitalização.

Por isso, ao resolver um exercício sobre sistema americano de amortização, é importante identificar exatamente o que o enunciado determina sobre periodicidade, juros e pagamento do principal.

Sistema de amortização americano x SAC

O Sistema de Amortização Constante (SAC) possui uma lógica bastante diferente.

No SAC, o principal é amortizado gradualmente por meio de valores constantes de amortização. Consequentemente, o saldo devedor diminui a cada período.

Como os juros normalmente incidem sobre um saldo cada vez menor, as prestações tendem a diminuir ao longo do financiamento, considerando taxa fixa e as condições simplificadas usuais.

No Sistema Americano, por outro lado, o principal permanece integralmente devido até o vencimento.

Veja uma comparação:

CaracterísticaSistema AmericanoSAC
Amortização do principalConcentrada no finalDistribuída pelos períodos
Saldo devedorPermanece constante até o vencimentoDiminui periodicamente
Juros com taxa fixaTendem a permanecer constantesTendem a diminuir
Último pagamentoElevado pela devolução do principalNormalmente menor que os iniciais
Amortização periódicaNormalmente zeroConstante

Portanto, a principal diferença está no momento em que o capital é efetivamente devolvido.

Sistema americano de amortização x Tabela Price

A Tabela Price também distribui a amortização ao longo do contrato, mas utiliza uma estrutura diferente do SAC.

Na Price, em uma operação convencional com taxa e condições constantes, as prestações periódicas são iguais. Dentro de cada prestação existe uma parcela destinada aos juros e outra destinada à amortização.

Nos períodos iniciais, a participação dos juros tende a ser maior. Conforme o saldo devedor diminui, os juros diminuem e a parcela destinada à amortização aumenta.

No sistema americano de amortização, não existe essa redução gradual do principal no modelo clássico.

Assim, podemos resumir:

Sistema Americano: paga juros periodicamente e principal no final.

SAC: amortiza uma quantidade constante do principal a cada período.

Price: mantém prestações iguais nas condições convencionais, alterando a composição entre juros e amortização ao longo do tempo.

Sistema americano de amortização e bullet payment

O Sistema Americano apresenta uma característica frequentemente associada ao conceito de bullet payment: um pagamento expressivo do principal no vencimento.

Isso ocorre porque o capital não foi gradualmente devolvido durante os períodos anteriores.

Por exemplo, em uma dívida de R$ 500.000, o devedor pode realizar pagamentos periódicos referentes aos juros, mas continuar com uma obrigação de R$ 500.000 referente ao principal até a data final.

Consequentemente, o planejamento para o vencimento possui grande importância.

Vantagens do sistema de amortização americano

Uma característica potencialmente interessante é que os desembolsos intermediários podem ser menores, já que não incluem amortização gradual do principal no modelo clássico.

Isso pode ser relevante em operações nas quais o devedor espera receber recursos em uma data futura.

Imagine uma empresa financiando um projeto que deverá gerar uma entrada significativa de caixa apenas após alguns anos. Uma estrutura com principal no vencimento pode ser compatível com determinado planejamento financeiro.

Outra característica é a simplicidade dos cálculos quando a taxa é fixa e os juros são pagos regularmente.

Entretanto, essas características não tornam o Sistema Americano automaticamente mais vantajoso. Tudo depende das taxas, dos fluxos de caixa, dos riscos e das condições do contrato.

Desvantagens do sistema americano de amortização

A principal desvantagem é a concentração do pagamento do principal no final.

Durante o contrato, o devedor pode ter a impressão de que a obrigação é pequena porque realiza apenas os pagamentos periódicos de juros. Porém, o principal continua integralmente devido.

Isso cria um risco relevante de liquidez.

Se o devedor chegar ao vencimento sem recursos suficientes, poderá precisar renegociar ou refinanciar a dívida, dependendo das possibilidades disponíveis naquele momento.

Além disso, como o principal não diminui ao longo do contrato, os juros continuam incidindo sobre o valor integral enquanto ele permanecer devido, considerando a estrutura clássica.

Exemplo prático do sistema americano de amortização

Considere uma empresa que contrata um empréstimo de R$ 300.000 por quatro anos, com taxa de 8% ao ano e juros pagos anualmente.

Os juros anuais serão:

R$ 300.000 × 8% = R$ 24.000

A evolução será:

AnoJurosAmortizaçãoPagamento totalSaldo devedor
InicialR$ 300.000
1R$ 24.000R$ 0R$ 24.000R$ 300.000
2R$ 24.000R$ 0R$ 24.000R$ 300.000
3R$ 24.000R$ 0R$ 24.000R$ 300.000
4R$ 24.000R$ 300.000R$ 324.000R$ 0

Os juros totais serão:

R$ 24.000 × 4 = R$ 96.000

O desembolso total, desconsiderando taxas, tributos e outros custos, será:

R$ 300.000 + R$ 96.000 = R$ 396.000

Observe que R$ 96.000 representam o custo dos juros no exemplo, enquanto os R$ 300.000 correspondem à devolução do dinheiro originalmente recebido.

Como fazer uma tabela do sistema de amortização americano?

Para montar uma tabela do sistema americano de amortização, comece registrando o saldo inicial.

Depois, calcule os juros de cada período:

Juros = saldo devedor × taxa

Nos períodos intermediários, registre amortização igual a zero.

A prestação ou pagamento periódico será igual aos juros quando não houver outros encargos.

No último período, registre a amortização correspondente ao principal integral.

Finalmente, reduza o saldo devedor a zero.

Essa estrutura permite visualizar claramente por que o último pagamento é tão diferente dos anteriores.

Os juros são simples ou compostos no Sistema Americano?

Essa pergunta exige atenção.

Quando os juros de cada período são efetivamente pagos e não incorporados ao saldo devedor, o principal permanece constante. Assim, o cálculo periódico pode parecer semelhante ao de juros simples sobre o principal.

Entretanto, não se deve concluir que qualquer operação no Sistema Americano obrigatoriamente utiliza juros simples.

A forma de capitalização depende das condições financeiras e contratuais.

Se juros vencidos forem incorporados à dívida, por exemplo, poderá ocorrer incidência sobre uma base diferente posteriormente, conforme as regras do contrato.

Por isso, em matemática financeira, sempre se deve observar a taxa, sua periodicidade, o regime de capitalização e o momento dos pagamentos.

Onde o sistema de amortização americano pode ser utilizado?

Estruturas com pagamento do principal no vencimento podem aparecer em diferentes operações financeiras, especialmente quando existe expectativa de disponibilidade futura de recursos.

Também existem títulos de dívida com características semelhantes, nos quais o investidor recebe pagamentos periódicos de juros e o principal é devolvido no vencimento.

Entretanto, as características específicas de cada instrumento financeiro podem variar.

Por isso, identificar uma semelhança com o Sistema Americano não significa que todos os contratos sigam exatamente as mesmas regras.

Sistema de amortização americano é melhor que SAC ou Price?

Não existe um sistema universalmente melhor.

A comparação depende de fatores como taxa de juros, prazo, capacidade de pagamento, fluxo de caixa, custos adicionais e finalidade do financiamento.

O Sistema Americano concentra o principal no vencimento. O SAC reduz progressivamente o saldo por meio de amortizações constantes. A Price, em sua configuração convencional, utiliza prestações constantes e altera gradualmente a proporção entre juros e amortização.

Assim, a comparação financeira correta deve considerar os fluxos de caixa completos de cada alternativa, e não apenas o valor da primeira prestação.

O que acontece se o devedor não guardar dinheiro para o pagamento final?

Esse é um dos principais riscos do sistema americano de amortização.

Pagar os juros em dia não significa que o principal esteja diminuindo.

Se uma empresa contrair R$ 1 milhão e pagar somente juros durante cinco anos, ainda poderá dever R$ 1 milhão no vencimento.

Por isso, o devedor precisa planejar de onde virão os recursos necessários para quitar a obrigação final.

A constituição de um fundo de amortização é uma possível estratégia para lidar com esse risco, quando adequada à operação.

Sistema americano de amortização: exemplo para exercício

Considere o seguinte problema:

Uma empresa obtém um empréstimo de R$ 120.000 pelo Sistema Americano, pelo prazo de três anos, à taxa de 15% ao ano, com juros pagos anualmente. Qual será o valor dos juros anuais e do pagamento no último ano?

Primeiro:

J = 120.000 × 0,15

J = R$ 18.000

Nos dois primeiros anos, o pagamento será de R$ 18.000.

No terceiro ano:

Pagamento final = juros + principal

Pagamento final = R$ 18.000 + R$ 120.000

Pagamento final = R$ 138.000

Portanto, o devedor paga R$ 18.000 no primeiro ano, R$ 18.000 no segundo e R$ 138.000 no terceiro.

Perguntas frequentes sobre o sistema de amortização americano

O que caracteriza o sistema americano de amortização?

Sua característica principal é a amortização integral do principal no vencimento, enquanto, na forma clássica, os juros são pagos periodicamente durante o contrato.

O saldo devedor diminui durante o contrato?

No modelo americano tradicional, não. O principal permanece constante até ser amortizado no vencimento.

Existe amortização nas parcelas intermediárias?

Normalmente não, considerando a estrutura clássica. Os pagamentos intermediários correspondem aos juros.

Por que a última parcela é maior?

Porque inclui a devolução do principal, além dos juros correspondentes ao período final.

O sistema americano pode ter fundo de amortização?

Sim. Pode existir um fundo formado por depósitos periódicos para acumular os recursos necessários à quitação do principal no vencimento.

Sistema Americano e SAC são iguais?

Não. No SAC, o principal é amortizado progressivamente por valores constantes. No Sistema Americano clássico, a amortização do principal ocorre no final.

Conclusão

O sistema de amortização americano possui uma estrutura relativamente simples: durante o contrato, o devedor normalmente paga os juros periodicamente e mantém o principal da dívida inalterado. No vencimento, realiza a amortização integral do capital.

Essa característica diferencia o sistema americano de amortização do SAC e da Tabela Price, que reduzem progressivamente o saldo devedor.

Embora os pagamentos intermediários possam ser menores, a concentração do principal no vencimento exige planejamento. O devedor precisa garantir que terá recursos suficientes para realizar o pagamento final ou estruturar antecipadamente uma estratégia, como a formação de um fundo de amortização.

Compreender juros, amortização, saldo devedor e fluxo de pagamentos é fundamental para analisar corretamente esse sistema e compará-lo com outras modalidades de financiamento.

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